José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Terceira Roma

 

Mazzini que faz renascer as teses imperialistas da Terceira Roma, acreditando que depois da Roma dos Imperadores e da Roma dos Papas teria de surgir a Roma do Povo.  Assim, em 1871, propõe que a Itália constitua um vasto império colonial no Mediterrâneo: o estandarte romano tremulou sobre essas terras nos dias em que, após a queda de Cartago, o Mediterrâneo foi denominado o nosso mar. Fomos senhores de toda essa região até ao século V. Mussolini, o inicial militante socialista que, depois funda o fascismo, mais não faz do que dar continuidade a esse sonho.

 Também pelas bandas de Moscóvia, nos séculos XV e XVI, Ivan III (1462-1505) e Ivan IV (1533-1584) desencadeiam um imperialismo que se intitula como a Terceira Roma. Ivan III, Ivan o Grande, depois de submeter Novgorod, em 1478, transforma-se num Gão-Principe de Todas as Rússias, depois de a si mesmo se considerar czar, tomando como símbolos o ceptro, o trono, o globo e a águia bicéfala dos bizantinos, depois de, no ano anterior, até se casar com a sobrinha do último imperador bizantino. Se a Rússia não tem sebastianistas tem Velhos Crentes que, a partir do concílio de Moscovo de 1667, assumem o tradicionalismo messiânico e procuram um reino ideal, fundado na justiça, contra o reino visível do Estado e da Igreja oficiais onde dominaria a injustiça e o anti-Cristo, acentuando o espírito comunitário, bem como a fraternidade dos homens e dos povos.

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:12-04-2009

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