© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Aphorismos e Pensamentos Moraes, Religiosos, Politicos e Philosophicos, 1850

Basta passarmos os olhos sobre como António Alberto Morais de Carvalho aí encara a corrupção para lhe traçarmos o perfil: O empregado com pequeno ordenado, que vive com luxo, se não herdou, furtou (293). Os cargos do Estado, em mãos de probidade, dão proveito, e honra: em mãos de corrupção, dão proveito sem honra (300). A probidade do empregado público não pode viver, nem com o luxo, nem com a miséria (297). Os escritores assalariados, de ordinário, são como as rameiras; prostituem-se a quem lhes paga (312). Se a honra de representar a nação pela deputação fosse estéril de empregos, e distinções, haveria menos quem a ambicionasse (220).. Os mais elevados estadistas dificilmente se conservam, e morrem no poder (315). Qualquer grumete se reputa habilitado a dirigir o leme da nau do Estado; por isso, ela, muitas vezes, sofre avarias (317). O bom exemplo dos grandes vale mais que os códigos criminais (326). Um governo sábio deve criar homens para empregos e não empregos para homens (384). Há honras sem honra, assim como há honra sem honras (437). As maiorias parlamentares são muitas vezes minorias nacionais (607). Os partidos de princípios podem ser razoáveis; os de pessoas são, de ordinário, execráveis (779). Ordinariamente os maiores inimigos dos homens que se acham no poder são aqueles que desejam subir a ele (804).

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:06-05-2009

 

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