Em Espanha, os efeitos da nova ordem internacional, levam à
retirada da maior parte dos embaixadores ocidentais (11 de Dezembro) e
ao encerramento das fronteiras com a França, facto que acaba por
reforçar os poderes do regime, como o demonstra uma gigantesca
manifestação a favor de Franco, em 9 de Dezembro de 1946, na Plaza de
Oriente, onde o caudillo, perante cerca de meio milhão de pessoas
proclama querer ser independente e administrar e defender a nossa
vitória, como outros a sua paz.
Tudo nasceu, em cumprimento das
decisões da conferência de Potsdam, com uma declaração das três
potências ocidentais (5 de Março), onde se exigia a retirada de Franco,
a abolição da Falange e a constituição de um governo provisório, com
amnistia e liberdade de associação, para a preparação de eleições
gerais.
O generalíssimo logo respondeu, dizendo que a nossa revolução são
os braços abertos, não os punhos fechados. Seguiu-se a decisão da
ONU, de Dezembro de 1945, onde se recomendava a retirada dos
embaixadores, mas sem ruptura diplomática nem sanções económicas
concretas, posição que teve a oposição de seis Estados
hispano-americanos.
Aliás, a Argentina logo nomeou um embaixador para
Madrid e Perón, em 30 de Janeiro de 1947 já assinava com franco um
convénio comercial que garantiu o abastecimento da Espanha,
principalmente em bens alimentares.