Os norte-americanos, ao acabarem com a tradição do
isolacionismo, tratam de aplicar a doutrina de Monroe ao contrário. Jão
não estão contra a Santa Aliança, querem eles próprios promover uma nova
Santa Aliança e por isso logo mobilizam 400 milhões de dólares para
ajudarem a Grécia e a Turquia... Entre os aliados ocidentais e os
soviéticos, há um dramático bailado. Fracassa a reunião dos ministros dos
estrangeiros dos Estados Unidos, da URSS, da França e do Reino Unido em
Moscovo sobre a questão alemã (25 de Abril), tal como não produz resultado
a conferência de Paris, entre Ernest Bevin, Georges Bidault e Molotov
sobre o discurso de Marshall (27 de Junho a 2 de Julho). Se a URSS recusa
formalmente o Plano (2 de Julho), logo reúnem em Paris os 16 países
europeus que o aceitam (12 de Julho). Os soviéticos estão mais entretidos
com o discurso de Andrei Jdanov, em que se definem literatura, arte e
filosofia socialistas (24 de Julho). No Ocidente, a luta anticomunista
recrudesce: cisão no Partido Socialista Italiano, donde emerge um Partido
Social-Democrata, contrário à aliança com o PCI (9 de Janeiro);
afastamento dos ministros comunistas do governo francês de Paul Ramadier
(4 de Maio) e do governo italiano (13 de Maio) e ilegalização do partidos
comunistas brasileiro e grego (27 de Dezembro). Também na CGT francesa se
dá a dissidência da Force Ouvrière (19 de Dezembro), enquanto nos Estados
Unidos o partido comunista é colocado fora da lei (Dezembro). Isto no ano
em que De Gaulle anuncia a formação do RPF (Abril) que, nas eleições
municipais de 28 de Outubro, obtém uns espectaculares 38%. Com efeito, em
França, o gabinete de Paul Ramadier enfrenta uma onda grevista, quase
insurreccional, bem detida pela mão de ferro do socialista Jules Moch,
ministro do interior.