1949
 

Janeiro
Fundação do Comecon e Marshall abandonando o poder

 

 

Cessar-fogo imposto pela ONU entre indianos e paquistaneses em Cachemira (1 de Janeiro)

EUA: Dean Acheson sucede George Marshall que, por razões de saúde, tem de abandonar o cargo de patrão da política externa de Washington (7 de Janeiro)

Liberais vencem as eleições no Japão (24 de Janeiro)

Soviéticos criam o Comecon, o Conselho de Assistência Económica Mútua, agregando Bulgária, Hungria, Polónia, Roménia e Checoslováquia (25 de Janeiro)

China: Comunistas entram em Pequim (24 de Janeiro)

O Mapai de Ben Gurion ganha as eleições em Israel (25 de Janeiro) e é eleito Hayim Weissman como presidente (24-02-1949), ao mesmo tempo que vão sendo firmados vários armistícios, entre 23-02-1949 e 20-07-1949, que terminam a guerra do novo Estado de Israel com os vizinhos árabes. Os israelitas, que aumentaram em cerca de 40% o respectivo território, utilizaram armamento comprado na Checoslováquia, são admitidos na ONU em 11-05-1949, desta forma se liquidando a hipótese de partilha do território com o projectado Estado Palestiniano. São, aliás, expulsos das suas terras cerca de 900 000 palestinianos que vão fundamentalmente para a Cisjordânia, administrada pelo reino hachemita, e para a faixa de Gaza, administrada pelo Egipto.

 

III Semana Social Católica. Realiza-se nos começos do ano, depois de ter sido marcada para 1946 sob o lema A Problemática do Trabalho, cabendo a coordenação do processo ao professor João Porto. Há intervenções de Guilherme Braga da Cruzö , J. S. da Silva Dias, Luís de Pina, Antunes Varela, Afonso Rodrigues Queiró, Correia de Barros, Émile Planchard e Luís Raposo. Proposta a inclusão do direito ao trabalho na futura revisão constitucional.

Causa Monárquica, presidida por Fezas Vital, apoia a candidatura de Carmona (7 de Janeiro). Rocha Martins critica a Causa e outros monárquicos assumem-se pela oposição, como José Pequito Rebelo, Vieira de Almeida, Francisco Rolão Preto, Luís de Almeida Braga e Rui de Andrade.

II Conferência da União Nacional (dias 7 a 9 de Janeiro), promovida por Marcello Caetano. Salazar faz um discurso, onde é dúbio quanto à restauração da monarquia. Critica as teses partidárias e individualistas e teme um golpe de Estado constitucional. Considera que nas próximas eleições não se trata de escolher um entre dois candidatos mas, pela força das coisas, a escolher entre dois regimes. De forma autobiográfica proclama: devo à Providência a graça de ser pobre... nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partid... jamais empreguei o insulto ou a agressão... não tenho ambições, não desejo subir mais alto. Declara que tem de haver um governo que governe sem clientelas, sucessiva ou conjuntamente alimentadas pelo Tesouro e sem espírito de partido.

Campanha de Norton de Matos – Iniciada a campanha eleitoral para a presidência, em 3 de Janeiro. O governo tenta ligar Norton à maçonaria, mas Carmona também havia sido irmão da augusta ordem e Ulisses Cortês, talvez infundadamente, também era acusado de tal pertença cívica. Há palestras de Botelho Moniz no Rádio Clube Português de apoio a Carmona, a partir do dia 14 de Janeiro, que são depois transcritas no Diário da Manhã. No Diário de Notícias, artigos de Armindo Monteiro ligam a oposição ao comunismo, mas Salazar fica incomodado com esta aproximação e terá dito a Manuel Múrias: que recompensa terá recebido? José Vicente de Freitas, em entrevista ao Diário de Lisboa, declara: apoio a situação, embora não incondicionalmente ... não me interessa tomar parte em discussões políticas (26 de Janeiro).

Comício em Coimbra – Grande Comício de Norton de Matos, em Coimbra, no Teatro Avenida, quando Francisco Salgado Zenha, então jovem militante comunista, é presidente da Associação Académica. Palma Carlos, presente, é aclamado como o advogado dos 108. Na mesa, Fernando Lopes e Joaquim Namorado. Norton chega a querer denunciar o compromisso unitário, mediante uma declaração pública, claramente anticomunista, no que é dissuadido por Barbosa Magalhães e Azevedo Gomes.

Comícios no Porto e em Lisboa – Realizam-se outros dois grandes comícios. No dia 23 de Janeiro, no Porto, com cerca de 100 000 pessoas. Em 10 de Fevereiro em Lisboa.

Diário de Lisboa – Alberto de Serpa, Miguel Torga, Cunha Leal, Pulido Valido e Luís de Almeida Braga escrevem, durante os meses de Janeiro e Fevereiro, vários artigos no jornal Diário de Lisboa, apoiando Norton de Matos.

Contra a república dos professores – O monárquico Almeida Braga fala numa economia essencialmente burocratizada e numa república de professores onde é difícil falar. Se a nação pode e deve ser corporativa; não o poderá ser o Estado. Proclama que não é torturando os homens que se deixam enlear pelo erro comunista, que o comunismo será vencido. Sempre o martírio foi esperança de triunfo e a intolerância é sinal de fraqueza ou de dúvida na própria crença. Quem está seguro de si, procura convencer e não intimidar. A violência chama a violência e a injustiça gera a injustiça!.

Pelo espírito criador e pela regalia da liberdade – Alberto de Serpa clama pela regalia da liberdade do Espírito. Miguel Torgaö , criticando as sombras prepotentes defende a rebeldia, porque o espírito criador é, por sua natureza, heterodoxo e dinâmico criticando o caldo de cultura morno e temperado que gera a mediocridade. Reconhecendo que a oposição representa o anseio, a inquietação, a vontade cosntante de caminhar, declara-se pelo movimento, pela variedade, pelo jogo de oposições, por tudo o que não seja monotonia, concluindo que vota contra o que está.

 

Janeiro Fevereiro Março
Abril Maio Junho
Julho Agosto Setembro
Outubro Novembro Dezembro

Ver síntese do ano

 

© José Adelino Maltez, História do Presente. Última revisão em: 31-03-2009         

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009