© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
|
Portugal perante a Revolução da Espanha, 1868
wFolheto de Antero de Quental, subtitulado Considerações sobre o Futuro da Política Portuguesa no Ponto de Vista da Democracia Ibérica, que se publica depois de Isabel II ter sido derrubada por Prim. Aí se proclama que a nacionalidade não passa de uma forma passageira e artificial, de um facto do mundo político e como ele transitório e alterável, dado que não seria o símbolo único, a forma mais perfeita do sentimento nobre, o amor da Pátria.
wPropõe então que nas nossas actuais circunstâncias o único acto possível e lógico de verdadeiro patriotismo seria renegar a nacionalidade.
wPorque as forças mais moças e inteligentes, os elementos mais generosos da nossa sociedade estão comprimidas, as asfixiadas por esta forma estreita da velha nacionalidade. Entre uma coisa e outra é necessário escolher. Ora eu sustento que, entre as realidades eternas da natureza humana, de um lado e, do outro, a criação artificiosa e antiquada da política, não há que hesitar. Se não é possível sermos justos, fortes, nobres, inteligentes senão deixando cair no abismo da história essa coisa a que se chamou nação portuguesa, caia a nação, mas sejamos aquilo que nos criou a natureza, sejamos inteligentes, nobres, fortes, justos, sejamos homens, muito embora deixemos de ser portugueses.
wAdvoga um iberismo espiritual, defensor de uma Espanha, não como uma nação, mas como um aglomerado de elementos justapostos, mas não fundidos, integrados numa república democrática e federalista.
wNeste sentido, as nacionalidades são consideradas como coisa velha e caduca, como um obstáculo desgraçado, resto das hostilidades fatais de séculos bárbaros.
wEm 1869 ainda sublinha que Portugal está na classe dos povos extintos, como a Grécia: tem ainda habitadores que mantêm uma nacionalidade in nomine mas esta utopia, formada sobre os in-fólios dos cronicões, tem de se desmoronar por si mesma. É triste, mas é verdade.
|
|
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
Index