Jamaica

 

10 830 km2 e 2,4 milhões de habitantes - 80% negros, 15% mestiços e minorias de europeus, árabes, indianos, libaneses e chineses - unidos em torno da divisa "de todos, um povo". A emigração, cujo destino, invariavelmente, é o Reino Unido, os EUA, o Panamá e Cuba, pesa nas estruturas demográficas do país.

Descoberto por Cristovão Colombo em 1494 e colonizado a partir de 1510, cedo o território foi negligenciado pelos espanhóis, devido à falta de ouro, e ocupado pelos ingleses, em 1655, que o transformam, primeiro, numa base de ataque às possessões espanholas, e, depois, num centro produtor de cana-de-açúcar, para o que importam escravos africanos, na ausência de mão-de-obra nativa - os índios Arawak -, entretanto dizimada.

Um século após a abolição da escravatura, ocorrida na década de 30 do século XIX, surgem os primeiros pedidos de auto-determinação e movimentos políticos (que, ainda hoje, mantêm toda a sua influência), com a formação de sindicatos e do Partido Trabalhista da Jamaica (PTJ), estimulados pela depressão económica, a que a Grã-Bretanha responde com a introdução, em 1944, do sufrágio universal, e, em 1959, do auto-governo. Após um breve período, entre 1958 e 1961, em que foi membro da Federação das Índias Ocidentais, adquire a independência, em 1962, no seio da Commonwealth, permanecendo a monarca inglesa como chefe de Estado. Em 1972, o Partido Nacional do Povo, liderado por Michael Manley, desaloja o PTJ do Governo, iniciando uma aproximação ao modelo cubano e um programa socializante de reformas sociais e económicas, que resultarão na intervenção do FMI, cujas medidas de austeridade reconduzem os Trabalhistas ao poder, após vitória nas eleições de 1980. Os dois partidos, que durante a sua história convergiram quer nas suas origens (pelo facto de terem sido fundados por famílias ricas), quer na denúncia do imperialismo das potências anglo-saxónicas quer na ideologia esquerdista, quer, ainda, na utilização das estruturas clientelistas do Estado, adoptaram, no final dessa década, uma orientação económica neo-liberal.

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: