
Péron sobe ao poder na Argentina (22 de Outubro).
O país, depois do golpe de Estado de 4 de Junho de 1943,
mantinha uma situação de regime militar, com Juan Domingo Perón como
Vice-Presidente. Afastado do poder em 9 de Outubro de 1945, logo
regressa, vindo a ser eleito em 1946.

No Brasil dá-se a queda de
Getúlio Vargas (1883-1954) em 29 de
Outubro, num golpe encabeçado pelo seu ministro da guerra Eurico Gaspar
Dutra (1855-1974), com o apoio norte-americano. Seguem-se eleições (2 de
Dezembro), com a inevitável vitória de Dutra, então membro do PSD, mas
com o apoio do PTB de
Getúlio, que voltará à presidência em1951.

MUD. Nasce o MUD (Movimento de Unidade Democrática) numa sessão do Centro Republicano Almirante Reis, na Rua do Bem-Formoso
(8 de Outubro 1945).
Regime procura uma imagem de tolerância – Decreto-Lei nº 35 041 de 18 de Outubro estabelece uma amnistia parcial para os presos acusados de crimes contra a segurança interna e externa do Estado.
Eleições para as Juntas de Freguesia sem a presença do MUD, em 21 de Outubro. Ministro do Interior havia substituído todos os governadores civis, numa altura em que lavra um certo mal-estar nas fileiras situacionistas.
Nas eleições para os sindicatos nacionais, surgem listas dominadas pelo PCP, cujos influenciados conseguem obter bastantes lugares.
Católicos da oposição O jornal
República publica, em 23 de Outubro, um artigo do Padre Alves Correia intitulado O Mal e a Caramunha, que o hão-de levar ao exílio. Critica o regime por dar cobertura aos monárquicos, eventuais instigadores da Noite Sangrenta.
Surgem outras divisões entre os católicos, com o antigo companheiro de Salazar, Francisco Veloso, a aderir ao MUD, em nome das teses de Leão XIII e Jacques Maritain. Considera que em democracia não há soberano e que tem-se governado
longe do povo, em círculo fechado e de portas cerradas.
Daí, proclamar a necessidade da instauração perfeita da democracia em Portugal.
O Padre Abel Varzim, instigado por Cerejeira, chega a sondar algumas personalidades católicas, incluindo membros do governo no sentido da constituição de um eventual partido democrata-cristão.
Surgem monárquicos como Francisco Vieira de Almeida (1888-1962) a denunciarem o pessoalismo do poder. Refira-se, também, a criação de outros grupos, como o Centro Nacional de Cultura, fundado por um grupo de monárquicos não alinhados com o regime, sob a liderança de Fernando Amado
(Dezembro)
O Grande Oriente Lusitano escreve ao presidente norte-americano Truman, solicitando-lhe os bons ofícios contra a Gestapo lusitana, mas o pedido de socorro não é atendido.
Oposição no Brasil – Entretanto, surge no Brasil a Sociedade dos Amigos da Democracia Portuguesa com Manuel Bandeira, Jorge Amado, Carlos Drumond de Andrade, Gilberto Freyre e Graciliano Ramos. Apoiam o Comité Central do Movimento Anti-Fascista dos Portugueses do Brasil, onde se
destaca Lúcio Pinheiro dos Santos. Outros oposicionistas movem as suas influências nesse país, com destaque para Jaime Cortesão, Moura Pinto, Jaime de Morais e Sarmento Pimental, com a protecção financeira de Ricardo Seabra.