© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
|
Dantas, Júlio (1876-1962)
Médico e escritor. Presidente da Academia das Ciências. Deputado em 1905. Senador durante a República. Ministro da instrução pública de 21 de Outubro a 30 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo, na qualidade de reconstituinte, substituindo o democrático Rego Chaves. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Ministro dos negócios estrangeiros no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Membro do partido liberal e do partido nacionalista. Torna-se no símbolo do sistuacionismo cultural da I República, sendo particularmente zurzido por Almada Negreiros no Manifetso Anti-Dantas. O seu situacionismo mental vai levá-lo a colaborar com o Estado Novo, assumindo as funções de presidente da comissão nacional dos centenários em 1940. ·Páginas de Memórias Lisboa, Portugália, 1968.
4Luís de Oliveira Guimarães, Júlio Dantas. Uma Vida. Uma Obra. Uma Época, Lisboa, Romano Torres, 1963.
"Não
é preciso disfarçar-se para se ser salteador, basta escrever como o
Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem
humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as
opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e
usar coco e olhos meigos! O Dantas é um autómato que deita para fora
o que a gente já sabe o que vai sair... O Dantas é um soneto dele
próprio!
O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum. Se o Dantas é português eu quero ser espanhol! O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa! O Dantas é a meta da decadência mental! E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas! E ainda há quem lhe estenda a mão! E quem lhe lave a roupa! E quem tenha dó do Dantas! E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero! E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões. E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar. Mas julgais que nisto se resume literatura portuguesa? Não Mil vezes não! Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degradados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!"
|
|
© José Adelino Maltez |

Última revisão:06-05-2009
Index