© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Carvalho, Alberto António de Morais (1801-1878)

Bacharel em cânones. Emigrado desde 1828. Advogado no Brasil, assumindo-se como um dos principais processualistas da época, sendo autor de Praxe Forense. Regressa a Portugal em 1848. Presidente da câmara municipal de Lisboa em 1852-53. Governador civil de Lisboa. Ministro dos negócios eclesiásticos e da justiça em 1860-1862. Par do reino desde 1862. Maçon. Envolve-se em polémica com António Luís de Seabra sobre o projecto do Código Civil em 1858 e 1859. Ministro da justiça no governo de João Crisóstomo, de 25 de Maio de 1891 a 17 de Janeiro de 1892

O antigo ministro António Alberto Morais de Carvalho, ilustre jurista e liberal, em Aphorismos e Pensamentos Moraes, Religiosos, Politicos e Philosophicos, publicados em Lisboa, no ano de 1850, utilizou a irregular técnica da generalidade e abstracção, para insinuar o seguinte:

O empregado com pequeno ordenado, que vive com luxo, se não herdou, furtou (293)
Os cargos do Estado, em mãos de probidade, dão proveito, e honra: em mãos de corrupção, dão proveito sem honra (300).
A probidade do empregado público não pode viver, nem com o luxo, nem com a miséria (297).
Os escritores assalariados, de ordinário, são como as rameiras; prostituem-se a quem lhes paga (312).
Se a honra de representar a nação pela deputação fosse estéril de empregos, e distinções, haveria menos quem a ambicionasse (220).
Aos déspotas nunca faltam mandarins, que sejam vis executores dos seus decretos (235).
Os mais elevados estadistas dificilmente se conservam, e morrem no poder (315).
Qualquer grumete se reputa habilitado a dirigir o leme da nau do Estado; por isso, ela, muitas vezes, sofre avarias (317).
O bom exemplo dos grandes vale mais que os códigos criminais (326).
Um governo sábio deve criar homens para empregos e não empregos para homens (384).
Há honras sem honra, assim como há honra sem honras (437).
As maiorias parlamentares são muitas vezes minorias nacionais (607).
Os partidos de princípios podem ser razoáveis; os de pessoas são, de ordinário, execráveis (779).
Ordinariamente os maiores inimigos dos homens que se acham no poder são aqueles que desejam subir a ele (804).

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:06-05-2009

 

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