1961
 

Agosto
Entre o muro de Berlim e a Aliança para o Progresso

 

 

O muro da vergonha: de 12 para 13 de Agosto são erguidas barreiras de arame farpado em Berlim, separando as zonas leste e oeste; no dia 17 inicia-se a construção de um muro de betão (Agosto)

Assinado o pacto Aliança para o progresso, uma espécie de Plano Marshall para a América Central e do Sul (17 de Agosto)

Jânio Quadros renuncia à Presidência do Brasil, sendo substituído pelo Vice-Presidente João Goulart* do PTB (25 de Agosto). Congresso brasileiro regressa ao parlamentarismo (27 de Agosto)

URSS retoma as experiências nucleares na atmosfera (31 de Agosto)

Primeira reunião em Paris do comité encarregado de estudar o estatuto de uma união política, conforme as directrizes da cimeira de Bad-Godsberg; Christian Fouchet é nomeado presidente da comissão (1 de Agosto)

Parlamento britânico aprova o pedido de adesão por 313 votos contra 5 e com a abstenção dos trabalhistas (3 de Agosto)

O Reino Unido apresenta o pedido oficial de adesão às Comunidades Europeias (9 de Agosto). Segue-se, no dia seguinte, a Dinamarca

Governo sueco põe reservas à adesão ao Mercado Comum, invocando a política de neutralidade sueca (22 de Agosto)

Ataque a São João Baptista de Ajudá (1 de Agosto). O pequeno forte português, situado na República do Daomé, é atacado e invadido. O representante de Lisboa, conforme ordens superiores, resolve incendiar as instalações, antes de retirar.

 

Criado o Movimento Nacional Feminino, visando apoiar o esforço de guerra levado a cabo pelo regime (10 de Agosto). Os estatutos são aprovados ministerialmente neste dia. Célebre pela instituição dos modelos das madrinhas de guerra e dos aerogramas. Destaca-se a liderança de Cecília Supico Pinto. A partir de 1963 edita a revista Presença, subsidiada pelos ministérios da Defesa e do Ultramar.

 

Angola é nossa – Em Mafra, num juramento de Bandeira, os sargentos milicianos entoam o hino Angola é nossa que vai ser o lema da defesa do território (26 de Agosto).

 

PAIGC solidariza-se com o MPLA e proclama a passagem à acção directa (3 de Agosto). 

A Escola de Adriano – Decreto-lei nº 43 858, de 14 de Agosto, cria o Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, a partir do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos. Integrado na Universidade Técnica de Lisboa, graças à atitude do reitor Moses Bensabat Amzalak, o chefe da comunidade judaica e venerável maçon, que consegue demover as tradicionais resistências de Marcello Caetano ao processo, principalmente quanto à existência de professores de carreira sem doutoramento, a quem chama os doutores decretinos.

O processo de adequação ao regime geral universitário é iniciado a partir de então, tendo sido desencadeado quando em1960 Adriano Moreira acedeu a subsecretário de Estado, com longos contactos com o seu colega da educação, o marcelista Baltazar Rebelo de Sousa, apesar das resistências da Junta Nacional de Educação que pretende aplicar à escola o regime geral.

Conforme reconhece Marcelo Rebelo de Sousa, nas memórias do pai, aí nasceu ou, pelo menos se agravou, uma inimizade que duraria e se avolumaria até ao final do Regime. Curiosamente, lembro-me de, em 1969, ouvir Teresa, mulher de Marcello, num ou noutro momento de menos apatia, recordar, com saudade, entre outros jovens íntimos da casa, bastantes anos antes, Adriano Moreira.

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: