© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 
Cérebro Social

O Estado como o cérebro social, como o órgão que está encarregue de representar o corpo social no seu conjunto e de o dirigir. É que toda a vida do Estado propriamente dito passa-se não em acções exteriores, em movimentos, mas em deliberações, isto é, em representações

Durkheim, Émile

 

Durkheim considera o Estado como cérebro social, como o órgão que está encarregado de representar o corpo social no seu conjunto e de o dirigir. As principais actividades do Estado têm a ver com deliberações, pelo que a sua função essencial é a de pensar, ou reflectir, e não a de executar. Neste sentido, diz que o mesmo Estado é um órgão do pensamento social, diverso do pensamento irreflectido da multidão. Émile Durkheim, numa amálgama de hegelianismo e organicismo, conforme a expressão de Bertrand de Jouvenel, e procurando superar a incapacidade demonstrada pelo demoliberalismo da época em que viveu face à pressão dos grupos intermediários, considera nas suas Leçons de Sociologie, o Estado como o cérebro social, como o órgão que está encarregue de representar o corpo social no seu conjunto e de o dirigir. É que toda a vida do Estado propriamente dito passa-se não em acções exteriores, em movimentos, mas em deliberações, isto é, em representações. O Estado surge, pois, como um mecanismo de comunicação e de transmissão de informações, constituindo um instrumento neutro e funcional, claramente separado da sociedade.

© José Adelino Maltez

Última revisão:06-05-2009

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