© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Problema

 

Toda a pergunta filosófica  não é mais do que o desejo velado de conseguir uma determinada resposta que já está implicíta na própria pergunta

Spengler, Oswald 

 

 

Toda a questão que permite mais do que uma resposta. Na etimologia grega, problema é tudo aquilo que se opõe ou resiste à penetração da inteligência. O problemático é, segundo Aristóteles, diferente do assertório ("A é B") e do apodíctico ("A deve ser B"), dado que nesse tipo de proposição "A pode ser B". Gabriel Marcel distingue o problema, algo que pode ser objectivado, do mistério. A hermenêutica contemporânea veio estabelecer a diferença entre o pensamento sistemático e o pensamento problemático. Com efeito, o pensamento problemático opta pelo processo da conclusão dialéctica, admitindo a possibilidade do conhecimento a partir de simples opiniões, ao contrário dos procedimentos apodícticos, onde existe uma conclusão que se atinge, partindo de proposições primeiras ou verdadeiras, como acontece na filosofia. Para tanto, o primeiro modelo propõe a formulação clara dos problemas a resolver, a escolha de todos os argumentos a favor e contra

Uma dúvida (dubitatio), uma aporia, onde não há afirmações indiscutivelmente verdadeiras que cortem cerce a questão, impossibilitando a posterior discussão. Um género de coisas  que tem movimento, dado que nele vive a antinomia, ou o paradoxo, entre o ser em potência e o ser em acto, entre a matéria e a forma. Uma daquelas zonas das preocupações humanas onde há apenas afirmações prováveis, susceptíveis de discussão e de adequação às realidades, gerando um mundo onde os problemas, o típico dos sistemas abertos, talvez sejam primordiais face às classificações conceituais, próprias de um sistema fechado.

 

© José Adelino Maltez

Última revisão:12-04-2009

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