Guiana

 

Significa "Terra de Águas". 196 850 km2 e 800 mil habitantes.

Habitado pelos índios Warrau, Arawak e Carib, o território foi descoberto por Cristovão Colombo em 1498, passando imediatamente para o controlo de Castela, mas, na ausência de uma ocupação efectiva do território, foram os holandeses que criaram entrepostos comerciais, em 1580, e, depois, começaram a colonização efectiva, com o auxílio da importação de escravos para o cultivo da cana-de-açúcar. A partir de 1780, a colónia passou repetidamente para o controlo francês, holandês e britânico, estes últimos ficando com a sua posse definitiva em 1814, com a compra dos territórios de Berbice, Demerara e Essequibo, que, em 1831, se uniram para formar a Guiana Britânica.

Com o fim da escravatura, em 1807, recorreu-se à importação dos chamados indentured workers da Índia, construindo-se assim uma estrutura populacional particular que se manteve até hoje: indianos do leste, descendentes de colonos do subcontinente indiano (52%); negros (38%); mestiços (12%); brancos (2%); chineses (0,5%). Em 1895, começam as primeiras disputas territoriais com a Venezuela, que aspira a cerca de metade da área total da Guiana, questão que ainda hoje se mantém e que inclui também um diferendo com o Suriname.

A partir de 1953, os britânicos iniciam os preparativos para a concessão da independência, com a promulgação de uma Constituição e a realização de eleições, vencidas pelo Partido Progressista do Povo (PPP), liderado por Cheddi Jagan, mas a sua orientação marxista leva o Governador a suspender a Lei Fundamental. Ao mesmo tempo, o PPP divide-se em duas facções, uma encabeçada por Jagan e predominantemente apoiada pela população de origem indiana, e uma outra, que, liderada por Forbes Burnham e assente nos negros, dá origem ao Congresso Nacional do Povo (CNP), cuja rivalidade motivará vários confitos entre 1961-64, que adiam a independência. Esta só se concretiza em 26 de Maio de 1966, após a vitória do CNP, em coligação com um pequeno partido conservador, nas eleições realizadas dois anos antes, nas quais o Governador britânico havia introduzido um novo sistema de representação proporcional. No ano seguinte, em 1968, o CNP obtém a maioria absoluta, graças a um conjunto de irregularidades, tendo contado com o auxílio da Força de Defesa da Guiana, uma unidade militar criada em 1965 (composta maioritariamente por negros, tal como a polícia, aliás) e associada ao partido, e, em Fevereiro de 1970, transforma a Guiana em República Cooperativa, mantendo-se como membro da Commonwealth. Envolvendo organizações de cidadãos no Governo e de orientação socialista, a sede do poder reside efectivamente no Primeiro Ministro, Forbes Burnham, que, em 1980, é eleito Presidente, passando a dispor de amplos poderes, após a promulgação de uma nova Constituição. Após a sua morte, cinco anos mais tarde, sucede-lhe o Primeiro Ministro, Hugh Desmond Hoyte, também do CNP, em eleições mais uma vez marcadas pela fraude. Entretanto, os líderes sindicalistas negros e os membros da intelligentzia formam a Aliança Popular dos Trabalhadores, para lutar contra a corrupção do CNP, o único partido a vencer as eleições após a independência, o que só termina em 1992, ano em que o escrutínio resulta na vitória do PPP, ainda liderado por Cheddi Jagan.

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: