1946
 

Franco: a revolução dos braços abertos

 

Em Espanha, os efeitos da nova ordem internacional, levam à retirada da maior parte dos embaixadores ocidentais (11 de Dezembro) e ao encerramento das fronteiras com a França, facto que acaba por reforçar os poderes do regime, como o demonstra uma gigantesca manifestação a favor de Franco, em 9 de Dezembro de 1946, na Plaza de Oriente, onde o caudillo, perante cerca de meio milhão de pessoas proclama querer ser independente e administrar e defender a nossa vitória, como outros a sua paz.

Tudo nasceu, em cumprimento das decisões da conferência de Potsdam, com uma declaração das três potências ocidentais (5 de Março), onde se exigia a retirada de Franco, a abolição da Falange e a constituição de um governo provisório, com amnistia e liberdade de associação, para a preparação de eleições gerais.

O generalíssimo logo respondeu, dizendo que a nossa revolução são os braços abertos, não os punhos fechados. Seguiu-se a decisão da ONU, de Dezembro de 1945, onde se recomendava a retirada dos embaixadores, mas sem ruptura diplomática nem sanções económicas concretas, posição que teve a oposição de seis Estados hispano-americanos.

Aliás, a Argentina logo nomeou um embaixador para Madrid e Perón, em 30 de Janeiro de 1947 já assinava com franco um convénio comercial que garantiu o abastecimento da Espanha, principalmente em bens alimentares.

 

 

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: