1962
 

Maio
Fundação da FRELIMO e êxodo dos
pieds noirs

 

 

Moçambique: Fundada a FRELIMO, por Eduardo Mondlane* (Maio)

Conflitos sino-soviéticos no Sinquião (Abril e Maio)

Greves em Espanha (Abril e Maio). Casamento do príncipe Juan Carlos com a princesa Sofia da Grécia (14 de Maio)

Egipto: Nasser defende um socialismo árabe (21 de Maio)

Começa o êxodo dos argelinos franceses, ditos pieds noirs para a metrópole. No dia 2 ainda há uma grave explosão no porto de Argel, com 62 mortos e 110 feridos

O francês Émile Roche eleito presidente do Comité Económico e Social (4 de Maio)

Ministros do MRP, entre os quais Pierre Pflimlin e Maurice Schuman, abandonam o governo francês, em desacordo com a política europeia do General De Gaulle que, numa conferência de imprensa, defende uma Europa dos Estados, não pode haver outra Europa senão a dos Estados, criticando a integração europeia como quelque espérante ou volapuk integré (15 de Maio)

Carta de Oliveira Salazar ao presidente do Conselho de Ministros da CEE solicita a abertura de negociações com a Comunidade; a resposta favorável será dada em 19 de Dezembro (18 de Maio)

Em 10 e 11 de Maio a polícia assalta a sede da Associação Académica de Coimbra, decretando-se luto académico e greve aos exames. Por seu lado, em Lisboa, estudantes, acompanhados por alguns professores, decidem ocupar as instalações da cantina universitária, com nova intervenção policial. Já no fim do ano, há uma concentração insurreccional no Instituto Superior Técnico em 25 de Novembro, contra do decreto de 15 de Outubro que condiciona a eleição das associações de estudantes.

Entre os líderes de todo este processo, destaca-se o estudante de direito, Jorge Sampaio, futuro presidente da República, bem como José Medeiros Ferreira, secretário-geral da Reunião Inter-Associações, e Eurico Figueiredo, líder do Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses, então, activista do PCP.

47 professores de Lisboa apoiam formalmente os estudantes em carta ao Presidente da República. Vitorino Magalhães Godinho é então demitido de professor do ISCSPU pelo governo. O ministro e director da escola, que o convidara para regressar a Portugal, não subscreve formalmente tal acto se saneamento, obedecendo plenamente à hipócrita legalidade, dado que deixa a subscrição de tal violência para um dos seus ajudantes. É demitido em 16 de Agosto, porque, em 13 de Maio, pondo em prática o seu feito de homem 1ivre, escreve uma carta ao director da escola em que verberava a maneira como o Ministério tem conduzido a questão estudantil. O Ministério do Ultramar conclui pela indisciplina, irreverente e grave conduta, que revela, de facto, impossibilidade de adaptação às exigências da função que exerce. Apesar de defendido, entre outros, por Jorge Dias e Silva Cunha, acaba demitido e o Supremo Tribunal Administrativo, entre cujos juízes se inclui um futuro provedor de justiça, dá razão ao governo. O supremo responsável ministerial pelo processo, menos de meio século volvido, há-de vir a ser empossado como membro do conselho científico da paz de uma fundação do instituidor do Partido Socialista, que apenas invoca a circunstância de ele ter sido detido em1947, olvidando o relativamente longo intervalo de tempo das décadas de cinquenta, sessenta e setenta.

Os líderes estudantis de então decidem pela criação de um Movimento de Acção Revolucionária, onde dominam socialistas e católicos progressistas, como Medeiros Ferreira, Vítor Wengorovius, Manuel de Lucena, João Cravinho, Nuno Brederode dos Santos e Vasco Pulido Valente . Um dos activistas é o futuro maçon Oliveira Marques, iniciado na ordem em 1973.

Confrontos na Baixa de Lisboa no 1º de Maio: um morto (Estêvão Giro) e quatro feridos. As comemorações, organizadas pelo PCP assumem carácter insurreccional, mobilizando milhares de pessoas, com a consequente batalha campal, marcando um novo ritmo de comemorações do Dia do Trabalhador. No final do mês, bombas no ministério das corporações e no Secretariado Nacional de Informação.

Política externa – Reúne-se em Lisboa o conselho ministerial da EFTA (9 a 11 de Maio) e Salazar tem um encontro com Franco em Mérida (14 e 15 de Maio).

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Abril Maio Junho
Julho Agosto Setembro
Outubro Novembro Dezembro

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: