

Lei marcial em Jerusalém (1 de Março)

O Presidente Truman pede ao Congresso a concessão de 250
milhões de dólares para ajuda ao governo da Grécia, enunciando a
doutrina de containment face ao comunismo, apoiar os povos
livres que resistam às tentativas de servidão vindas de minorias armadas
ou de pressões externas; anuncia a vontade de lutar, na Grécia, na
Turquia e em qualquer parte do mundo contra o comunismo, apoiar os povos
livres que resistem a tentativas de servidão exercidas contra eles por
minorias armadas ou por pressões externas; abandonado o isolacionismo da
doutrina de Monroe. Aí considera os Estados Unidos como a esperança do
mundo livre contra o totalitarismo comunista, pedindo ajuda para apoiar
quem na Europa quer resistir ao avanço de Moscovo, nomeadamente a Grécia
e a Turquia. (12 de Março)

Sangrentos confrontos no Punjab (15 de Março)

Demissão do governo belga, depois da demissão dos ministros
comunistas (12 de Março). Novo governo belga de Spaak, coligação entre
socialistas e sociais-cristãos (19 de Março)

Ministros comunistas abandonam o governo italiano (12 de Março)

Marchas da fome e greves operárias no Ruhr (21 de Março)

Na
África francesa há uma revolta independentista no Madagáscar (30 de
Março), promovida por sociedades secretas que desencadeiam uma vaga de
terrorismo contra populações brancas, fora do controlo do Movimento
Democrático da Renovação Malgache, fundado em 1946 e que tinha obtido a
maioria nas eleições realizadas nesse ano. As
autoridades coloniais da IV República Francesa, desencadeiam uma vaga de
repressão, com cerca de 80 000 mortos, decretam o estado de sítio, que
dura até 1956, e julgam os dirigentes do MDRM como os autores morais da
insurreição, em 1948.

Recuo dos trabalhistas britânicos nas eleições parciais (31 de
Março)

Tratado de Dunquerque entre a França e o Reino Unido contra o
perigo de regresso do militarismo alemão (4 de Março). Nos termos do
artigo 1º do Tratado, a ameaça eventual é a adopção pela Alemanha de uma
política de agressão ou uma iniciativa alemã de natureza a tornar
possível uma tal política rearmamento alemão.
Começa a conferência de Moscovo dos chamados Quatro Grandes,
com Bidault, Bevin, Marshall e Molotov (10 de Março). Terá 44 sessões e
durará até 25 de Abril.
ONU cria uma Comissão Económica para a Europa (28 de Março).

União Nacional: Marcello
Caetano toma posse como presidente da Comissão Executiva da União
Nacional (4 de Março). Na altura, o regime está dividido entre os partidários da
facção militar liderada por Santos Costa (o partido militar) e os adeptos
da facção civil, onde se destaca Marcello Caetano, o novo dirigente executivo do
(anti)partido único que também detesta o novo ministro da educação.
Teotónio Pereira é embaixador no Brasil. Santos Costa que parece apostar na
solução monárquica para a continuidade do regime; outros acusam-no de ter sido
germanófilo durante a guerra.
Os marcelistas. Marcello
Caetano, por seu lado, promove a adesão pública de várias figuras à União
Nacional (23 de Março). Aparecem jovens como Silva Cunha, Baltazar Rebelo de
Sousa, Henrique Veiga de Macedo, Camilo de Mendonça, Rui Sanches, João Dias
Rosas, Afonso Marchueta. Jorge Jardim, António Maria Santos da Cunha, João Paulo
Cancela de Abreu e António Manuel Couto Viana.
Julgamento dos implicados na
revolta da Mealhada. A defesa cabe a Amílcar Ramada Curto, Vasco da
Gama Fernandes, Adelino Palma Carlos e Fernando Abranches Ferrão (26 de Março)
Dia do Estudante A polícia
cerca e invade as instalações da Faculdade de Medicina de Lisboa, cujo director
se opõe à intervenção policial (Março). No mesmo dia, contra a proibição
governamental, várias associações académicas promovem o Dia do
Estudante (26 de Março).
Prisões – São detidos vários
dirigentes do MUD Juvenil, principalmente da Comissão Académica de Lisboa, com
Mário Ruivo, Castro Rodrigues, Joaquim Ângelo Rodrigues, Fernando Pulido
Valente, José Carlos Gonçalves e Orlando Pereira. Também Mário Soares, Rui
Grácio, Júlio Pomar e Salgado Zenha ficam presos no Aljube durante quatro meses
e meio.