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Quénia
República do Quénia
Jamhuri ya Kenya
566 970 km2 e 28,3 milhões de habitantes, dos quais 38% de protestantes, 28% de católicos e 6% de muçulmanos. Setenta etnias, sendo que as mais importantes têm a seguinte distribuição: kikuyus (21%), luo (13%), luhya (14%), kamba (11%), kalenjin (11%). Presença de asiáticos, europeus e árabes. Violência dirigida contra os kikuyu pelos kalenjin, masai e pokor.
Os britânicos constituíram em 1890 o Protectorado da África Oriental no território ao longo da costa que lhes havia sido concedido pelo sultão de Zanzibar três anos antes. A fixação de colonos brancos nas terras altas do interior, entre 1900 e 1918, possibilita a alteração do seu estatuto para colónia da Coroa britânica, em 1920, situação contra a qual se revoltam os africanos e que motiva a criação, em 1944, da União Africana do Quénia, cujo líder passou a ser, a partir de 1947, Jomo Kenyatta. O período de maior violência verificou-se entre 1952 e 1956, marcado pela actuação de uma sociedade secreta de kikuyu, os Mau Mau, que motiva a proclamação do estado de emergência. Acusado de liderar o grupo, Kenyatta será preso em 1953 e o seu partido banido, situação que se mantém até 1961, ano em que Tom Mboya e Oginga Odinga formam a União Nacional Africana do Quénia (KANU), da qual Kenyatta será Presidente.
Obtida a independência, em 12 de Dezembro de 1963, o Quénia torna-se em república dentro da Commonwealth, um ano depois, assumindo Kenyatta, até então Primeiro Ministro, a chefia do Estado. Em 1969, o Quénia torna-se um Estado de partido único, ano em que a União Popular do Quénia, é proibida e o seu fundador, Odinga, é detido. Em 1978, o vice-Presidente Daniel Arap Moi torna-se Presidente, após a morte de Kenyatta, e, quatro anos depois, falha um golpe de Estado destinado a depô-lo. Desde essa altura, Arap Moi tem vindo a aumentar os seus poderes: pela publicação, em 1987, de uma lei que proibe a constituição de grupos de oposição (assim aconteceu com o Fórum para a Restauração da Democracia, criado por Odinga em 1990), pelas prisões políticas e pelo controlo presidencial, a partir de 1988, do poder judicial. Assim, a introdução da democracia, em 1991, não passa pois de um passo meramente formal, sem qualquer expressão real, como o comprova a suspensão temporária do Parlamento, em 1993, e a manipulação das eleições.
© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: