1947
 

Março
Entre o Tratado de Dunquerque e o containment

 

 

Lei marcial em Jerusalém (1 de Março)

O Presidente Truman pede ao Congresso a concessão de 250 milhões de dólares para ajuda ao governo da Grécia, enunciando a doutrina de containment face ao comunismo, apoiar os povos livres que resistam às tentativas de servidão vindas de minorias armadas ou de pressões externas; anuncia a vontade de lutar, na Grécia, na Turquia e em qualquer parte do mundo contra o comunismo, apoiar os povos livres que resistem a tentativas de servidão exercidas contra eles por minorias armadas ou por pressões externas; abandonado o isolacionismo da doutrina de Monroe. Aí considera os Estados Unidos como a esperança do mundo livre contra o totalitarismo comunista, pedindo ajuda para apoiar quem na Europa quer resistir ao avanço de Moscovo, nomeadamente a Grécia e a Turquia. (12 de Março)

Sangrentos confrontos no Punjab (15 de Março)

Demissão do governo belga, depois da demissão dos ministros comunistas (12 de Março). Novo governo belga de Spaak, coligação entre socialistas e sociais-cristãos (19 de Março)

Ministros comunistas abandonam o governo italiano (12 de Março)

Marchas da fome e greves operárias no Ruhr (21 de Março)

Na África francesa há uma revolta independentista no Madagáscar (30 de Março), promovida por sociedades secretas que desencadeiam uma vaga de terrorismo contra populações brancas, fora do controlo do Movimento Democrático da Renovação Malgache, fundado em 1946 e que tinha obtido a maioria nas eleições realizadas nesse ano. As autoridades coloniais da IV República Francesa, desencadeiam uma vaga de repressão, com cerca de 80 000 mortos, decretam o estado de sítio, que dura até 1956, e julgam os dirigentes do MDRM como os autores morais da insurreição, em 1948.

Recuo dos trabalhistas britânicos nas eleições parciais (31 de Março)

Tratado de Dunquerque entre a França e o Reino Unido contra o perigo de regresso do militarismo alemão (4 de Março). Nos termos do artigo 1º do Tratado, a ameaça eventual é a adopção pela Alemanha de uma política de agressão ou uma iniciativa alemã de natureza a tornar possível uma tal política rearmamento alemão.

Começa a conferência de Moscovo dos chamados Quatro Grandes, com Bidault, Bevin, Marshall e Molotov (10 de Março). Terá 44 sessões e durará até 25 de Abril.

ONU cria uma Comissão Económica para a Europa (28 de Março).

União Nacional: Marcello Caetano toma posse como presidente da Comissão Executiva da União Nacional (4 de Março). Na altura, o regime está dividido entre os partidários da facção militar liderada por Santos Costa (o partido militar) e os adeptos da facção civil, onde se destaca Marcello Caetano, o novo dirigente executivo do (anti)partido único que também detesta o novo ministro da educação. Teotónio Pereira é embaixador no Brasil. Santos Costa que parece apostar na solução monárquica para a continuidade do regime; outros acusam-no de ter sido germanófilo durante a guerra.

Os marcelistas. Marcello Caetano, por seu lado, promove a adesão pública de várias figuras à União Nacional (23 de Março). Aparecem jovens como Silva Cunha, Baltazar Rebelo de Sousa, Henrique Veiga de Macedo, Camilo de Mendonça, Rui Sanches, João Dias Rosas, Afonso Marchueta. Jorge Jardim, António Maria Santos da Cunha, João Paulo Cancela de Abreu e António Manuel Couto Viana.

Julgamento dos implicados na revolta da Mealhada. A defesa cabe a Amílcar Ramada Curto, Vasco da Gama Fernandes, Adelino Palma Carlos e Fernando Abranches Ferrão (26 de Março)

Dia do Estudante A polícia cerca e invade as instalações da Faculdade de Medicina de Lisboa, cujo director se opõe à intervenção policial (Março). No mesmo dia, contra a proibição governamental, várias associações académicas promovem o Dia do Estudante (26 de Março).

Prisões – São detidos vários dirigentes do MUD Juvenil, principalmente da Comissão Académica de Lisboa, com Mário Ruivo, Castro Rodrigues, Joaquim Ângelo Rodrigues, Fernando Pulido Valente, José Carlos Gonçalves e Orlando Pereira. Também Mário Soares, Rui Grácio, Júlio Pomar e Salgado Zenha ficam presos no Aljube durante quatro meses e meio.

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: