José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Utopia
All socialist utopias come to nothing on roast beef and apple pie
O utopista que chega ao poder torna-se dogmático e pode, com muita facilidade causar a infelicidade dos homens em nome do próprio idealismo...
Etimologicamente, o sem lugar (topos). Segundo Pinharanda Gomes, tem um carácter profético, uma dinâmica prognóstica, tem por fim comunicar um ideal de sociedade futura, descrevendo-a como se ela já existisse, ou tivesse existido.
Um lugar anti-lugar, imaginário, onde o sistema social e político é considerado perfeito, nomeadamente pelo facto de todos os cidadãos poderem ver satisfeitas as respectivas necessidades materiais. Por outras palavras, as utopias representam uma fuga ao real e, portanto, uma renúncia, uma negação do mundo e dos seus conflitos (Jean Servier). Porque estão fora do espaço e do tempo, são estáticas face ao processo histórico e escrevem-se em sociedades cujos membros perderam a esperança de progresso e aspiram a um invencível equilíbrio estável como forma de travagem do declínio, como dizia Arnold Toynbee. E, tal como as ideologias, conduzem a uma atitude de desespero porque se traduzem num mero exercício mental ( pensa-se , não se vive) que pretende fornecer um modelo planificado do que deveria ser, segundo Garcia Pelayo. Como recordava Agostinho da Silva, o equivalente à utopia, em português camoniano, é a Ilha dos Amores. Tem lugar e formas. E vale mais experimentá-la do que julgá-la. Embora tenha que julgá-la quem não a pode experimentar.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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