Uruguai

República Oriental do Uruguai

 

Significa "rio dos pássaros pintados". 174 810 km2 e 3,2 milhões de habitantes.

A falta de recursos minerais e de mão-de-obra sedentária índia desencorajou o povoamento espanhol da chamada Banda Oriental do Rio Uruguay, explorada por Juan Días de Solís em 1516, espaço que os portugueses aproveitaram para estabelecerem, em 1680, a colónia do Sacramento. Centro de contrabando e de comércio entre os dois povos ibéricos, a colónia foi cedida à Espanha em 1777, após a fundação pelos espanhóis de San Felipe de Montevideo, em 1726, e da integração da Banda Oriental no Vice-reino da Prata, cuja capital era Buenos Aires. O movimento independentista iniciado no vice-reino da Prata em 1810 durante a invasão napoleónica de Espanha foi acompanhado na Banda Oriental pelo movimento Blandengue, liderado por José Gervasio Artigas, que, depois de expulsar as tropas espanholas, ambicionava a criação de uma confederação das províncias do Prata. Contudo, a anexação do território pelos portugueses, em 1820, força Artigas a partir para o exílio, mas a resistência, encabeçada por Juan Antonio Lavalleja e apoiada pela Argentina, alcança a libertação, cinco anos depois, seguindo-se uma guerra entre o Brasil (independente em 1822) e os argentinos. A mediação britânica conduz a um acordo, assinado em 1828, que cria um novo Estado independente, a República Oriental do Uruguai, destinada a servir de tampão entre aquelas duas potências regionais.

Entre 1838 e 1851, a chamada Guerra Grande oporá as facções dos primeiro e segundo Presidentes, José Fructuoso Rivera e Manuel Oribe - os Colorados, liberais, e os Blancos, conservadores -, que dariam origem a dois partidos políticos, o Partido Colorado e o Partido Blanco. Sem um vencedor claro, os conflitos permaneceram nas duas décadas seguintes e entre 1865 e 1870, o Uruguai, sob a presidência de um Colorado, aliou-se ao Brasil e à Argentina na Guerra da Tripla Aliança contra o Paraguai. Com o país debilitado, e perante a possibilidade de perda da independência, os militares ocupam o poder em 1872, mas a brutalidade e a corrupção do regime repõem o governo dos Colorados, em 1890, e também as guerras civis entre os dois partidos, que só terminam em 1905, dois anos após a vitória do Colorado José Battle y Ordoñez. Paralelamente, construía-se também uma nova estrutura populacional, estimulada pelo crescimento da emigração europeia a partir de 1836, que fazia disparar a população dos 74 mil habitantes aquando da independência para cerca de um milhão no início do século XX, conferindo-lhe as características que hoje apresenta: brancos (88%), mestiços (8%), negros (4%).

As presidências de Battle (1903-07 e 1911-15) marcaram um novo ciclo na política uruguaia: instituição de um Estado providência; nacionalizações; separação entre Igreja e Estado; legalização do divórcio; direitos dos filhos ilegítimos; abolição da pena de morte. A reforma de fundo seria a eliminação da presidência, substituída por um executivo pluralista, o colegiado, que acabaria por ser rejeitado nas eleições directas e universais para a criação de uma convenção constitucional, em 1916, dando lugar a uma solução de compromisso, adoptada em 1919, que repartia o poder executivo pelo Presidente e por um Conselho Nacional de Administração. O sistema vigoraria até ao golpe de 31 de Março de 1933, conduzido pelo Presidente Gabriel Terra, um Colorado, com o apoio dos Blancos, mas seria retomado entre 1952 e 1966, ano em que uma nova Constituição repõe o presidencialismo. Entretanto, entre 1958 e 1966, os Blancos ocuparam a presidência pela primeira vez em 93 anos.

Ao mesmo tempo, uma série de condições - crise económica, acções armadas do movimento guerrilheiro de orientação socialista dos Tupamaros, fundado em 1962 - reunem-se para, face à inépcia do Governo Colorado, a tomada do poder pelos militares, em 1973. A ditadura militar combinou medidas repressivas no plano político - prisões arbitrárias, proibição dos partidos e dos sindicatos, torturas, mortes e desaparecimentos, eliminação dos Tupamaros, controlo dos meios de comunicação social, dissolução do Congresso - com uma política económica desenvolvimentista - obras públicas, atracção do investimento estrangeiro, austeridade financeira. Na década seguinte, dois factores puseram fim ao regime: a recusa, por plebiscito, da nova Constituição, em 1980, e o declínio económico, provocado pela imposição, pelas instituições financeiras internacionais, de regras mais apertadas para a concessão de crédito à América Latina e pela crise económica da Argentina, à qual a economia uruguaia estava intimamente ligada. Assim, em 1984, os militares negoceiam a transição para a democracia, completada no ano seguinte pela realização de eleições, vencidas por Julio María Sanguinetti, do Partido Colorado Battlista (fundado em 1919 pelo então Presidente Battle y Ordoñez), que formou um Governo de reconciliação nacional, onde estavam representados os principais partidos, e aprovou uma amnistia para os crimes cometidos pelo anterior regime. Em Novembro de 1989, as eleições presidenciais são vencidas pelo candidato blanco Luis Alberto Lacalle, ao qual sucedeu, em 1995, Sanguinetti.

Membro do Mercosul.

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: