1947
 

Abril
Federalistas, gaullistas e neoliberais

 

 

De Gaulle, em Estrasburgo, critica o regime dos partidos e propõe um rassemblement (9 de Abril)

Conferência de Genebra (de 10 de Abril a 30 de Outubro)

Fracasso da Conferência dos Quatro em Moscovo, em virtude da prometida ajuda de Truman à Grécia e à Turquia (25 de Abril)

Surge em torno de Hayek* a Societé du Mont Pélérin (Abril).

Neste mês é também criada a União Liberal Mundial, mas que tem pouca implantação dado contar fundamentalmente com os poucos partidos liberais europeus, pelo que se transforma, ainda nesse ano, a partir de uma reunião ocorrida em Oxford na chamada Internacional Liberal que discretamente se assume, no mundo não comunista, como uma terceira força entre os socialistas/sociais-democratas e os democratas-cristãos/conservadores.

Reunião em Amsterdão de delegados dos movimentos federalistas europeus, preparando congresso da UEF que terá lugar em Montreux (12 de Abril).

União Nacional: Marcello Caetano toma posse como presidente da Comissão Executiva da União Nacional (4 de Março). Na altura, o regime está dividido entre os partidários da facção militar liderada por Santos Costa (o partido militar) e os adeptos da facção civil, onde se destaca Marcello Caetano, o novo dirigente executivo do (anti)partido único que também detesta o novo ministro da educação. Teotónio Pereira é embaixador no Brasil. Santos Costa que parece apostar na solução monárquica para a continuidade do regime; outros acusam-no de ter sido germanófilo durante a guerra.

Os marcelistas. Marcello Caetano, por seu lado, promove a adesão pública de várias figuras à União Nacional (23 de Março). Aparecem jovens como Silva Cunha, Baltazar Rebelo de Sousa, Henrique Veiga de Macedo, Camilo de Mendonça, Rui Sanches, João Dias Rosas, Afonso Marchueta. Jorge Jardim, António Maria Santos da Cunha, João Paulo Cancela de Abreu e António Manuel Couto Viana.

Julgamento dos implicados na revolta da Mealhada. A defesa cabe a Amílcar Ramada Curto, Vasco da Gama Fernandes, Adelino Palma Carlos e Fernando Abranches Ferrão (26 de Março)

Dia do Estudante A polícia cerca e invade as instalações da Faculdade de Medicina de Lisboa, cujo director se opõe à intervenção policial (Março). No mesmo dia, contra a proibição governamental, várias associações académicas promovem o Dia do Estudante (26 de Março).

Prisões – São detidos vários dirigentes do MUD Juvenil, principalmente da Comissão Académica de Lisboa, com Mário Ruivo, Castro Rodrigues, Joaquim Ângelo Rodrigues, Fernando Pulido Valente, José Carlos Gonçalves e Orlando Pereira. Também Mário Soares, Rui Grácio, Júlio Pomar e Salgado Zenha ficam presos no Aljube durante quatro meses e meio.

Revolta da Junta Militar de Libertação Nacional Movimento encabeçado por Mendes Cabeçadas, com a participação de Celestino Soares, João Soares, Carlos Afonso Santos (Carlos Selvagem), Castanheira Lobo, general José Garcia Marques Godinhoö (1881-1947) e Hermínio da Palma Inácio (previsto para 10 de Abril). A movimentação teria sido suscitada pelo próprio Carmona e até se invoca o espírito do 28 Maio. São presos vários oficiais, entre os quais o general Marques Godinho. Nesse dia, Hermínio da Palma Inácio e Gabriel Gomes sabotam aviões na Base Aérea de Sintra. Vaga de prisões de oposicionistas (15 de Abril). Entre os detidos, Mário Soares, que será libertado em 27 de Agosto. Em 14 de Junho, nota oficiosa do governo revela que no anterior conselho de ministros do dia 1 haviam sido demitidos vários oficiais e professores universitários, por estarem implicados no movimento revolucionário abortado.

Greve das construções navais: na zona de Lisboa (7 de Abril), comandada pelos comunistas. Mobilizados cerca de 20 000 trabalhadores. Na organização do processo, António Dias Lourenço. A onda grevista prossegue, abrangendo estudantes (Maio e Junho) e rurais do Alentejo e Ribatejo (Julho).

Janeiro Fevereiro Março
Abril Maio Junho
Julho Agosto Setembro
Outubro Novembro Dezembro

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: