Áustria 

(Respublik Osterreich )

Na Áustria (Republik Österreich), sob a presidência de Thomas Klestil, do ÖVP, eleito em 1992 e 1998, o chanceler, desde 2000, é Wolfgang Schüssel, liderando um governo de coligação ÖVP- FPÖ.

As principais forças política, segundo os resultados das eleições para o Nationalrat, de 03-10-1999, são o os democrata-cristãos do OVP (Österreichische Volkspartei), com 26.9%, e o anterior líder do governo os sociais-democratas do SPO (Sozialdemokratische Partei Österreichs), com 33.2%. A terceira força é o Partido da Liberdade da Áustria, FPO (Freiheitliche Partei Österreichs), com 26.9%, seguindo-se os ecologistas de Die Grünen, com 7,4%.

 

Nationalrat

03-10-1999

 

183

OVP (Österreichische Volkspartei)

 

26.9

52

SPO (Sozialdemokratische Partei Österreichs)

 

33.2

65

FPO (Freiheitliche Partei Österreichs

 

26.9

52

Die Grünen

 

7,4

14

 

 

Karl Renner (2ª vez)            

29-04-1945

 

Leopold Figl                      

20-12-1945

 

Julius Raab                       

2-04-1953

 

Alfons Gorbach                    

11-04-1961

 

Josef Klaus                       

2-04-1964

 

Bruno Kreisky                     

21-04-1970

 

Fred Sinowatz                     

24-05-1983

 

Franz Vranitzky                   

16-06-1986

 

 

28-01-1997 

 

Wolfgang Schüssel

 

de coligação ÖVP- FPÖ.

 

 

Em 1888 surge o partido social-democrata dos trabalhadores da Áustria que em 1907 já são o principal partido parlamentar, com cerca de um terço dos votos expressos. Adopta o chamado austromarxismo, onde se destacam Max Adler, Otto Bauer e Karl Renner. Este último é chanceler em 1919-1920, em colaboração com os sociais-cristãos. Passam para a oposição a partir de 1920. Em 1924 forma grupos de segurança armados e já se assume como o principal partido da oposição. Depois da subida de Dolfuss ao poder entram na clandestinidade e promovem a insurreição de Viena de 12 de Fevereiro de 1934. Passa a SPO (Partido Socialista da Áustria) em 1945 e domina a política austríaca até 1999.

Superf. 84 milliers de km2  Pop. 8 millions  PNB 205,7 mds de dollars (1999) PNB/hab. 25 430 dollars (1999) Croiss. 2,1 % (1998-1999) Budg. éduc. 5,4 % du PNB Mort. inf. 4 pour mille naissances Esp. vie 78 ans IDH 16e rang mondial sur 162 pays IPF 11e rang mondial sur 64 pays Budg. déf. 1 500 millions de dollars (2001) Armée environ 34 600 actifs et 72 000 réservistes

 

SPÖ

 

ÖVP 

Adolf Schärf          

1945-1957

 

 

1945-1952

Leopold Figl          

 

1952-1960

Julius Raab           

Bruno Pittermann      

1957-1967

 

 

1960-1963

Alfons Gorbach        

 

1963-1970

Josef Klaus            

Bruno Kreisky         

1967-1983

 

 

1970-1971

Hermann Withalm       

 

1971-1975

Karl Schleinzer       

 

1975-1979        

Josef Taus            

 

1979-1989        

Alois Mock            

Alfred (Fred) Sinowatz

1983-1988        

 

Franz Vranitzky       

1988-1997        

 

 

1989-1991        

Josef Riegler         

 

1991-1995        

Erhard Busek          

 

1995-            

Wolfgang Schüssel     

Viktor Klima          

1997-2000        

 

Alfred Gusenbauer     

2000-             

 

 

 

FPÖ

 

1986-2000        

Jörg Haider           

 

2000-            

Susanne Riess-Passer  

 

O nome do Estado deriva da designação dada por Carlos Magno à Marchia Orientalis Õsterreich, a partir de 996. Em 5 de Abril de 1945, os soviéticos já estão frente a Viena, mas é só a partir de 28 de Abril de 1945 que se anula a Anschluß, começando a desenvolver-se uma identidade nacional, consolidada pelo Tratado de Estado, ou de Belvedere, de 15 de Maio de 1955, onde retoma uma soberania condicionada pelo estatuto de neutralidade, permitindo a retirada das tropas de ocupação em 26 de Outubro desse mesmo ano.  A partir de 1945 a Áustria, marcada por um Verfassungspatriotismus, é dominada pelo sistema bipartidário da Proporz, com democratas-cristãos e socialistas. O primeiro governo rovisório é presidido pelo socialista Karl Renner, mas logo em Novembro de 1945, os democratas-cristãos ganham as eleições. Em 1956, o Estado adere ao Conselho da Europa em em 1960 adere à EFTA. Entre 1966 e 1970, é governada pelos democratas-cristãos de Josef Klaus. Entre 1970 e 1983, sobem ao poder os socialistas de Bruno Kreisky que obtêm a maioria absoluta nas eleições de 1971, 1975 e 1979. No entanto, em 1986 ganha as eleições presidenciais o popular Kurt Waldheim, antigo secretário-geral da ONU. Nesse ano, surge como chanceler o socialista Franz Vranitzky. Em 1992 é eleito presidente o popular Thomas Klestil.

A composição governamental de 2000 suscita uma vaga de repúdio por toda a Europa, principalmente por causa do líder do FPO, Jorg Haider, governador da Caríntia. Este partido que ainda em 1986 apenas obtivera 5% dos sufrágios atingiu em Outubro de 1999 o nível dos 23%. Utilizando como principal bandeira a luta contra o situacionismo corrupto da Proproz, a coligação entre os sociais-democratas do SPO e dos democratas-cristãos do OVP, foi acusado de racismo e de xenofobia, nos seus projectos de restrição da emigração. Com efeito, a Áustria possui cerca de 750 000 emigrantes, vindos principalmente do Leste, correspondentes a 9% da população, mas atingem o nível dos 20% em Viena. Estes dois temas levaram a que o partido conseguisse um eleitorado onde dominam os cidadãos masculinos (cerca de 62%), um em cada dois operários e um terço dos novos eleitores (35% dos votos no FPO são se pessoas com menos de 30 anos). Outros temas secundários, mas mobilizadores, são os da luta contra os burocratas de Bruxelas e da desconfiança face ao alargamento da Europa para os países de Leste. Assumindo este populismo, num vivo ataque ao clientelismo Haider também se assume como o protector dos fracos, dos desmepregados aos reformados, com a habitual incorência dos populistas, dado que muda o discurso conforme os públicos. Inserindo-se magnificamente nos modelos do Estado Espectáculo, torna-se numa autêntica pop star. Reforça-o a imagem como governador da Caríntia, onde obteve 43% dos votos, e tem intensas relações com Umberto Bossi o líder da vizinha Liga do Norte. Insere-se no processo da xenofobia defensiva típica das paixóes identitárias. Os Estados da União Europeia tiveram uma imediata reacção, principalmente através das declarações do presidente em exercício, António Guterres, invocando a circunstância da Europa ter princípios, isto é, o Estado de Direito, a Democracia e os Direitos do Homem, e o próprio Parlamento Europeu aprova uma moção contra as declarações xenófobas e racistas de Haider, insurgindo-se contra esta pretensa legitimação da Extrema Direita na Europa (03-02-2000).

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: