Checa, República 

 

78 9000 km2 e 10 500 000 habitantes; segundo a formula de Cline, a Checoslováquia, 11. A actual república tem como antecedente o reino da Boémia-Morávia, desde o século XI, que, entre 1526 e 1918, esteve sob o domínio dos Habsburgos; no final da Grande Guerra, surgia a República da Checoslováquia. Em 1848 formou-se em Praga o comité de S. Venceslau que reclamou a constituição de um Estado checo independente outra facção dos checos, reunida no congresso pan-eslavo do mesmo ano, apenas defendia autonomia política e cultural dentro do Império; em 1862 formam-se os Sokols de carácter independentista, a que se segue o Partido Nacional Checo; em 1870-1871, o governo imperial admite a concessão aos checos de uma autonomia equivalente à da Hungria, mas os alemães da Boémia, apoiados por Bismarck, bem como os húngaros, opõem-se à concessão de tais direitos; na década de oitenta surge o movimento dos Jovens Checos, defendendo uma autonomia radical; em 1897, o governo de Viena consagra uma série de medidas de autonomia cultural, nomeadamente quanto ao ensino do checo; forma-se um grupo checo que pretende instaurar um reino checo, a ser entregue a um grão-duque russo, mas em 1916 Masaryk e Benès fundam um comité nacional  checoslovaco que obtém apoio do presidente norte-americano Wilson.

óChecoslováquia Ceskoslovensko Criada a República da Checoslováquia depois da Grande Guerra, reunindo a Boémia, a Morávia e a Eslováquia, territórios que integravam então o Império Austro-Húngaro. Em 30 de Maio de 1918, checos e eslovacos chegam a acordo para a instituição de um novo Estado; em 28 de Outubro de 1918 era proclamada a independência da Checoslováquia, cujas fronteiras foram fixadas pelos Tratados de Versalhes, de 28 de Junho de 1919, com a Alemanha, o de Saint-Germain, de 10 de Setembro de 1919, com a Áustria, e o de Trianon, de 4 de Junho de 1920, com a Hungria; o novo Estado, com 7 000 000 de checos e 2 000 000 de eslovacos, integra 3 000 000 de alemães dos Sudetas, 700 000 húngaros e 450 000 rutenos. A figura inspiradora era o checo Tomás Mazaryk, nascido em 1850, eleito Presidente da República, auxiliado pelo ministro dos estrangeiros Eduardo Benès, seu sucessor na presidência, em 1935, os quais instituiram, logo em 1920, a chamada pequena aliança entre a Checoslováquia, a Roménia e a Jugoslávia, para se defenderem das resistências austro-húngaras. Em 29 de Settembro de 1938, os Sudetas passaram para a Alemanha; em 4 de Outubro, a Polónia ocupa Teschen; em Novembro, a Hungria ocupa territórios na Eslováquia e na Ruténia; em 24 de Março de 1939, a Boémia e a Morávia tornaram-se protectorados alemães e a Eslováquia passou a constituir um Estado; na mesma altura, a Ruténia foi cedida à Hungria, para, em Abril de 1945, passar para a URSS. O Presidente da República Eduard Benés, eleito em 1935 que se demitiu em 1938, mas que em 1939, no exílio,  reassumiu as funções, regressou ao país em 1945. Contudo, nas eleições de 26 de Maio de 1946, o Partido Comunista obteve 38%. Mas no ano seguinte, depois de Moscovo ter vetado a adesão da Checoslováquia ao Plano Marshall, em 25 de Fevereiro de 1948, deu-se o chamado Golpe de Praga, quando Benés foi obrigado a aceitar um governo de trabalhadores, sob a presidência do comunista Klement Gottwald, que, em nome da depuração das instituições, logo procede à detenção dos ministros burgueses, seguindo-se uma ampla repressão policial. Nesta sequência, o próprio Ministro dos Negócios Estrangeiros, Jan Mazarik, acabou por suicidar-se. Em 17 de Abril deu-se a fusão de socialistas e comunistas. Em 30 de Maio, ocorrem eleições com uma lista única. Em 7 de Junho já era demitido o próprio Presidente Benés, depressa substituído pelo próprio Gottwald. Dava-se, assim, a implantação de um sistema comunista através de meios exclusivamente políticos num país industrializado, com estilos de vida semelhantes aos da Europa Central e Ocidental. A Checoslováquia representava assim uma cunha comunista no próprio coração da Europa.

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: