© José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

A procura do melhor regime

Neste sentido, preferimos assinalar a perspectiva clássica do pensamento político ocidental, onde se considera que há sempre a conciliação, em cada regime em concreto, das três formas de governo ou de regime (monarquia, aristocracia e democracia), bem como uma permanente luta pela constituição, enquanto o melhor regime, evitando que o vértice sistémico do elemento monárquico degenere em tirania, a aristocracia, em oligarquia e a democracia, no despotismo de todos.

Tomamos, com efeito, partido por uma concepção normativista de democracia, onde a procura do que deve ser, em confronto com o que está, nos leva sempre a ser do contra, para podermos ser a favor da boa sociedade. Conservadores nos princípios, simpatizantes dos métodos reformistas, mas radicais, ou revolucionários nos objectivos, vivemos a contradição clássica de tanto nos sentirmos monárquicos como anarquistas, adeptos de um extremo-centro e capazes de querermos ser miguelistas liberais ou monárquicos republicanos e salazaristas democráticos, não para sermos ecléticos, mas podermos reconhecer a lei da complexidade crescente que nunca se confundiu com qualquer terceirismo mole e difuso.

Já Miguel de Unamuno dizia que nós, ocidentais, o que primeiramente somos é anti. Depois é que resolvemos o que havemos de ser.

Estado de espírito que constitui a base do radicalismo individualista e da própria herança cartesiana. Mesmo a ideia utópica tenta criar uma espécie de contra-sociedade. Ser do contra não se reduz apenas à mera contestação.

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:12-04-2009

 

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