© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Maetzu, Ramiro  1874-1936

Um dos teóricos da hispanidad. Nasce em Vitória. Filho de pai basco e de mãe inglesa, começou por aderir ao anarquismo. Neste sentido assume o anti-tradicionalismo e a necessidade de europeização da Espanha. Destaca-se então como periodista e correspondente no estrangeiro de vã rios jornais espanhóis. Embaixador de Espanha na Argentina durante a ditadura de Primo de Rivera. Funda a revista Acción Española, em nome da tríade Deus, Pátria, Rei. Executado pelo governo republicano. Em 1934, considera que cada homem é ao mesmo tempo um solitário (escapando tanto ao autocrata como à comunidade, mas não à jurisdição divina) e um cidadão. Aqui a cidadania corresponde à relação do indivíduo com a coisa comum, pelo que ser cidadão é a mesma coisa que a cidade, a coisa comum marcada por uma comunidade de fins. Considera que Patria es espiritu,  é um património espiritual - em parte visível, porque também o espírito do homem se incarna na matéria, e atestam-no as obras plásticas: igrejas, monumentos, esculturas, pinturas, mobiliário, jardins e as obras utilitárias: estradas, cidades, casas de habitação, plantações - mas em parte invisível, como o idioma, a música, a literatura, a tradição, as façanhas históricas; e em parte, ainda alternadamente visível e invisível, como os costumes e os gostos. Tudo junto faz da pátria um tesouro de valor universal cuja custódia compete a um povo. Neste sentido, é insuficiente o patriotismo que se refere apenas à terra ou aos companheiros, embora deva ser estimulado dentro do possível... O que forma a pátria única, é um nexo, uma comunidade espiritual que se torna, ao mesmo tempo, um valor na história do mundo. Considera que a Espanha perdeu o seu valor no século XVIII quando aceitou o materialismo enciclopedista, como prejuízo para as ideias que professava no siglo de oro, a nossa crença na possibilidade de salvação de todos os homens da terra. Neste sentido, defende que a Espanha e a América retomem a fé tradicional que implica o abandono dos ideais da liberdade, igualdade e fraternidade, a serem substituídos pela trilogia serviço, hierarquia e humanidade.

 

·Hacia otra España

1899.

·La Crisis del Humanismo

1919.

·Defensa de la Hispanidad

1934.

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:12-04-2009

 

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