1956
 

Março
Pan-arabismo vira neutralista

 

 

Emitida declaração comum que confirma a independência de Marrocos no plano das forças armadas e da diplomacia (2 Março). O sultão tinha regressado a Rabat em 16 de Novembro de 1955 e as conversações com Paris tinham sido iniciadas em 15 de Fevereiro de 1956, mas com alguns sobressaltos dado que o sultão defendia claramente a independência argelina.

A independência de Marrocos confirma a promessa que Roosevelt havia feito a Mohammed V (1927-1961), que os franceses não cumpriram, deportando o próprio sultão de 1953 a 1955. Segue-se o reconhecimento da independência pela Espanha (07-04-1956), a integração de Tanger (21-10-1956), até então cidade sujeita a um estatuto internacional, a integração do Marrocos espanhol (1958) e do Ifno (1969). As tropas espanholas e francesas abandonam o país em 1961 e os norte-americanos encerram as suas bases em 1963.

Conselho da Liga Árabe proclama o neutralismo (12 de Março)

Palmiro Togliatti critica Estaline (14 de Março)

No Paquistão é promulgada a primeira Constituição (23-03-1956), onde se cria a província do Paquistão Oriental, negando-se a pressão autonomista do povo de Bengala.

Reabilitação póstuma de Rajk na Hungria (29 de Março)

Eleições no Vietname do Sul para o parlamento. Vitória dos apoiantes de Diem*, o chefe de governo católico, apoiado pelos norte-americanos que começam a enviar-lhe conselheiros militares que, em 1961, já são cerca de 85 000 homens (Março)

 

Questão colonial – Em Março, greves e manifestações de trabalhadores em Angola, Moçambique e Guiné. Por acção de Amílcar Cabral, surge em Bissau o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, onde também aparecem como fundadores Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Elisée Turpin (19 de Setembro). O Movimento Popular de Libertação de Angola é criado em Dezembro de 1956, depois de, em Outubro de 1955, ter surgido o Partido Comunista Angolano. Tem como principais dirigentes Mário Coelho Pinto de Andrade, Lúcio Lara e Viriato Cruz. Em Dezembro desse mesmo ano, Agostinho Neto, regressado a Luanda, assume a presidência do movimento. Por essa altura, ainda o futuro comunista Urbano Tavares Rodrigues publica Jornadas no Oriente, obra dedicada a Sarmento Rodrigues, onde se homenageia Aniceto do Rosário, o governador de Damão.

A legalização da repressão – Decreto-Lei de 12 de Março, reforça o poder de intervenção da PIDE no âmbito das medidas provisórias de segurança que podem implicar cerca de três anos de prisão, num diploma, ainda elaborado pelo ministro Cavaleiro Ferreira. Advogados e jornalistas protestam contra a censura e a acção da PIDE em representação dirigida ao Presidente da República, solicitando também amnistia para os presos políticos, e liberdade de pensamento e de reunião (3 de Julho).

 

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: