Itália (Repubblica Italiana) 301 262 km2 e 57 290 519 habitantes; 34, segundo a fórmula de Cline. Unificada desde 17 de Março de 1861.

Guelfos e gibelinos

A Repubblica Italiana passa o milénio com um governo de transição de Carlo Azeglio Ciampi (desde 26-04-2000), até que, com as eleições de 13-05-2001, se constituiu novo gabinete, presidido por Silvio Berlusconi.

Atendendo aos resultados das eleições para a Camera dei Deputati (475 membros), os italianos estão divididos entre uma direita institucional, representada pela Casa delle Libertà (45,4%), incluindo a Forza Italia (29,4%), a Alleanza Nazionale (12%), a Lega Nord (3,9%), e os Biancofiore (3,2%), a soma do Centro Cristiano Democratico,  dos  Christiani Democratici Uniti e do Nuovo Partito Socialista Italiano.

A esquerda, converge no Ulivo, com o P. Democratico di Sinistra (16,6%); La Margherita, com 14,5% (soma dos democratas-cristãos do Partito Popolare Italiano; dos liberais chamados Democratici; dos centristas da lista Dini, dita Rinnovamento Italiano; da Unione Democratici per l'Europa); Il Girasole, com 2,2% (soma da Federazione dei Verdi, dos Socialisti Democratici Italiani e do Partito dei Comunisti Italiani).

Outros partidos e movimentos há como Rifondazione Comunista (5%), Lista di Pietro Italia dei Valori (4,1%), Democrazia Europea3.6  Lista Pannella Bonino1.3  Movimento Sociale Fiamma Tricolore0.5 

 

Camera dei Deputati

475 lugares uninominais

155 lugares votos proporcionais

vu

630

Casa delle Libertà

Votos uninominais 45.4% (282)

Votos proporcionais 48.6% (86)

45,4

368

·Forza Italia

Pr 29,04 62

29,4

 

·Alleanza Nazionale

Pr 12% 24

12

 

·Lega Nord

 

3,9

 

·Biancofiore

 

3,2

 

Centro Cristiano Democratico

 

 

 

Christiani Democratici Uniti

 

 

 

Nuovo Partito Socialista Italiano

Corrente craxiana do PSI

 

 

Il Ulivo

Votos uninominais (43.7, 184)

Votos proporcionais 34.9, 58

 

247

P. Democratico di Sinistra

Pr. 16.6% 31

16,6

 

La Margherita

Pr. 14.05 27

14,5

 

Partito Popolare Italiano

 

 

 

Democratici

 

 

 

Rinnovamento Italiano

lista Dini

 

 

Unione Democratici per l'Europa

 

 

 

Il Girasole

 

2,2

 

Federazione dei Verdi

 

 

 

Socialisti Democratici Italiani

 

 

 

Partito dei Comunisti Italiani

 

 

 

Rifondazione Comunista

 

5

11

Lista di Pietro Italia dei Valori

Un. 4.1

4,1

 

Democrazia Europea

Un. 3.6

3.6

 

Lista Pannella Bonino

Un. 1.3

1.3 

 

Movimento Sociale Fiamma Tricolore

 

0.5 

 

 

Desapareciam assim os tradicionais políticos do pós-guerra, dos quais se destacava a Democrazia Cristina fundada em 1943 por Alcide de Gasperi (1881-1954), partido originário do Partido Popular Italiano, criado em 18-01-1919 por Luigi Sturzo (1871-1959) e extinto pelo fascismo em 1924. Entre os principais líderes da DCI, Attilio Piccioni (1892-1976), Aldo Moro (1916-78, assassinado), Amintore Fanfani (1908), Benigno Zaccagnini (1912-89), Paolo Emilio Taviani (1912), Mariano Rumor (1915-90), Giulio Andreotti (1919), Carlo Donat Cattin (1919-91), Emilio Colombo (1920), Vittorino Colombo (1925), Antonio Bisaglia (1929-84), Flaminio Piccoli (1915), Arnaldo Forlani (1925), Giovanni Goria (1943-94).

Depois da dissolução do partido em 18-01-1994, o respectivo espaço foi ocupado por várias entidades. Formalmente, sucedeu-lhe o Partito Popolare Italiano, liderado por F. Marini, que integra a Ulivo, mas outros grupos há também que assinalar como  o Centro Cristiano Democratico de Pierferdinando Casini (1955) e Clemente Mastella (1947), o Movimento Cristão Social de Ermanno Gorrieri (1920) e  os Christiani Democratici Uniti de Rocco Buttiglione.

 

Alcide De Gasperi      

1944-1949

 

Emilio Paolo Taviani   

1949-1950

 

Guido Gonella          

1950-1954

 

Amintore Fanfani       

1954-1959

 

Aldo Moro              

1959-1964

 

Mariano Rumor          

1964-1969

 

Flaminio Piccoli       

1969     

 

Arnaldo Forlani        

1969-1973         

 

Amintore Fanfani       

1973-1975

 

Benigno Zaccagnini     

1975-1980

 

Flaminio Piccoli       

1980-1982

 

Ciriaco De Mita        

1982-1989         

 

Arnaldo Forlani        

1989-1992        

 

Fermo Mino Martinazzoli

1992-1994         

ceased to exist on 18 Jan 1994 Other parties emerged from the DC were CDU and CCD (see below)

 

 

PPI 

 

 

Fermo Mino Martinazzoli

1994    

The PPI was born on 18 Jan 1994 from the DC, which ceased to exist.

Rosa Jervolino     (interim)

1994    

 

Rocco Buttiglione      

1994-1995

 

Gerardo Bianco         

1995-1997

 

Franco Marini          

1997-1999

 

Pierluigi Castagnetti  

1999-    

 

 

 

CCD

 

was one of the parties born from the disolution of the DC on 18 Jan 1994.

Pier Ferdinando Casini 

1994-    

 

Rocco Buttiglione  1995-1998

 

 

CDU 

 

CDU was founded on 23 Jul 1995. It did not exist between 18 Feb 1998 and 24 Feb 1999, during its integration in UDR

Rocco Buttiglione  1999

 

 

UDR/Udeur 

 

UDR was founded on 16 Feb 1998 (formally on 10 Jun 1998).

Mario Clemente Mastella

1998-    

Following the departures of Cossiga and Buttiglione from UDR, which supposed its desintegration on 24 Feb 1999, Mastella renamed the party to Udeur on 23 May 1999

Francesco Cossiga

 

 

Rocco Buttligione     

1998-1999

 

Irene Pivetti          

1999-    

 

RI

 

was founded on 26 Feb 1996.

Lamberto Dini

  1996-    

 

 

 

1.       Alcide De Gasperi 

10-12-1945 - 17-08-1953                 

2.       Giuseppe Pella                    

17-08-1953 - 18-01-1954 

3.       Amintore Fanfani (1ª vez)

18-01-1954 -  9-02-1954         

4.       Mario Scelba                      

9-02-1954 -  6-07-1955 

5.       Antonio Segni

6-07-1955 - 19-05-1957 

6.       Adone Zoli                        

19-05-1957 -  1-07-1958 

7.       Amintore Fanfani (2ª vez)       

1-07-1958 - 15-02-1959 

8.       Antonio Segni (2ª vez)      

15-02-1959 - 25-03-1960     

9.       Fernando Tambroni   

25-03-1960 - 26-07-1960               

10.   Amintore Fanfani (3ª vez)       

26-07-1960 - 21-06-1963

11.   Giovanni Leone (1ª vez)         

21-06-1963 -  5-12-1963 

12.   Aldo Moro (1ª vez)             

5-12-1963 - 25-06-1968 

13.   Giovanni Leone (2ª vez) 

25-06-1968 - 13-12-1968         

14.   Mariano Rumor (1ª vez) 

13-12-1968 -  7-08-1970          

15.   Emilio Colombo                   

7-08-1970 - 18-02-1972 

16.   Giulio Andreotti (1ª vez)       

18-02-1972 -  4-07-1973 

17.   Mariano Rumor (2ª vez)          

4-07-1973 -  2-11-1974

18.   Francesco Cossiga

2-11-1974 - 29-07-1976 

19.   Giulio Andreotti (2ª vez)       

29-07-1976 -  5-08-1979 

20.   Aldo Moro (2ª vez)              

5-08-1979 - 18-10-1980                  

21.   Arnaldo Forlani                   

18-10-1980 - 28-06-1981 

22.   Giovanni Spadolini   

28-06-1981 - 30-11-1982              

23.   Amintore Fanfani (4ª vez)

30-11-1982 -  4-08-1983 

24.   Bettino Craxi

4-08-1983 - 18-04-1987                       

25.   Amintore Fanfani (5ª vez)

18-04-1987 - 29-07-1987 

26.   Giovanni Goria                     

29-07-1987 - 13-04-1988 

27.   Ciriaco De Mita                   

13-04-1988 - 23-07-1989 

28.   Giulio Andreotti (3ª vez) 

23-07-1989 - 28-06-1992       

29.   Giuliano Amato (1ª vez)

28-06-1992 - 29-04-1993   

30.   Carlo Azeglio Ciamp

29-04-1993 - 11-05-1994 

31.   Silvio Berlusconi (1ª vez)  

11-05-1994 - 17-01-1995     

32.   Lamberto Dini                     

17-01-1995 - 18-05-1996 

33.   Romano Prodi                      

18-05-1996 - 21-10-1998 

34.   Massimo D'Alema

21-10-1998 - 26-04-2000

35.   Giuliano Amato (2ª vez)  

26-04-2000 - 11-06-2001        

36.   Silvio Berlusconi (2ª vez)

11-06-2001 -          

 

 

A Itália sofreu com efeito um terramoto político, quando, depois das operações mãos limpas, surgiu, das eleições, um primeiro governo de Berlusconi (desde 11-05-1994 a 17-01-1995).

Após novas eleições, em que venceu a coligação Ulivo, surgem os governos de Romano Prodi (desde 18-05-1996) e de Massimo d’Alema (desde 21-10-1998).

Superf. 301 milliers de km2  Pop. 58 millions  PNB 1 162,9 mds de dollars (1999) PNB/hab. 20 170 dollars (1999) Croiss. 1.4 % (1998-1999) Budg. éduc. 4,9 % du PNB Mort. inf. 5 pour mille naissances Esp. vie 78 ans IDH 20e rang mondial sur 162 pays IPF 29e rang mondial sur 64 pays Budg. déf. 15 500 millions de dollars (2001) Armée 230 350 actifs et 65 200 réservistes

301 262 km2 e 57 290 519 habitantes; 34, segundo a fórmula de Cline. Unificada desde 17 de Março de 1861.

Nos séculos XIII e XIV, a Itália divide-se entre  os partidários do papa, a parte Guelfa (os partidários de Otão IV) e a parte Ghibellina (partidários dos Hohenstaufen, liderados por Frederico II), defensora do imperador; os guelfos predominam em Florença, Milão, Bolonha, Mântua e Ferrara; os guibelinos em Siena, Pisa, Rimini, Modena, Pavia e Cremona; no fim do século XV, os guelfos assumem-se como aliados do rei de França, enquanto os guibelinos se inclinam para Carlos V. Em 1494 o rei de França Carlos VIII ocupa Nápoles e, em nome dos direitos históricos da casa de Anjou, assume-se como rei; será expulso no ano seguinte; nova investida de Luís XII sobre Milão, contra a qual se ergue uma Santa Liga formada pelo papa Júlio II. Francisco II, aliado a Veneza, vence os suíços em Marignano (1515) e toma posse do ducado de Milão durante seis anos. Francisco I, em Fevereiro de 1525, é derrotado em Pavia por um exército de Carlos V comandado pelo belga Charles de Lannoy; é obrigado a assinar o Tratado de Paris de 1526, onde renuncia a Milão e a Nápoles, assim como à Flandres, à Borgonha e ao Artois. Entre 1536 e 1538; Francisco I conquista a Sabóia e o Piemonte em 1536; a França irá abandonar estas conquistas em 1559. Sexta guerra entre os Valois e os Habsburgos, a partir de 1556; em Agosto de 1557, vitória de Filipe II em Saint-Quentin; a França ocupa Calais, em Janeiro de 1558, e o Luxemburgo; termina com o tratado de Cateau-Cambrésis (3 de Abril de 1559), Filipe II mantém Milão e o reino de Nápoles e o rei de França permanece em Calais, há duzentos anos na posse dos ingleses,  Metz, Toul e Verdun; a partir de então os reis de França renunciam a uma presença forte em Itália e Habsburgos são obrigados a renunciar a um império universal

Nos séculos XVII e XVIII, a Itália é um campo de disputas entre os Habsburgos e os Bourbons, onde apenas emergem duas comunidades políticas essencialmente italianas: a decadente República de Veneza e os domínios da Casa de Sabóia. Com efeito, parte da Guerra da Sucessão de Espanha desenrola-se no norte de Itália, ficando os Habsburgos austríacos com a parte de leão do território, depois da Paz de Utrecht, de 1713. Contudo, os Bourbons de Espanha, com Filipe V, casado com Isabel Farnese e pela acção do ministro italiano Alboreti, tenta, a partir de 1717, intervir pela força na Itália, assim procurando rever a partlha de Utrecht. Só uma acção conjugada da Áustria, da França e da Inglaterre obrigam à cedência espanhola, no tratdo de Madrid de 1729. Mas Isabel Farnese não desiste e em 1731 consegue que o seu segundo filho, Filipe, fique com o Ducado de Parma. Com a Guerra de Sucessão da Polónia (1734-1738) e a Guerra de Sucessão da Áustria (1741-1748), a Itália volta a ser campo de conflitos. A situação estabiliza com a paz de Aix-la-Chapelle de 1748: o Milanês e a Toscana são atribuídos aos austríacos; nas Duas Sicílias reinam os Bourbons de Espanha, que também acumulam com Parma, Placência e Guastalla; a França consegue o protectorado de Génova e Modena e mantêm os Estados papais no centro; Veneza continua independente e a Casa de Sabóia reforça-se, com o Piemonte, a Sardenha e Montferrat.

Este equilíbrio vai ser desfeito com as incursões napoleónicas, iniciadas em 1796; em 28 de Abril de 1796, pelo armisticio de Cherasco já é eliminado o Piemonte; em 14 de Maio já entra em Milão; segue-se Veneza que, entretanto, pela Paz de Campoformio, é atribuída à Áustria. Entretanto, Napoleão vai reorganizando o modelo político italiano. Em Outubro de 1796 cria a República Cispadana; em Julho de 1797, a República Cisalpina; em Outubro de 1797, a República Lígure; seguem-se outras ocupações a sul: Roma cai em Fevereiro de 1798; Nápoles em Janeiro de 1799 - o rei Fernando foi obrigado a exilar-se em Palermo -, e mais duas repúblicas se juntam ao modelo, a República Romana e a República Partenopeia. Contudo, a partir da primavera de 1799, tropas austro-húngaras obrigam os franceses a retirar-se da Lombardia; contudo, no ano seguinte, depois da vitória de Napoleão em Marengo (14 de Junho), restabelece-se a ocupação francesa na Lombardia, garantida pela Paz de Lunéville, de 9 de Fevereiro de 1801. Em Janeiro de 1802 já Napoleão unifica o território, instituindo uma República Italiana de que se assume como presidente. Mas em Maio de 1804, depois de estabelecido o Império francês, Napoleão transforma-a no Reino de Itália de que assume a titularidade, colocando Eugénio de Beauharnais, como Vice-rei; muito simbolicamente, em 26 de Maio de 1805, o mesmo Napoleão recebe em Milão a coroa de ferro dos lombardos. É também em 1805 que conquista Veneza aos austríacos, bem como o Trieste e a Ilíria; em Janeiro de 1806 reocupa Nápoles; quatro anos depois, integra Trento; em 1809, na Itália, fora da dominação napoleónica, apenas resta a Casa de Sabóia, reduzida à Sardenha, e os Bourbons de Nápoles, na Sicília; a irmã, Elisa, é grã-duquesa da Toscana, o papa é expulso e os Estados Pontifícios são integrados no Império francês.

Resta esperar pelo Outono de 1813 quando os austríacos, depois da derrota das tropas napoleónicas em Leipzig, tratam de reocupar os seus domínios italianos; em Maio de 1814, já o papa Pio VII volta a Roma. Depois do Congresso de Viena, a Itália, considerada como mera expressão geográfica, segundo o célebre dito de Metternich, passa a ter uma nova configuração; os Habsburgos austríacos passam a ser titulares do reino Lombardo-Veneziano, anexam Trento, a Ístria e a Dalmácia; dominam no centro, onde regressam vários príncipes titulares aparentados com os Habsburgos, no grão-ducado da Toscana, no ducado de Modena e no ducado de Parma; os Estados Pontificios mantêm-se, mas guarnições austríacas instalam-se em Ferrara e em Romana; cresce também o reino do Piemonte-Sardenha que passa a integrar a República de Génova; no sul, o reino das Duas Sicílias é atribuído aos Bourbons de Nápoles.

É neste ambiente que o nacionalismo liberal vai operar; a partir de 1815, a partir de meios aristocráticos e burgueses, especialmente entre universitários e militares passam a operar inúmeras lojas maçónicas, influenciadas pelos modelos dos carbonari que em Nápoles se opuseram à dominação francesa; o principal adversário são os austríacos, os tedeschi e a Santa Aliança que os sustenta.

O impulso libertacionista recebe novo alento a partir da Revolução de Julho de 1830 em França, destacando-se, sobretudo, a acção de Giuseppe Mazzini que, no exílio, a partir de 1831, funda o movimento Jovem Itália (La Giovane Italia)que integra num mais vasto movimento, a Jovem Europa que pretendia assumir como o contraponto da Santa Aliança. As palavras de ordem deste movimento são as de Deus e Povo. Serão os mazzinianos que estarão por trás das várias revoltas frustradas que ocorrem em 1833 e 1834, visando a instituição de uma república unitária, democrática e deísta, mais ou menos de inspiração maçónica.

Esta é a pedra básica do chamado Risorgimento que também vai ter um pilar piemontês, onde Cesare Balbo, autor do livro As Esperanças de Itália,  e Massimo d'Azeglio, propõem um modelo de federação em torno da Casa de Sabóia, o chamado albertismo, onde a federação constituiria uma associação de Estados, entendidos como associação de comunas, e onde as comunas se vislumbram como associações de famílias. Contudo, uma terceira linha italianista emerge entre os meios clericais e católicos, impulsionada pelo abade Vincenzo Gioberti que, na linha neo-guelfa, propõe o estabelecimento de uma confederação de príncipes italianos agrupados em torno do papado.  Esta linha tem um forte sustentáculo em 1846 quando o prelado liberal Giovanni Mastai Ferreti é eleito papa, com o nome de Pio IX, sucedendo a um Gregório XVI, considerado partidário da Áustria; com efeito, logo no início do respectivo pontificado, os Estados pontificais adoptam uma série de medidas de abertura e de amnistia que não tardam a ser seguidas noutras regiões de Itália. No Piemonte, Carlos Alberto, logo em 5 de Março de 1848, abandona o modelo da legitimidade da Santa Aliança, concedendo uma carta constitucional.

Acontece também que vai chegar a Itália o choque da primavera dos povos que assume particulares dimensões na Lombardia, onde em 22 de Março de 1848, e instaura uma república em Milão; aproveitando as circunstâncias o Piemonte de Carlos Alberto assume a liderança do processo e trata de declarar a guerra à Áustria, proclamando então que a Itália se libertará por si mesma (L'Italia farà da se). Contudo, Pio IX vai deitar água na fervura quando, em 29 de Abril, sob o pretexto de condenar qualquer guerra entre cristãos, não apoia a luta dos italianos contra os Habsburgos. Aliás o próprio movimento de revolta cresce entre os Estados pontificais. Nos finais de 1848, em Roma, o primeiro-ministro do Papa é assassinado, Pio IX é obrigado a fugir para Gaeta e os mazzinianos tomando a ofensiva chegam a proclamar uma república em 9 de Fevereiro de 1849. Sol, aliás, de pouca dura, dado que em 4 de Julho de 1849 se restabelece a ordem papal, garaças ao apoio de uma força expedicionária francesa, para lá enviada por Napoleão III. O Piemonte, no entanto, vai alastrando e entre Junho e Julho de 1848 estende-se a Parma, Modena, a toda a Lombardia e a Veneza. Contudo, entre 23 e 25 de Julho, Carlos Alberto é derrotado na batalha de Custozza e é obrigado a abandonar Milão, nos termos do armistício de Salasco, assinado em 9 de Agosto. No ano seguinte volta entretanto à guerra, mas em 23 de Março, sofre nova derrota na batalha de Novara, abdicando em pleno campo de batalha a favor do filho Vitor Emanuel II,  Il Re Galantuomo.

Segue-se uma aliança entre o Piemonte e a França de Napoleão III que, em 1859, declaram guerra à Áustria. Com o armistício de Vilafranca e a Paz de Zurique, esboça-se a organização de um Estado federal italiano. A Áustria cedia a Lombardia, mantendo-se, embora, em Veneza; a França obtinha definitivamente Nice e Sabóia e conseguia evitar a intervenção da Prússia na guerra.

Contudo, os Estados da Itália central decidem através de referendo a integração com o Piemonte. Garibaldi com os mil camisas vermelhas desembarca na Sicília, conquista Nápoles e oferece esses territórios ao rei do Piemonte.

Mas em 1879, já depois da integração de Roma no Reino de Itália, um dos líderes do triunfante Risorgimento, Azeglio, proclamava: agora, a Itália está feita, mas é preciso fazer italianos. De Mazzini fica a ideia mítica da Terceira Roma. Um caldo que vai inebriar Benito Mussolini. Em Outubro de 1922, a marcha sobre Roma que vai levar ao poder Mussolini. Em 1929, o Tratado de Latrão entre a Itália e a Santa Sé.