Egipto

República Árabe do Egipto

Jumhuriyat Misr al-Arabiya

 

995 450 km2. 62,9 milhões de habitantes, na sua maioria muçulmanos sunitas (94%). Pequenas comunidades de cristãos coptas, gregos, arménios e judeus.

Durante os seus 50 séculos de história, caíu sucessivamente sob o domínio da Pérsia, de Roma, de Bizâncio e, a partir do século XVI, do Império Otomano, ocupação que terminou em 1914, quando a Grã-Bretanha transformou o Egipto num protectorado, ao qual foi dada independência nominal em 1922, antecedendo a sua independência formal, em 1936, acompanhada pela retirada das tropas britânicas de todo o território, à excepção do Canal do Suez.

A monarquia do rei Farouk foi derrubada por um golpe de Estado militar em 1952, liderada pelo general Mohammed Neguib e pelo coronel Gamal Abdel Nasser, que suspendem a Constituição e proibem a actividade partidária, instituindo, no ano seguinte, em 18 de Junho, uma república. Neguib torna-se Presidente, mas, em consequência de um desentendimento entre os dois, Nasser assumiria o cargo a partir de 14 de Novembro de 1954. A sua política será orientada em torno de duas vertentes. A primeira será a liderança do mundo árabe, através da tentativa de unificação de vários países sob o comando do Egipto, de que constituem exemplos a formação de uma República Árabe Unida (união com a Síria), entre 22 de Fevereiro de 1958 e 28 de Setembro de 1961, de uma união com o Iemene, também entre 1958 e 1961, ou uma tentativa falhada, em 1961, de união entre o Egipto, a Síria e a Líbia. A segunda vertente será o cariz nacionalista de Nasser, consubstanciado em 1956 com a nacionalização da Companhia do Canal do Suez, medida destinada a obter os fundos necessários à construção da barragem de Assuão, que lhe haviam sido negados pelos EUA e pelos britânicos. Numa acção concertada, as tropas britânicas, francesas e israelitas invadem o país, mas, perante a condenação dos EUA e da ONU são forçados a uma retirada humilhante, mas a situaçõa empurra o Egipto para a órbita soviética, política formalizada com a Constituição provisória de 1964, que definia o país como um "Estado socialista democrático". Em 1967, um ataque do Egipto a Israel desencadeou a chamada Guerra dos seis Dias, de que o Egipto saíu copiosamente derrotado e amputado da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, situação que conseguiu reverter parcialmente em 1973, na Guerra do Yom Kippur, na qual obteve a margem oriental do canal do Suez.

Em 1970, a morte de Nasser coloca na presidência o seu vice-Presidente, o coronel Anwar al-Sadat, que se iria reaproximar gradualmente do Ocidente, primeiro com a retirada parcial do exército israelita do Sinai, negociada pelos EUA em 1974-75, e, depois, com a histórica visita de Sadat a Israel, em 1977, que constituiria o passo decisivo para a assinatura dos Acordos de Paz de Camp David, em 1979, negociados pelo Presidente norte-americano Jimmy Carter no ano anterior. A acção resulta na expulsão do Egipto da Liga Árabe e, em 1981, Sadat é assassinado por fundamentalistas islâmicos, sucedendo-lhe o tenente-general Hosni Mubarak, vice-Presidente desde 1975. Ao longo dos anos 80, as relações com os outros Estados árabes foram sendo retomadas e, em 1991, após a sua participação na guerra do Golfo ao lado dos Aliados, assina a Declaração de Damasco com a Síria e os países de cooperação do Golfo, constituindo um pacto de defesa contra o Iraque.

Na frente interna, com Mubarak o Egipto adoptou formalmente uma democracia multipartidária, mas o que se verifica é um regime de partido único, o Partido Democrático Nacional (PND), criado em 1978 por Anwar al-Sadat, que encontra na vasta camada burocrática e, sobretudo, nas Forças Armadas, a sua principal base de sustentação, especialmente desde as primeiras acções terroristas dos fundamentalistas islâmicos, em 1994. O estado de emergência, proclamado aquando do assassínio de Sadat, e reforçado naquele ano, tem servido essencialmente o desígnio de manter a proibição da existência de partidos baseados na religião (autorizando, no entanto, a actuação de organizações religiosas com objectivos sociais), mas também se constituiu como um mecanismo altamente eficaz para impedir a emergência dos opositores ao regime.


© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: