Colômbia

 

1 038 700 km2 e 35,1 milhões de habitantes.

A conquista do território, iniciada em 1525, assentou no estabelecimento de governos locais, prática que seria alterada a partir de 1549, data em que se passa à fase da colonização, com a criação da audiencia (tribunal administrativo e judicial instituído pelo rei espanhol e e cujo presidente era o chefe executivo do governo), à qual aqueles governos se submeteriam e que permitia agora à Coroa recuperar o seu papel central no processo. Contudo, a irregularidade topográfica - montanhas, disposição dos rios, desertos - e o fraco controlo do Estado sobre o território, que frequentemente se apoiava na acção de ordens religiosas, separou povoações, contribuindo para a emergência de rivalidades e de regionalismos. Paralelamente, a partir do século XVII a importação de escravos negros para as minas de ouro e os casamentos interétnicos combinaram-se para construir a actual estrutura populacional do país: mestiços (58%), brancos 20%, euroafricanos (20%), negros (4%), índios (1%).

Integrado inicialmente no vice-reino do Peru, passou, a partir de 1717, para o vice-reino de Nova Granada, facto acompanhado de uma reorganização económica e política com consequências sociais visíveis sobretudo ao nível da emergente elite crioula, cujos interesses económicos colidiam com as pretensões dos espanhóis, o que produziu duas rebeliões crioulas em 1780-81 e 1809. A lealdade inicial dos governos locais para com o rei espanhol deposto pelas tropas napoleónicas em 1808 em breve dá lugar à declaração de independência de 1811, mas os conflitos que se seguiram entre federalistas e centralistas permitiram a retoma do controlo espanhol em 1816. No entanto, a reorganização das forças independentistas, sob a liderança de Francisco de Paula Santander e de Simão Bolívar, que souberam capitalizar a seu favor o descontentamento generalizado provocado pela brutalidade dos realistas, conduz à reconquista militar, completada em 1823, e à convocação da convenção constitucional de Angostura de 1819, que cria a Grande Colômbia, que integrava os actuais territórios da Colômbia, do Equador, do Panamá e da Venezuela. Clivagens militares e regionais haveriam de motivar, em 1830, a secessão do Equador e da Venezuela.

O período seguinte da história colombiana, 1840-80, fica marcado por três factos: o condomínio entre os Partidos Liberal e Conservador; a dicotomia centralismo/federalismo, responsável por guerras civis nas décadas de 60 e 70, época em que é instituída a federação dos Estados Unidos da Colômbia; e, finalmente, o anticlericalismo. Entre 1880 e 1930, a continuidade da paisagem política conduz à guerra civil entre conservadores e liberais entre 1899 e 1903, a chamada Guerra dos Mil Dias (entre 60 mil a 130 mil mortos), na sequência da qual a Colômbia perde o Panamá, que se revolta com o auxílio dos norte-americanos, após a indecisão do Governo colombiano em aceitar uma proposta destes para a construção de um canal no território.

O domínio liberal, entre 1930 e 1946, cuja medida mais importante foi a devolução das terras aos ocupantes efectivos, teve um fim abrupto quando a rivalidade com os conservadores produziu, a partir de 1948, um conflito civil conhecido por La Violencia, do qual resultaram cerca de 200 mil mortos. A solução chegaria nove anos mais tarde com a Declaração de Sitges, um acordo entre os dois partidos que cria a Frente Nacional: a partilha equitativa e alternada da presidência, dos cargos ministeriais e governamentais e da representação nas instituições executivas e legislativas, negociata que terminaria em 1974. Mas este novo ciclo marca também a emergência de grupos armados, que adoptaram e desenvolveram o conceito cubano de núcleos revolucionários: em 1965, o Exército de Libertação Nacional, de orientação cubana, apoiado por um dos expoentes da Teologia da Libertação, o padre Camilo Torres, cujo alvo são os oleodutos de petróleo; em 1966, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), criadas pelo Partido Comunista para defesa dos camponeses contra grupos paramilitares; em 1967, o Exército Popular de Libertação, criado pelos dissidentes maoistas das FARC; em 1971, o Movimento 19 de Abril (M-19), também de esquerda, que, em 1991, abandonou a luta armada e se transformou num partido político. A partir dos finais dos anos 70, emergem os cartéis de droga, que controlam a transformação e a comercialização da cocaína, apoiados nos grupos de extrema direita e nos esquadrões da morte compostos por polícias, enquanto a classe política aprendeu a negociar com um e outro grupo, revolucionários (que controalam 40% do território nacional), grupos paramilitares e barões de droga, e a lançar uns contra os outros, apesar dos sucessivos acordos de paz que têm sido assinados pelas partes.

Apesar da continuação da violência, a Colômbia tem mantido o crescimento económico. Em 1991, os representantes dos indígenas passam a dispor de dois lugares no Senado.

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: