© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 
Cardia, Mário Sottomayor

Doutor em filosofia. Professor da Universidade Nova de Lisboa.

 

·Seara Nova. Antologia. Pela Reforma da República 1921-1926

2 vols., Lisboa, Edições Seara Nova, 1971-1972.

 

·Sobre o antimarxismo contestatário. Ou as infelicidades de um jdanovista ofuscado pelo neocapitalismo

Lisboa, Edições Seara Nova, 1972.

 

 Ética

Lisboa, Presença, 1992

 

Nota pessoal de 17 de Novembro de 2006 (http://tempoquepassa.blogspot.com/2006/11/mrio-sottomayor-cardia-ou-coragem-que.html)

Acabam de me comunicar o falecimento do meu querido colega Mário Sottomayor Cardia. Não comunicarei aqui as necrológicas palavras do costume, porque quem pensa e semeia o pensamento nunca morre. Este homem de excessos, nos defeitos e nas virtudes, deveria ter sido o autor da necessária teoria da democracia deste regime. Mas preferiu andar sempre à procura e ensinar os amigos e alunos em peripatéticas conversas, algumas delas em longas noitadas, onde, os que dele receberam o privilégio do magistério, muito aprenderam. Eu fui um dos que tive essa honra de perceber o que era ter sido comunista por solidariedade e socialista da velha tradição do liberalismo lusitano. E aos outros tentarei comunicar sempre o que dele recebi. Não posso, contudo, deixar de proclamar que este foi o mais corajoso ministro da educação que tivemos neste regime, porque, contra a destruição da revolução, soube e conseguiu implantar a semente de uma reforma por cumprir, eliminando a estúpida mentalidade da guerra civil friamente ideológica. A Universidade e a democracia muito lhe devem. Para sempre!

 

Mais outra nota (http://tempoquepassa.blogspot.com/2006/04/o-17-de-abril-de-1969-escola-dos.html):

 

Aliás, para entendermos a temperatura da sociedade portuguesa de então, basta relermos Maio e a Crise da Civilização Burguesa, da autoria de António José Saraiva, bem como a contestação da mesma obra levada a cabo por Mário Sottomayor Cardia, intitulada Sobre o Antimarxismo Contestatário ou as Infelicidades de um Jadonovista Ofuscado pelo Neocapitalismo, onde o posterior ministro da Educação invocava a ortodoxia marxista-leninista para rebater o típico caso do ideólogo que volta as costas às raízes da sua própria ideologia.

Saraiva tinha assinalado que o mais importante de tudo o que fica deste acontecimento (Maio francês) é a revolução cultural. Cardia replicava, dizendo que Saraiva não poderia ter descoberto terreno ideológico mais favorável à transplantação dos velhos temas sebastianistas do Quinto Império.

Cardia ainda acreditava que o marxismo … abre perspectivas radicalmente inovadoras e coerentes com o desenvolvimento da globalidade das criações humanas e que o socialismo realizou e realiza na União Soviética e no conjunto dos países da Europa do leste… obra de grandeza verdadeiramente ímpar na história humana.

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:06-05-2009

 

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