© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Cosmos

 

 

O soberano representa a harmonia cósmica e a coesão contra a dissolução e a transgressão

Caillois, Roger

 

 

 

Do grego kosmos, ordem ou harmonia universal, o que abarca o desconhecido e que, portanto, é infinito. O cosmos teria sido gerado pela aliança de Deus com o Caos, base do dualismo permanente do nosso pensamento.Porque, no princípio esteve o caos, o grande vazio, o grande buraco negro, o espaço vazio cheio de trevas, como diziam os gregos, de Hesíodo a Aristóteles, essa desordem inicial, equivalente ao negativo, a que se seguiu o cosmos, o equivalente ao positivo.

 

Pitágoras fala em cosmos como a ordem e harmonia matemáticas do sistema planetário. Platão entende-o como o próprio mundo ordenado. Esta ideia de ordem universal leva a que o todo seja entendido como uma espécie de homem em ponto grande, enquanto o homem é visto como uma reprodução do cosmos, como um microcosmos. Trata-se de uma ordem endógena, marcada por aquilo que Hayek chama regras da conduta justa, visando a grande sociedade, sonhada por Adam Smith, ou a sociedade aberta de Popper. Uma ordem espontânea, auto-gerada pelo tempo, diversa da ordem estabelecida por uma convenção ou por uma lei. 

 

Diremos, no tocante ao direito, que não existe nenhuma sociedade onde todas as regras sejam espontaneamente cumpridas. Utilizando a terminologia de Georges Burdeau, importa salientar que para qualquer agrupamento humano passar do caos ao cosmos é necessária a institucionalização de um poder que, misturando a força com a ideia, seja capaz de premiar quem o merece e de punir o prevaricador.

 

O existencialismo francês, de Jean-Paul Sartre, chega mesmo a proclamar que o homem é o ser pelo qual o nada vem ao mundo.

 

 

 

© José Adelino Maltez

Última revisão:06-05-2009

 

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