1946

 

Dezembro

Oeste contra o Leste e guerras por procuração


 

Acordo entre britânicos e norte-americanos sobre a ocupação da Alemanha (2 de Dezembro)

ONU instala-se em Nova Iorque (5 de Dezembro)

Em Espanha, os efeitos da nova ordem internacional, levam à retirada da maior parte dos embaixadores ocidentais (11 de Dezembro) e ao encerramento das fronteiras com a França, facto que acaba por reforçar os poderes do regime, como o demonstra uma gigantesca manifestação a favor de Franco, em 9 de Dezembro, na Plaza de Oriente, onde o caudillo, perante cerca de meio milhão de pessoas proclama querer ser independente e administrar e defender a nossa vitória, como outros a sua paz. Tudo nasceu, em cumprimento das decisões da conferência de Potsdam, com uma declaração das três potências ocidentais (5 de Março), onde se exigia a retirada de Franco, a abolição da Falange e a constituição de um governo provisório, com amnistia e liberdade de associação, para a preparação de eleições gerais. O generalíssimo logo respondeu, dizendo que a nossa revolução são os braços abertos, não os punhos fechados. Seguiu-se a decisão da ONU, de Dezembro de 1945, onde se recomendava a retirada dos embaixadores, mas sem ruptura diplomática nem sanções económicas concretas, posição que teve a oposição de seis Estados hispano-americanos. Aliás, a Argentina logo nomeou um embaixador para Madrid e Péron, em 30 de Janeiro de 1947 já assinava com franco um convénio comercial que garantiu o abastecimento da Espanha, principalmente em bens alimentares.

Governo francês de Léon Blum, apenas integrado por socialistas (12 de Dezembro)

França isola o Sarre do resto da Alemanha, pelo estabelecimento de uma linha aduaneira entre o território e a restante zona alemã administrada pelos franceses (22 de Dezembro)

Intensifica-se a guerra na Indochina (20 de Dezembro), culminando um ano de enfrentamento entre o Leste e o Oeste, também expresso nos conflitos sobre a Grécia e o Azerbeijão.

O Líbano acede à plena independência (24 de Dezembro), depois de ter acabado o mandato francês em 1 de Janeiro de 1944. Institui-se uma república parlamentar com repartição do poder entre as diversas comunidades, conforme um chamado pacto nacional, assinado em 1943. Há cerca de 53% de cristãos Maronitas, a quem cabe a presidência da república, e 47% de muçulmanos, com 21% de sunitas ortodoxos, a quem cabe a chefia do governo, 20% de chiitas, a quem cabe a presidência do parlamento, e 6% de drusos, segundo dados dos anos 60., destacando-se a presidência de Camille Chamoun, de 1952 a1958. No entanto, os vários grupos étnicos vão gerando inúmeros partidos: os cristão dividem-se entre as Falanges, ou milícias de Kateb, fundadas em 1936 e lideradas por Pierre Gemayel, e o Partido Nacional Liberal, de Camille Chamoun, enquanto os muçulmanos vivem entricheirados entre o Partido Socialista Progressista do druso Kémal Jumblat, nasserista de esquerda, e o Partido Popular Sírio, de marca tão nacional-socialista que até adopta a suástica como símbolo.

De 8 para 9 de Dezembro, grande procissão das velas em Lisboa com a imagem da virgem peregrina. Testemunha-se que três pombas brancas se aninham na peanha do andor, desde o Bombarral e que nunca mais de lá saíram desde o fim da jornada.Distribuída a carta O MUD perante a admissão de Portugal na ONU (10 de Dezembro).

Presos vários subscritores do panfleto do MUD do dia 10. Entre os detidos, Mário Soares. São soltos no mesmo dia (19 de Dezembro).

Os funerais de Abel Salazar transformam-se numa grande manifestação oposicionista (29 de Dezembro).

 

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© José Adelino Maltez, História do Presente. Última revisão em: 04-08-2006        

 

 

 

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