Venezuela

República Bolivariana da Venezuela

 

882 050 km2 e 21,8 milhões de habitantes (dos quais 17 milhões se concentram nas cidades): 67% mestiços, 21% brancos, 10% negros descendentes de escravos e 2% índios.

Executive:

President: Hugo Rafael Chàvez Fríaz (2000) MVR

The government is formed by the MVR, MAS, PPT, SI, Independentes por la Comunidad Nacional (Independents for the National Community), Genie Ermergente, Acción Agropecuaria, Movimiento Electoral del Pueblo-Partido Socialista de Venezuela  and Partido Comunista de Venezuela

: % 

President

30-07-2000

 

 

Hugo Rafael Chàvez

Movimiento V República

59.7 

 

Francisco Arias

La Causa

37.5 

 

Claudio Fermin

Encuentro

2.7

 

 

Asamblea Nacional

30-07-2000

 

165 

Movimiento V República

Mouv. révolutionnaire bolivarien (mbr) fondé 1994 (ex-Lt-Cel Hugo Chavez). Pôle patriotique (coalition M. Ve Rép., mas, ppt), fondé 1998. Mouvement pour la Ve république, fondé 1997 (Hugo Chavez). Patrie pour toutes les gauches (ptt). Mouvement électoral du peuple (mep) fondé 1967 (Luis Beltran Prieto Figueroa, † 1995).

 

 

76

Accion Democrática

Action démocratique (ad) fondée 1936 par R. Betancourt († sept. 1981, social-démocrate), 1 450 000 m. (Carlos Canache).

 

29

Movimiento al Socialismo

Mouv. vers le socialisme (mas) fondé 1971 par Teodoro Petkoff, socialiste (Felipe Mujica).

 

21 

Proyecto Venezuela

 

 

7

Partido Social Cristiano de Venezuela

Copei P. social-chrétien-Comité d'organisation politique des élections indépendantes (Copei) fondé 1946, démocrate-chrétien, 1 500 000 m. (Luis Herrera Campins).

 

5

Primero Justicia

 

 

5

AD-Copei Alliances

 

 

La Causa Radical

Causa Radical (cr) autogestionnaire et syndicaliste (Andres Velasquez).

 

 

 

 

 

 

P. communiste du V. (pcv) fondé 1931 (1 % des suffrages en 1973), 4 000 m. (Oscar Figuera)

 

 

 

Union rép. démocratique (urd) fondée 1946 (Ismenia Villalba).

 

 

 

Mouv. d'intégration nat. (min) fondé 1977 (Gonzalo Pérez Hernández).

 

 

 

Droite émergente du V. (dev) fondée 1989 (Vladimir Gessen, Rhona Ottolina, Godofredo Marin).

 

 

 

Convergence nat. fondée 1993 (Rafael Caldera Rodriguez).

 

 

 

Partis..

Superf. 912 milliers de km2  Pop. 24 millions  PNB 87,3 mds de dollars (1999) PNB/hab. 3 680 dollars (1999) Croiss. - 7,2 % (1998-1999) Budg. éduc. 5,2 % du PNB Serv. dette 23,2 % des exportations Mort. inf. 20 pour mille naissances Esp. vie 73 ans IDH 61e rang mondial sur 162 pays IPF 51e rang mondial sur 64 pays Budg. déf. 1 962 millions de dollars (2001) Armée 82 300 actifs et 8 000 réservistes

 

Isaías Medina Angarita            

5-05-1941

 

Rómulo Betancourt (1ª vez)      

19-10-1945

Junta revolucionária

Rómulo Gallegos                   

15-02-1948

 

Junta militar

24-11-1948

 

Marcos Pérez Jiménez              

2-12-1952

 

Wolfgang Larrazábal               

23-01-1958

Junta de Governo

Edgar Sanabria Arcia              

14-11-1958

Junta de Governo

Rómulo Betancourt (2ª vez)

13-02-1959

 

Raúl Leoni                        

11-03-1964

 

Rafael Caldera (1ª vez)         

11-03-1969

 

Carlos Andrés Pérez (1ª vez)    

12-03-1974

 

Luis Herrera Campins              

12-03-1979

 

Jaime Lusinchi                    

2-02-1984

 

Carlos Andrés Pérez (2ª vez)    

2-02-1989

 

Octavio Lepage                  

21-05-1993

 

Ramón José Velásquez              

5-06-1993

 

Rafael Caldera (2ª vez)         

2-02-1994

 

Hugo Chávez (1ª vez)            

2-02-1999

 

Pedro Carmona Estanga             

12-04-2002

Presidente do Governo de Transição

Hugo Chávez (2ª vez)            

14-04-2002

 

 

912 050 km2. 22 800 000 habitantes (tinha em 1900 apenas dois milhões de habitantes; passa três milhões e meio em 1935; a sete milhões e meio em 1960), dos quais cerca de 17 milhões vivem nas cidades. Em 1499, Américo Vespúcio chama-lhe a Pequena Veneza, aquela que vai ser a terra de Simão Bolívar e Francisco de Miranda, dois dos chamados libertadores da América. Integrada inicialmente na GrandeColômbia, instituída pelo Congresso do Panamá de 1826, vai autonomizar-se em 1830. Nos começos deste século, entre 1908 e 1935, é governada pela ditadura de Juan Vicente Gomez, começando a exploração do petróleo em 1922. No começo dos anos quarenta começa a saga do conflito entre o Estado e as companhias petrolíferas que vai terminando nos anos setenta, primeiro com a nacionalização do gás natural em 1971 (sob a presidência do democrata-cristão Rafael Caldera) e das próprias companhias petrolíferas em 1975 (sob a presidência do social-democrada Carlos Andres Perez). As primeiras eleições livres apenas ocorrem em 1947, com a eleição de Romul Gallegos, mas este é logo deposto em 1948 pelo golpe militar de Marcos Pérez Jiménez que entra em ditadura até 1958. Segue-se durante os anos sessenta sucessivos governos, ora influenciados pelos sociais-democratas da Acção Democrática, ora pelos democratas-cristãos da COPREI. Nos anos oitenta a baixa do dólar e o chamado contra-choque petrolífero levam a sucessivas crises políticas e sociais, destacando-se as revoltas poppulares e as tentativas de golpes militares de 1989, depois de nova eleição de Carlos Andrés Perez (Dezembro de 1988). Aliás, este será afastado pelo parlamento em Maio de 1993, sob acusação de corrupção, fazendo com que em Dezembro de 1993 voltasse a ser eleito o velho Rafael Caldera, já com 77 anos.

Território descoberto por Cristovão Colombo em 1498, foi baptizado por Américo Vespúcio com o nome de Venezuela - "pequena Veneza". Disputada pelos rivais de Espanha, no século XVII os ingleses anexam as ilhas de Trinidad e Tobago, enquanto os holandeses ocupam Aruba, Bonaire e Curaçau.

A iniciativa da independência partiu dos crioulos (brancos nascidos no território), economicamente preponderantes, mas politicamente dependentes - a administração da colónia era uma reserva de domínio exclusivo dos enviados espanhóis, assim como o exercício dos altos cargos eclesiásticos, pese embora a apreciável autonomia local. As tentativas falhadas de 1797, 1807 e 1811 (as duas últimas da autoria de Francisco de Miranda, veterano da guerra de independência dos EUA, onde actuou sob o comando de George Washington, e general na Revolução Francesa) constituíram um balão de ensaio para a experiência que se iniciaria em 1813, quando uma junta revolucionária nomeia Simão Bolívar - crioulo membro de uma família terratenente - comandante das forças insurrectas. Com o auxílio do Haiti (independente em 1804) e de tropas britânicas e irlandesas, a República da Grande Colômbia (que incluía a Colômbia, o Equador, o Panamá e a Venezuela) é proclamada em 17 de Dezembro de 1819, dois anos antes da decisiva vitória na batalha de Carabobo. Condenada pelas clivagens militares e regionais, a Venezuela, juntamente com o Equador, acede à categoria de Estado independente em 1830.

Após a independência, o país polarizou-se entre Conservadores e Liberais, ambos assentes numa série de caudilhos militares, e nos respectivos exércitos. Enquanto os primeiros favoreciam a manutenção da escravatura, o voto censitário, a pena de morte para crimes políticos e a centralização estatal, com o consequente rigoroso controlo exercido sobre o Exército e a subjugação dos caudilhos regionais, os segundos opunham um programa baseado na abolição da escravatura e da pena de morte e na extensão do direito de voto. As guerras civis entre os dois partidos sucederam-se a partir de 1858, com as chamadas Guerras Federalistas, iniciando-se em 1899 uma nova fase política, marcada pelas ditaduras dos caudilhos do Estado de Táchira - os Andinos -, que assumiram a presidência nos 59 anos seguintes: Cipriano Castro (1899-1909), Juan Vicente Gómez (1909-1935), Eleazar Lopez Contreras (1935-1941), Isaias Medina Angarita (1941-1945) e Pérez Jiménez (1951-1958).

O regime democrático, que tinha tido um breve episódio nos anos pós-II Guerra Mundial, instalou-se após a queda de Pérez Jiménez, girando em torno de dois partidos - a Acção Democrática (AD) e o Comité de Organização Eleitoral Independente, ou Partido Cristão Social (COPEI) - e do petróleo (descoberto nos anos 30 - a Venezuela é membro fundador da OPEP - e nacionalizado pelo Presidente Carlos Andrés Pérez em 1976, após uma longa história de antagonismo entre o Estado e as companhias petrolíferas estrangeiras - Gulf, Mobil Oil, Shell e Standard Oil -, com o primeiro a impor-se progressivamente como o principal beneficiário das receitas da produção), que, embora inicialmente usado para financiar os projectos de reforma agrária e a construção de infra-estruturas, começou a causar graves desequilíbrios na balança externa a partir de meados da década de 70, à medida que os petrodólares inundavam o país, ao mesmo tempo que aumentava o fosso entre ricos e pobres, devido à desigual distribuição da riqueza. As consequências das medidas de austeridade financeira, adoptadas indistintamente da cor política dos governos que se seguiram (como bons alunos dos ditâmes do FMI) - o COPEI, entre 1979 e 1984, e a Acção Democrática, a partir deste último ano -, rebentam logo em 1989, no início do segundo mandato da AD, encabeçada novamente por Andrés Pérez, quando a repressão policial de motins organizados pela sociedade civil provoca dois mil mortos - o Caracazo.

Quatro anos depois, o mesmo Andrés Pérez é exonerado do cargo por corrupção e desvio de fundos públicos, poucos meses antes das eleições presidenciais que devolvem o poder ao COPEI. O escrutínio marca também o esgotamento do modelo político caracterizado pela alternância entre os dois partidos. Com efeito, da eleição de 1998 emerge a "terceira via" refundacionista de Hugo Chávez, desta vez pela via legal (Chávez havia tentado um golpe de Estado em 1992) e capitalizando o descontentamento da imensa classe urbana de uma população que cresceu mais de dez vezes no espaço de um século, entre o comunismo e o "neo-liberalismo selvagem", como ele próprio proclama, agregando em torno do Pólo Patriótico um conjunto de movimentos - Partido Comunista, Movimento Quinta República (nascido das cinzas do anterior Movimento Bolivariano Revolucionário, por ele fundado), Pátria para Todos e Movimento para o Socialismo -, com um programa de renovação da classe política e do poder judicial, rematado por uma nova Constituição, plenamente referendados entre 1999 e 2000, ano em que convoca novas eleições, que vence, eclipsando os dois partidos tradicionais, COPEI e AD.