1961
 

Dezembro
Do Kennedy Round à invasão de Goa

 


 

    Criado em Cuba o Partido Unido da Revolução Socialista, onde se opta pelo marxismo-leninismo (2 de Dezembro)

    A Conferência de Punta del Este, no Uruguai assinala o início do Kennedy Round (6 de Dezembro)

    Encontro entre De Gaulle e Adenauer em Paris (9 de Dezembro)

    Tanganica independente (9 de Dezembro). Este novo Estado, liderado por Julius Nyerere, líder da União Nacional Africana do Tanganica (TANU), vai juntar-se ao Zanzibar (27 de Abril de 1964), logo se constituindo a Tanzânia (27 de Abril de 1964). O Tanganica deriva de uma antiga colónia alemã, administrada pelos britânicos depois da Grande Guerra. O Zanzibar, independente desde 10 de Dezembro de 1963, deriva de um sultanato instituído em 1806 e protectorado britânicos desde 1890. Em1954 surgia o TANU (Tanganykan African National Union), dirigido por Julius Nyerere, o Mwalimu (mestre, por ele ser professor). Já no Zanzibar, em1957, surge o Partido Afro-Shirazi, mas os britânicos, em Dezembro de 1963 cederam o governo à minoria árabe, que acabou derrubado três meses depois. Só em1977 é que estes dois partidos se fundiram num Chama Cha Mapinduzi (CCM), depois de Nyerere, em Fevereiro de 1967, na chamada Declaração de Arusha, ter definido a via tanzaniana para o socialismo comunitário (ujamaa, uma palavra suahili que quer dizer família).

     

    Ruptura das relações diplomáticas URSS-Albânia (10 de Dezembro)

    Encontro entre John Kennedy e MacMillan nas Bermudas (21 de Dezembro)

    Convocação do Concílio Vaticano II (25 de Dezembro)

    Em 4 de Dezembro surge um Plano Fouchet II, que o relator considera como a síntese das sugestões emanadas pelas diversas delegações nacionais, mas que continua a ser a expressão do ponto de vista francês, levando a uma viva reacção dos parceiros, chegando os representantes da Bélgica e da Holanda a proporem a própria substituição de Fouchet.

    Conferência de Paris entre os seis e países africanos dos Estados Africanos e Malgaxe Associados para o estudo de uma forma de associação comercial (6 a 7 de Dezembro)

    Chega-se a um consenso, na sequência da reunião dos ministros dos estrangeiros de 15 de Dezembro, quando se pretende uma conciliação com a candidatura britânica ao Mercado Comum, para o que se passa a fazer uma alusão à cooperação com outras nações livres, um referência indirecta à própria NATO.

    Ao abrigo do artigo 63º do Tratado de Roma, a autoridade comunitária aprova um Programa Geral para a supressão das restrições à livre prestação de serviços (18 de Dezembro)

    Primeira maratona agrícola; reunião do Conselho sobre a passagem à segunda etapa do Tratado; a França condiciona essa passagem à elaboração de uma política agrícola comum; falham as negociações em 31 de Dezembro; serão retomadas em 4 de Janeiro (18-22 e 29-31 de Dezembro)

    Walter Hallstein conserva a presidência da Comissão. Pierre Chatenet é nomeado para substituir Pierre Hirsch como presidente da CEEA (20 de Dezembro)

    Debate na Assembleia Parlamentar Europeia sobre a união dos povos da Europa; a Assembleia não aprova o princípio de que a Comissão seja o motor do projecto, aceitando a nomeação de um secretário-geral independente dos governos; Fouchet apresenta uma recomendação no sentido dos governos irem o mais longe possível no sentido da união política da Europa (21 de Dezembro)

    Conselho adopta um regulamento sobre a aplicação uniforme dos artigos 85 e 86 do Tratado de Roma sobre política da concorrência aplicável às empresas; vai entrar em vigor em 13 de Março de 1962 (30 de Dezembro)

     

    A questão de Goa – Parlamento da União Indiana declara anexados os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli (11 de Agosto). Nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros anuncia que o parlamento de Nova Delhi aprovou a integração dos territórios no território da União Indiana (16 de Agosto). Conferência de imprensa de Franco Nogueira sobre a matéria (6 de Dezembro). Tomás recebe em audiência Salazar (10 de Dezembro). Voltam a reunir-se em 14 de Dezembro. União Indiana invade Goa (8 horas de Lisboa, 0 horas, locais de 18 de Dezembro). Na defesa de Diu, morre em combate o tenente Oliveira e Carmo, que não era salazarista, comandante de uma lancha que, antes do infausto, em reunião com os subordinados, proclama: fazemos parte da defesa de Diu e da Pátria e vamos combater até ao último homem e até à última bala.

     

    Nessa noite, cortejo de silêncio em Lisboa. Diz então o cardeal Cerejeira: Portugal não morre, mas a perda da Índia Portuguesa levar- lhe- ia parte da sua alma. Dirá, trinta e três anos depois, Narayane Kaissare: o então ministro da Defesa Krishna Menon ordenou a invasão militar como um acção eleitoralista, poucos dias antes das eleições em Maharashtra

     

    O oposicionista Carlos Sá Cardoso escreve carta a ser publicada no jornal República, onde reconhece: na mais amarga hora de toda a minha vida de português, peço-lhe que permita a um democrata, inteiramente oposicionista e sem responsabilidade nos actuais acontecimentos, que manifeste publicamente, pondo de parte neste momento a discussão das responsabilidades, toda a sua profunda tristeza e o seu veemente repúdio pelo criminoso ataque à nossa Índia com o único e traiçoeiro fim da anexação. A missiva acaba por não ser publicada, devido às instâncias de Mário Soares e Ramos da Costa.

     

    Fuga de presos políticos da prisão de Caxias, utilizando o próprio carro blindado de Salazar que aí se encontra (4 de Dezembro).

     

    Golpe de Beja – Delgado entra em Portugal pela fronteira de Vila Verde de Ficalho, chegando a Lisboa ao anoitecer (30 de Dezembro). Na madrugada da última noite do ano, assalto ao quartel de Beja (regimento de Infantaria 3), comandado pelo capitão Varela Gomes e Manuel Serra. Durante os incidentes, morre Jaime da Fonseca, subsecretário de Estado do Exército.

     

    Comunistas - São presos pela PIDE vários dirigentes do PCP, como Pires Jorge, Octávio Pato, Carlos Costa e Américo de Sousa. Álvaro Cunhal instala-se na Europa de Leste (Dezembro).

     

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

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