

De Gaulle, em Estrasburgo, critica o
regime dos partidos e propõe um rassemblement (9 de Abril)

Conferência de Genebra (de 10 de Abril
a 30 de Outubro)
Fracasso da Conferência dos Quatro em
Moscovo, em virtude da prometida ajuda de Truman à Grécia e à Turquia (25 de
Abril)
Surge em torno de Hayek* a Societé du
Mont Pélérin (Abril).
Neste mês é também criada a União
Liberal Mundial, mas que tem pouca implantação dado contar
fundamentalmente com os poucos partidos liberais europeus, pelo que se
transforma, ainda nesse ano, a partir de uma reunião ocorrida em Oxford na
chamada Internacional Liberal que discretamente se assume, no mundo não
comunista, como uma terceira força entre os socialistas/sociais-democratas e
os democratas-cristãos/conservadores.

Reunião em Amsterdão de
delegados dos movimentos federalistas europeus, preparando congresso da UEF
que terá lugar em Montreux (12 de Abril).

União Nacional: Marcello
Caetano toma posse como presidente da Comissão Executiva da União
Nacional (4 de Março). Na altura, o regime está dividido entre os partidários da
facção militar liderada por Santos Costa (o partido militar) e os adeptos
da facção civil, onde se destaca Marcello Caetano, o novo dirigente executivo do
(anti)partido único que também detesta o novo ministro da educação.
Teotónio Pereira é embaixador no Brasil. Santos Costa que parece apostar na
solução monárquica para a continuidade do regime; outros acusam-no de ter sido
germanófilo durante a guerra.
Os marcelistas. Marcello
Caetano, por seu lado, promove a adesão pública de várias figuras à União
Nacional (23 de Março). Aparecem jovens como Silva Cunha, Baltazar Rebelo de
Sousa, Henrique Veiga de Macedo, Camilo de Mendonça, Rui Sanches, João Dias
Rosas, Afonso Marchueta. Jorge Jardim, António Maria Santos da Cunha, João Paulo
Cancela de Abreu e António Manuel Couto Viana.
Julgamento dos implicados na
revolta da Mealhada. A defesa cabe a Amílcar Ramada Curto, Vasco da
Gama Fernandes, Adelino Palma Carlos e Fernando Abranches Ferrão (26 de Março)
Dia do Estudante A polícia
cerca e invade as instalações da Faculdade de Medicina de Lisboa, cujo director
se opõe à intervenção policial (Março). No mesmo dia, contra a proibição
governamental, várias associações académicas promovem o Dia do
Estudante (26 de Março).
Prisões – São detidos vários
dirigentes do MUD Juvenil, principalmente da Comissão Académica de Lisboa, com
Mário Ruivo, Castro Rodrigues, Joaquim Ângelo Rodrigues, Fernando Pulido
Valente, José Carlos Gonçalves e Orlando Pereira. Também Mário Soares, Rui
Grácio, Júlio Pomar e Salgado Zenha ficam presos no Aljube durante quatro meses
e meio.
Revolta da Junta Militar de
Libertação Nacional Movimento encabeçado por Mendes Cabeçadas, com a
participação de Celestino Soares, João Soares, Carlos Afonso Santos (Carlos
Selvagem), Castanheira Lobo, general José Garcia Marques Godinhoö
(1881-1947) e Hermínio da Palma Inácio (previsto para 10 de Abril). A
movimentação teria sido suscitada pelo próprio Carmona e até se invoca o
espírito do 28 Maio. São presos vários oficiais, entre os quais o general
Marques Godinho. Nesse dia, Hermínio da Palma Inácio e Gabriel Gomes sabotam
aviões na Base Aérea de Sintra. Vaga de prisões de oposicionistas (15 de Abril).
Entre os detidos, Mário Soares, que será libertado em 27 de Agosto. Em 14 de
Junho, nota oficiosa do governo revela que no anterior conselho de ministros do
dia 1 haviam sido demitidos vários oficiais e professores universitários, por
estarem implicados no movimento revolucionário abortado.
Greve das construções navais: na
zona de Lisboa (7 de Abril), comandada pelos comunistas. Mobilizados cerca
de 20 000 trabalhadores. Na organização do processo, António Dias
Lourenço. A
onda grevista prossegue, abrangendo estudantes (Maio e Junho) e rurais do
Alentejo e Ribatejo (Julho).