Líbia

Grande Estado Árabe Líbio Popular Socialista das Massas

Daulat Libiya al-‘Arabiya al-Elshtrakiya al-Jumhuriya

 

1 759 540 km2 e 5,4 milhões de habitantes, dos quais 97% são muçulmanos sunitas. Pequena comunidade cristã.

O consulado turco, iniciado no século XVI, terminou em 1912, com a ocupação italiana, que só em 1931 conseguiria vencer as últimas resistências, devido ao papel da Sanusiya, ordem islâmica que, pela sua defesa de um islamismo puro, solidificava a unidade nacional. A presença italiana termina com a Segunda Guerra Mundial, quando, em 1942, os britânicos tomam a Cirenaica e a Tripolitânia e os franceses conquistam Fezzan. A resolução aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas, que apontava para a independência do território até 1 de Janeiro de 1952, assente no apoio norte-americano e britânico, conduz, em 24 de Dezembro de 1951, à junção daquelas três áreas num reino federal independente, governado pelo emir da Cirenaica, Mohamed Idris al-Sanusi, que, em 1963, desfaz a federação e abole os partidos políticos. Em 1969, um golpe de Estado militar, liderado por um Conselho do Comando da Revolução, encabeçado pelo coronel Mohamar al Kadhafi, derruba a monarquia e, em 1971, institui um partido único, a União Socialista Árabe, procedendo a uma série de medidas adicionais: expulsão dos judeus e dos europeus e confiscação dos respectivos bens; nacionalização das companhias petrolíferas; criação da jamahiriya, uma forma de democracia popular; implantação do chamado "socialismo islâmico", pondo em marcha, em 1973, a revolução cultural.

Adepto do pan-arabismo, e opositor do processo de paz no Médio Oriente, promoveu vários projectos: a união entre Líbia, Egipto e Síria (Federação das Repúblicas Árabes), em 1971; a união entre o Egipto e a Líbia dentro dessa Federação, com a falhada "marcha sobre o Cairo", em 1973; a união com a Tunísia, em 1974; a assinatura do Acordo de Oudja, com Marrocos, para uma federação árabe africana, em 1984; a criação da União Árabe Magrebina (Argélia, Mauritânia, Líbia, Tunísia e Marrocos), em 1989.

A tentativa falhada de golpe de Estado, em 1975, constituiu a única brecha no poder de Kadhafi desde 1969; todos os elementos contestatários, incluindo os grupos islâmicos, têm sido reprimidos ou assassinados, embora nos últimos anos tenham sido libertos alguns presos políticos. Existem, no entanto, alguns grupos de oposição activos no exílio no Egipto e no Sudão, casos, respectivamente, do Movimento Democrático da Líbia e da Frente de Salvação Nacional da Líbia.

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: