© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Humanisme et Terreur

 

 

Obra de Maurice Merleau-Ponty subtitulada Essai sur le Pdoblème Communiste, onde analisam os processos de Moscovo e se afrontam as perspectivas de Arthur Koestler insertas em Le Zero et l’Infinit. Na altura, Merleau-Ponty mantinha-se marxista, apesar de certas distâncias face o PCF.

wConsidera que as purgas estalinistas são uma manifestação de violência, menos hipócrita que a dos regimes liberais. Porque não temos escolha entre a pureza e a violência, mas entre diferentes formas de violência... A violência é o ponto de partida comum a todos os regimes.

wAs democracias liberais viveriam em regime de falsa paz quando, no fundo, são autênticas máquinas de guerra que usam as máscaras mentirosas da paz, a fim de esconderem a sua própria violência. Vivemos entre a guerra real e a paz ficcionada, ao contrário do comunismo que manifestaria abertamente os conflitos que o atravessam e até não provocou a guerra.

wAinda acredita que o marxismo é o único humanismo que ousa desenvolver as suas consequências. O que é grave e ameaça a civilização não é matar um homem por causa das suas ideias (tal faz-se muitas vezes em tempo de guerra), é fazê-lo sem o confessar e sem o dizer, colocando sobre a justiça revolucionária o disfarce do código penal. Porque, escondendo a violência, acostumamo-nos a ela e tornamo-la institucional.

wSalienta que no liberalismo o direito é sacrificado ao facto, enquanto na filosofia da história marxista a ideia de praxis vem, pelo contrário, salvar a degradação do facto revolucionário. Porque, na realidade, não há uma ordem jurídica e uma ordem política, uma e outra mais não do que duas expressões do funcionamento total da sociedade (Paris, Éditions Gallimard, 1947)

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:06-05-2009

 

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