José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Transcendência
De trasncendente, o que está para lá de alguma coisa (Ferrater Mora). O homem é o único ser que tenta ultrapassar a causalidade do determinismo biológico. O único ser que é capaz de se olhar como um ser finito, como um ser que tem um restrito tempo de vida, o único ser que sabe que vai morrer, como diz Pascal. O homem é, pois, o único ser que, assim, se transcende. Que se transcende quando se reconhece como finito e, por isso mesmo, procura construir o infinito, o mais além, estabelecendo uma ponte entre o infinito e a respectiva finitude.
É um ser que procura dar um sentido ao tempo. Que entende a história como mistura dialéctica das três dimensões do tempo, como presente que se projecta no futuro, mas que também assenta no passado. Que sabe que é livre porque tem deveres e que, como refere Castanheira Neves, é tanto mais livre quanto mais vínculos morais assume. Neste sentido, como proclama Miguel Reale, ser livre significa obedecer à razão, entendida como o conjunto de valores e regras.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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