As novas Tordesilhas do Mundo

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, desde a capitulação do Terceiro Reich, às bombas atómicas de Hiroshima e  Nagasaqui (6 e 9 de Agosto de 1945) estabeleceram-se as inovas Tordesilhas do Mundo.

Aquilo que tinha começado por ser uma espécie de guerra civil europeia, entre as principais potências de um Velho Mundo, insatisfeitas com os espaços vitais delineados pelo Tratado de Versalhes, acaba por ter efeitos mundiais, com o feitiço a voltar-se contra o feiticeiro, porque quem efectivamente perdeu a guerra foi a Europa que, desde então, deixou de poder ter uma Weltpolitik.

Na verdade, os verdadeiros vencedores da guerra são duas uniões imperiais, uma ainda jovem new nation e uma mais antiga potência central, convertida ao imperial-comunismo. A marcha dos soviéticos é impressionante: transpõem o Vístula (12-01), ocupam Varsóvia (17-01), Budapeste (13-02), Konigsberg (10-04), Viena (13-04) e chegam a Berlim (23-04), uma semana antes de Adolf Hitler se suicidar (30-04), já depois de Mussolini ter sido assassinado (28-04). Entretanto, morre Roosevelt (12-04).

Depois de assinada a capitulação alemã em Berlim (08-05), é iniciado o processo de Philippe Pétain (1856-1951) em 23-07, que, depois de condenado à morte, vê De Gaulle (1890-1970) comutar-lhe a pena (15-08), antes de se desencadearem os julgamentos do Tribunal Internacional de Nuremberga (08-09), que havia sido instituído pelo Tratado de Londres de 08-08.

 

Uma guerra civil mundial

O ano marca o fim da II Guerra Mundial, primeiro, com a capitulação da Alemanha nazi (8 de Maio) e, depois, com a rendição do Japão (10 de Agosto), na sequência do lançamento de duas bombas atómicas sobre Hiroshima (6 de Agosto), 20 quilotoneladas de urânio e 80 000 mortos, e Nagasaqui (9 de Agosto), 22 quilotoneladas de plutónio e 70 000 mortos. Surgem também as bases para a nova ordem mundial, com as conferências de Yalta, entre Estaline, Churchill e Roosevelt (de 4 a 11 de Fevereiro), S. Francisco (25 de Abril a 26 de Junho) e Potsdam (de 17 de Julho a 1 de Agosto). (28 de Abril).

Aquilo que tinha começado por ser uma espécie de guerra civil europeia, entre as principais potências de um Velho Mundo, insatisfeitas com os espaços vitais delineados pelo Tratado de Versalhes, acaba por ter efeitos mundiais, com o feitiço a voltar-se contra o feiticeiro, porque quem efectivamente perde a guerra é a Europa que, desde então, deixa de poder ter uma Weltpolitik. Na verdade, os verdadeiros vencedores são duas uniões imperiais, uma ainda jovem new nation e uma mais antiga potência central, convertida ao imperial-comunismo. A marcha dos soviéticos é impressionante: transpõem o Vístula (12 de Janeiro), ocupam Varsóvia (17 de Janeiro), Budapeste (13 de Fevereiro), Konigsberg (10 de Abril), Viena (13 de Abril) e chegam a Berlim (23 de Abril), uma semana antes de Adolf Hitler se suicidar (30 de Abril), já depois de Mussolini ter sido assassinado

 

As novas Tordesilhas do Mundo

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, desde a capitulação do Terceiro Reich, às bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaqui (6 e 9 de Agosto de 1945) estabeleceram-se as inovas Tordesilhas do Mundo.

Aquilo que tinha começado por ser uma espécie de guerra civil europeia, entre as principais potências de um Velho Mundo, insatisfeitas com os espaços vitais delineados pelo Tratado de Versalhes, acaba por ter efeitos mundiais, com o feitiço a voltar-se contra o feiticeiro, porque quem efectivamente perdeu a guerra foi a Europa que, desde então, deixou de poder ter uma Weltpolitik.

Na verdade, os verdadeiros vencedores da guerra são duas uniões imperiais, uma ainda jovem new nation e uma mais antiga potência central, convertida ao imperial-comunismo. A marcha dos soviéticos é impressionante: transpõem o Vístula (12-01), ocupam Varsóvia (17-01), Budapeste (13-02), Konigsberg (10-04), Viena (13-04) e chegam a Berlim (23-04), uma semana antes de Adolf Hitler se suicidar (30-04), já depois de Mussolini ter sido assassinado (28-04). Entretanto, morre Roosevelt (12-04).

Depois de assinada a capitulação alemã em Berlim (08-05), é iniciado o processo de Philippe Pétain (1856-1951) em 23-07, que, depois de condenado à morte, vê De Gaulle (1890-1970) comutar-lhe a pena (15-08), antes de se desencadearem os julgamentos do Tribunal Internacional de Nuremberga (08-09), que havia sido instituído pelo Tratado de Londres de 08-08.

Assinalam-se, com efeito, sete etapas na nova ordem internacional:

 

 

1941: Carta do Atlântico

O primeiro dos passos dessa nova ordem mundial foi dado na Carta do Atlântico de 12 de Agosto de 1941.

Nessa cimeira entre Roosevelt e Churchill, ao largo da Terra Nova, foram fixadas as bases sobre as relações entre os Estados Unidos e o Reino Unido depois da guerra, o chamado Tratado do Atlântico. No art. V desse documento, proclamava-se que após a destruição da tirania nazi, esperamos ver erguer-se no mundo um estado de paz, no qual todos possam viver sem guerra dentro das suas próprias fronteiras).

1943: Teerão

Seguiu-se a Conferência de Teerão, de Novembro e Dezembro de 1943, onde a URSS, os Estados-Unidos da América e o Reino Unido chegam a um acordo quanto à linha Oder-Neiss, como fronteira alemã a leste, sendo também decidida a criação de uma organização mundial que substituisse a SdN.

1944: Bretton Woods

Em 1944 é a Conferência de Bretton Woods, que terminou em 22 de Julho de 1944, onde se procuram as bases para vertente económica da nova ordem mundial. Se, no plano da teoria, parecem dominar as posições de John Maynard Keynes,

eis que, no plano prático, são marcantes as propostas do secretário do tesouro norte-americano, Henry Morgenthau, e do seu delegado à conferência, Harry Dexter White. É nessa conferências que se esboçam o FMI, o BIRD e a OIC. A URSS nega-se a subscrever os acordos.

1945: Yalta

Na Conferência de Yalta, de 4 a 11 de Fevereiro de 1945, faz-se um acordo onde se fixam as fronteiras onde os exércitos convergentes deveriam encontrar-se e onde deveriam ficar enquanto os governos negociavam os termos da paz, que deveria prever a retirada das forças armadas.

Se ainda se não procede à partilha do mundo, chega-se à demarcação militar.

Os soviéticos, no entanto, tornaram-se agressivos a partir de então. Transformaram os territórios ocupados num cordão sanitário e numa base para ulteriores conquistas político-ideológicas.

Os norte-americanos como resposta advogam o containment. isto é, aceitam o cordão sanitário estabelecido, fazendo dele uma linha Maginot, porque destruir essas conquistas russas só poderia ser feito através de uma nova guerra, que eles queriam evitar.

Em 12 de Abril de 1945 morria Roosevelt, sendoi substituído pelo Vice-Presidente Harry Truman.

1945: Potsdam

Segue-se a Conferência de Potsdam, entre 17 de Julho a 1 de Agosto de 1945. A definição do neofeudalismo dos Estados Directores, com uma enorme legião de Estados Secundários que vai ter de optar entre a anarquia ou o apoio a um dos grandes.

1945: São Francisco

Vem, depois, a Conferência de S. Francisco (concluída em 26 de Junho de 1945). A entrada em vigor da Carta da ONU em 24 de Outubro de 1945. Representantes de 51 Estados Soberanos ratificaram a fundação da ONU. Toma como base a Carta do Atlântico de Agosto de 1941

1947-1948: Genebra e Havana

O Acordo GATT assinado em Genebra durante a conferência que decorreu desde 10 de Abril a 30 de Outubro de 1947, reunindo 23 Estados.

Chegou até a ser aprovada uma Organização Internacional do Comércio (ITO) na conferência de Havana que decorreu de 21 de Novembro a 24 de Março de 1948, mas que nunca foi ratificada pelos USA.

A Europa na balança mundial

A execução do contemporâneo projecto europeu nunca pôde ser um assunto apenas intra-europeu, nunca foi exclusivo da mera política de cooperação doméstica entre os europeus. Bem pelo contrário: o projecto europeu ficou totalmente dependente do jogo da guerra fria.

Desde o primeiro momento da CECA que esta Europa do projecto europeu sempre viveu ao ritmo da balança mundial de poderes.

Directamente provocada pelas consequências da segunda guerra mundial, a nova Europa foi-se esboçando ao ritmo da tensão e da ambivalência de um mundo bipolarizado, conforme a respiração vertiginosa da chamada guerra fria e o desafio da internacionalização económica provocada pelo comércio mundial.

Entre a NATO e o Pacto de Varsóvia, entre a OECE/OCDE e o GATT, entre o medo da Terceira Guerra Mundial  e o crescendo da aldeia global das trocas, eis a Europa a que fomos chegando.

Com efeito, depois da Segunda Guerra Mundial, desfeito o Euromundo, deixou de ser possível uma leitura eurocêntrica da história. A balance of power não só deixou de ter um fiel europeu, como até de contribuir maioritariamente para os pesos e contrapesos dos dois pratos da balança.

Estamos, com efeito, bem longe de um Henrique VIII a construir o poder funcional britânico,  jogando nos confrontos entre o poder francês e poder espanhol. E nem sequer se repetem os redesenhos do mapa da Europa posteriores à derrota napoleónica e à derrota dos Impérios centrais, depois do fim da Grande Guerra.

Até então, perante as tentativas de hegemonia de algumas potências, surgiram sempre grandes coligações dinamizadas por outras potências rivais que, sendo europeias pelas origens, se assumiam como potências mundiais: desde as potências marítimas do Ocidente, voltadas para o Atlântico, lideradas pela Grã-Bretanha,  às potências continentais, voltadas para a Ásia, lideradas pela Rússia.

A partir da Segunda Guerra Mundial os pesos e contrapesos da balança deixaram de ser europeus e a bipolarização da Guerra Fria transformaram a Europa em potencial teatro de operações.

 

As organizações económicas de urgência

Logo em 1945 a ONU estabeleceu várias organizações económicas de urgência para cooperarem com os vários governos europeus. Foram assim estabelecidas a Organização Europeia do Carvão, a Comissão Económica de Urgência para a Europa e a Organização Europeia dos Transportes Terrestres, todas participadas pelos membros europeus da ONU, à excepção da última, a que não pertencia a URSS. A estas, acrescia também a Organização das Nações Unidas para o Socorro e a Reconstrução, a United Nations Relief and Rehabilitation Administration (UNRRA), que havia sido criada em 1943.

Contudo, as circunstâncias económicas e sociais do pós-guerra europeu agravaram-se substancialmente no inverno de 1946-1947, pelo que o Conselho Económico e Social da mesma ONU, em 28 de Março de 1947, criou uma Comissão Económica para a Europa, o primeiro organismo regional da Europa, que juntou no seu seio as anteriores experiências institucionais.

 

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© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009