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Sudão
República do Sudão
Al Jamhuriyat al-Sudan
Maior país de África. 2 376 000 km2 e 28,1 milhões de habitantes.
O Sudão foi ocupado pelo Egipto no decurso do século XIX em dois tempos, um primeiro em 1821-22, com a conquista do norte, e um segundo, em parceria com a Grã-Bretanha, que absorveria, em 1877, o sul do território, onde outrora havia florescido o reino da Núbia, culminando, em 19 de Janeiro de 1899, no estabelecimento de um condomínio anglo-egípcio, que apenas se extinguiria com a independência do Sudão, em 1 de Janeiro de 1956.
Estabelece-se, então, um Conselho de Soberania, responsável pela direcção do país até Novembro de 1958, ano em que os militares, reunidos no Conselho Supremo das Forças Armadas, liderado por Ibrahim Abboud, assumem o poder. Em Novembro de 1964 os civis retomam o controlo e criam um Comité de Soberania, mas, em Maio de 1969, um golpe de Estado militar coloca o coronel Gaafar Muhammad al-Nimeiry na presidência, que logo procede à instituição de um partido único, a União Socialista Sudanesa, confirmado pela nova Constituição, promulgada em 1971, e se aproxima do Egipto, no sentido de criar, juntamente com a Síria, uma Federação das Repúblicas Árabes, projecto cancelado pela oposição interna.
O seu consulado herdou a guerra civil entre o norte, muçulmano (religião adoptada por 70% da população do país), e o sul, predominantemente cristão (5% dos efectivos populacionais), que se vinha a prolongar já desde 1955 e que constitui o facto marcante na vida do país. A primeira abordagem de Nimeiry será tripartida: concessão, em 1972, de autonomia às três províncias do sul; criação, um ano depois, de uma Assembleia Regional Popular; devolução do poder às seis novas regiões, constituídas em 1980, cada uma dotada da sua assembleia e de poderes executivos. Contudo, numa segunda fase optará por impor a shaaria, em 1983, facto que motiva a constituição, no sul, do Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLM) e do seu braço armado, o Exército de Libertação do Povo do Sudão. A deterioração da situação conduzirá à deposição de Nimeiry, em Abril de 1965, pelo general Swar al-Dahab, que faria a transição para os civis, com a adopção de uma Constituição provisória, em 1985, e com a realização, no ano seguinte, de eleições presidenciais e legislativas, vencidas respectivamente por Ahmed Ali El-Mirghani e pelo Novo Partido Nacional Umma, que formaria Governo através de uma coligação de partidos do norte. Contudo, em Junho de 1989 um novo golpe de Estado militar entrega o poder a Omar Hassan al-Bashir, que fará da Frente Nacional Islâmica o único partido legal e institui um regime fundamentalista islâmico, assente na shaaria e orientado por Hassan al-Tourabi, que se viria a tornar Presidente da Assembleia Nacional. Os dois viriam, porém, a desentender-se, quando Turabi, que conta com uma milícia islâmica armnada, pretendeu alterar a Constituição, por forma a limitar os poderes do Presidente, ao que este respondeu, apoiado pelos militares, com a dissolução do Parlamento, em Dezembro de 1999, ao mesmo tempo que proclamava o estado de emergência. Em Janeiro de 2000, o Governo demitiu-se, enquanto a guerra civil se mantém, pretendendo Bashir obter um acordo de paz, em troca da concessão do princípio da autodeterminação para o sul.
