Da CECA à CED 

No plano europeu, o ano de 1951 é marcado pelo início em Paris, em 15 de Fevereiro, das negociações para a instituição da CED, com cinco Estados participantes - Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e RFA - e seis observadores - Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Noruega, Reino Unido e Países Baixos. E é durante o período que estas decorrem que se dá a assinatura do Tratado de Paris que institui a CECA, onde é prevista a respectiva entrada em vigor para 25 de Julho de 1952 (18 de Abril).

Quanto à política interna dos vários Estados europeus, importa assinalar que, no Reino Unido, o governo trabalhista vai viver vários sobressaltos. Em 21 de Abril é a demissão dos ministros da esquerda trabalhista, Harold Wilson e Aneurin Bevan, pouco antes de, no Irão, Mossadegh nacionalizar companhias petrolíferas (28 de Abril).

 

Churchill volta ao poder

No fim do ano já vai dar-se o regresso dos conservadores, liderados por Churchill, ao poder, com Anthony Eden nos estrangeiros (1 de Novembro). A vitória eleitoral conservadora (25 de Novembro) era sobretudo motivada pelas dificuladades sentidas por Londres nas crises do Egipto e do Irão. Com efeito, em 17 de Outubro, tropas britânicas tinham ocupado o canal de Suez, depois do governo do Egipto ter abolido unilateralmente o tratado de aliança com o Reino Unido. Como o novo governo conservador, desde logo manifesta não querer alterar a política europeia dos seus antecessores trabalhistas, eis que, em sinal de protesto, Spaak tratou de abandonar a presidência da Assembleia Consultiva do Conselho da Europa (10 de Dezembro)

 

Subida de gaullistas e comunistas

Em França, em 8 de Março, surgia um novo governo, presidido por Henri Queuille, depois de ter sido adoptada  uma nova lei eleitoral, a loi des apparentements, pela qual várias listas podem, antes do escrutínio, declarar-se aparentadas; tentava-se, deste modo, não pôr em causa o princípio da proporcionalidade; o modelo destinava-se a favorecer os partidos do centro e teve oposição dos gaullistas (7 de Maio). Em 17 de Junho, eram as eleições, com crescimento eleitoral do PCF (26% e 97 deputados) e do RPF (21% e 117 deputados), enquanto os socialistas da SFIO obtêm 106 deputados, os democratas-cristãos do MRP, 88, e os radicais socialistas, 76. Em 10 de Julho, Édouard Herriot era reeleito presidente da Assembleia Nacional francesa, surgindo, desde logo, a questão do apoio ao ensino privado, com o confronto entre os laicos e os defensores do ensino livre. Pouco depois, morre na prisão da ilha de Yeu o Marechal Philippe Pétain, então com 95 anos de idade (23 de Julho). Segue-se um segundo governo de René Pleven, com oposição de comunistas e gaullistas (13 de Agosto) e a votação da extensão do sistema de bolsas de estudo ao ensino privado, com oposição dos socialistas (21 de Setembro). Já no final do ano, começam tumultos anti-franceses em Casablanca (1 de Novembro) e a Assembleia Nacional ratifica o Tratado de Paris, por 377 contra 233 votos (31 de Dezembro).

É em 1951 que a República Federal da Alemanha passa a dispor de um ministro dos negócios estrangeiros, o Auswartiges Amt, cargo que é assumido pelo próprio chanceler, Konrad Adenauer (6-15 de Março), precedendo a entrada efectiva do Estado no Conselho da Europa (2 de Maio), pouco antes de ocorrerem  as últimas execuções de oficiais SS, condenados pelo Tribunal de Nuremberga (7 de Junho) e a admissão da mesma entidade política na UNESCO (21 de Junho), até que a França, o Reino Unido e os Estados Unidos, juntamente como outros 36 países da ONU, anunciam oficialmente o fim do estado de guerra com a Alemanha (9 de Julho)

Na Irlanda, se Eamon De Valera, do Fianna Fail, regressa ao poder, até 1954 (13 de Junho), na Bélgica, Leopoldo III abdica em favor de Balduíno I (17 de Julho).Vitória dos sociais-democratas nas eleições da Finlândia (2-3 de Julho). Eleições gerais na Grécia, com vitória de Papagos (9 de Setembro)

Na guerra da Coreia, depois de forças sino-coreanas conquistarem Seul (3 de Janeiro), eis que a ofensiva comunista é detida (24 de Janeiro) e a República Popular da China é considerada agressora pela ONU (1 de Fevereiro). A libertação de Seul ocorre em 14 de Março.

Enquanto isto, um tribunal de Nova Iorque condena Ethel e Julius Rosenberg à pena de morte, acusados de espionagem a favor da URSS (5 de Abril), o Tibete torna-se um protectorado da China (23 de Maio) e funda-se a FPLN em Argélia (5 de Agosto). Na Checoslováquia dá-se a prisão do secretário-geral do PC checoslovaco (27 de Novembro), dá-se a proclamação da independência da Líbia (24 de Dezembro) e começa na China a campanha dos três antis, tcheng feng, até Abril de 1952 (Dezembro).

Eis o ano em que Albert Camus, publica L'Homme Revolté (Paris, Gallimard), Gasthon Bouthoul, Les Guerres. Éléments de Polémologie, 1951 e que entre nós Lúcio Craveiro da Silva, A Idade do Social, 1951, enquanto em França Maurice Duverger, Les Partis Politiques, Paris, Armand Colin, 1951

 

Cronologia oficial da história da União Europeia

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 29-04-2009