No plano da integração europeia, importa salientar que os sete membros da OECE que não estavam integrados na CEE, reunidos em Saltjosbaden, nos arredores de Estocolmo, começaram as negociações que hão-de levar à criação da EFTA (1 de Junho), de acordo com um plano sueco de desarmamento aduaneiro progressivo. O processo leva a um projecto de Convenção de Estocolmo (20 de Novembro), onde são membros fundadores Áustria, Dinamarca, Noruega, Portugal, Reino Unido, Suécia e Suiça.

De Gaulle

Em 29 de Maio de 1958, poucos meses depois da entrada em vigor do Tratado de Roma, eis que o General Charles De Gaulle, considerado como uma espécie de bête noire pelos europeístas franceses, dadas as posições que tinha frontalmente assumido contra a CECA, a CED e a própria CEE, assumiu plenos poderes em França, tendo em vista a superação da revolta dos pieds noirs. Insurgindo-se contra construção apátrida em que se enredava o projecto europeu, De Gaulle vem reclamar a necessidade de repolitização do processo, denunciando as teias tecnocráticas que o estavam a enredar. A história da posição de De Gaulle face ao projecto de construção europeia prende-se desde logo com as divergências estratégicas que sempre o distanciaram de Monnet, a quem pejorativamente chamava o inspirador, ou como alguém marcado pelo patriotismo norte-americano.

Um patriota … norte-americano 

Com efeito, as relações entre o general e o inspirador não eram famosas, desde que se cruzaram em 1940, por ocasião da projectada fusão franco-britânica, e, principalmente quando, em 1943, tiveram profundas desinteligências em Argel, a propósito da questão do general Giraud, que, com o apoio norte-americano, se assumia como o rival de De Gaulle.

De Gaulle insinuava o patriotismo norte-americano de Monnet, dizendo que ele não é um francês a soldo dos americanos, é um grande americano SAMPSON, p. 33.

De facto, Monnet tinha estreitas relações  com inúmeras personalidades desse país, desde Dean Acheson, que fora Secretário de Estado entre 1949 e 1953, a George Ball, futuro membro da administração Kennedy, que chegara a ser conselheiro jurídico de Monnet, tanto no comissariado francês do plano, como junto da Alta-autoridade da CECA. Também eram íntimas as relações de Monnet com John McCloy, comissário americano em Bona.

Contra a tecnocracia

Por outro lado, De Gaulle assumia uma posição contra a dominante tecnocrática da construção europeia, acentuando a necessidade de uma politização do processo. Tal como tinha uma certa idée de la France, também tinha uma vincada ideia da Europa, feita à imagem e semelhança da primeira, dado considerar caber à sua pátria um papel europeu.

De Gaulle é dos primeiros a utilizar o poder errático de uma média potência, um poder funcional que pôde desequilibrar as relações de força estabelecidas num misto de ousadia  e de convicção, e , sobretudo, entendendo que o poder não é uma coisa, mas sim uma relação Sobre  o gaullismo,  MAURICE PAPON, Le Gaullisme ou la Loi de l'Effort, Paris,.

 

Se é possível inventariar uma série de contradições terminológicas

Nos finais dos anos quarenta, princípios dos anos cinquenta é possível encontrarmos uma série de discursos De Gaulle, onde A terminologia gaullista sobre a Europa, antes da tomada do poder, nem sempre correspondia às suas tomadas de posição contra a CECA, a CED e o próprio Tratado de Roma. Várias vezes utilizou a expressão federação, como sinónimo do que entendia por construção europeia. Num artigo de 1948 dizia que A Europa deverá ser uma federação de povos livres. Posição que aliás vai manter em 25 de Junho de 1950, numa reunião do RPF, e em 22 de Junho de 1951, numa conferência de imprensa.

Só mais tarde é que substitui a expressão federação pela de confederação, mas sem diabolizar a primeira, dado que o seu alvo de ataque sempre foram as tentativas suprancionais.

Cronologia 1959

 

 

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: