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Primitive Government
Lucy Mair assume‑se contra a distinção entre sociedades sem Estado e sociedades com Estado considerando que depois de um período de Governo Mínimo, marcado por uma autoridade fraca, com um número restrito de detentores do poder, e antes da chegada do Governo Estatal, teria existido uma fase intermédia, a do Governo Difuso, onde, o poder apesar de pertencer a todo o conjunto da população adulta do sexo masculino, é efectivamente assegurado por algumas instituições, por sua vez dominadas por certas pessoas. Salienta, neste sentido, que foram as relações de clientela e de dependência pessoal do feudalismo que constituiram o germe do Estado Moderno. Coonsidera também que não existe nenhuma sociedade em que as regras sejam efectivamente cumpridas.
Revolution (On),1962 Obra de Hannah Arendt, onde se compara a revolução norte-americana com a revolução francesa. Depois de uma introdução sobre Guerra e Revolução, a obra estende-se por seis caps. : O significado da Revolução, A Questão Social, A Procura da Felicidade, "Constitutio Libertatis", "Novus Ordo Saeculorum", A Tradição Revolucionária e o seu Tesouro Perdido. Se na revolução americana, enquanto revolução política, "o poder nascia quando e onde o povo se unia entre si e se ligava por meio de compromissos, pactos e garantias mútuas", na Revolução Francesa, enquanto revolução social, o poder é uma violência natural pré‑política, "uma força que, na sua própria violência, tinha sido libertada pela revolução e, tal como um ciclone, havia varrido todas as instituições do antigo regime". Do mesmo modo enquanto a Revolução Americana se baseia na reciprocidade e na mutualidade, nos compromissos mútuos que assenta em associações e organismos constituídos por meio de acordos, já a Revolução Francesa é marcada pela multidão cuja confiança veio de uma ideologia comum. Refere mesmo que a Revolução Americana é marcada por uma ideia de pactum unionis, contrariamente à Revolução Francesa, onde triunfou a ideia de pactum subjectionis. Se o primeiro é marcado pelos princípios republicano ‑ que considera que o poder reside no povo ‑ e federal ‑ existem alianças duradouras sem perda de identidade dos aliados ‑, já o segundo aceita os da autoridade absoluta e o nacional ‑um representante da nação é um representante do todo. Se o primeiro se assume como compromisso e reciprocidade, feito na presença uns dos outros, sendo uma fonte de poder para cada pessoa individual, já o segundo é consentimento e abdicação do poder individual, feito na presença de um qualquer Deus e onde o governo adquire o monopólio do poder.
(cfr. trad. port. de I. Morais, Sobre a Revolução, Lisboa, Moraes Editores,1971).
MacPherson, Crawford Brough (n. 1911) Professor canadiano. Teoriza o individualismo possessivo, definido como uma concepção do indivíduo visto essencialmente como o proprietário da sua própria pessoa e capacidades, não pertencendo nenhuma delas à sociedade. Este modelo de individualismo acirra o egoísmo, defende a propriedade, dizendo respeito ao primitivo capitalismo do laissez faire. Cria a chamada sociedade de mercado.
· The Political Theory of Possessive Individualism. Hobbes to Locke
Oxford, Oxford University Press,1962.
Militares e política S. Finer em The Man on Horseback, de 1962, relaciona os processos de intervenção militar com os tipos de cultura política. Numa cultura política madura, onde a legitimidade fundamental é inalcançável pelos militares, estes apenas têm intervenção política pela influência. Numa cultura política desenvolvida, onde a legitimidade é importante e resistente aos militares, estes apenas podem fazer chantagem. Numa cultura política baixa, onde a legitimidade, apesar de ter alguma importância, é apenas fluída, o nível característico da intervenção militar visa a substituição do governo de civis por um governo militar. Finalmente, na cultura política mínima, onde a legitimidade não tem importância, a intervenção militar visa substituir um regime civil por um regime militar.
Kuhn, Thomas Samuel (1922-1996) Filósofo da ciência norte-americano. Forma-se em fisica. Introduz o termo paradigma na análise do desenvolvimento histórico da ciência. Considera que toda a ciência obedece a um paradigma, a uma visão do mundo sancionada pela comunidade científica, o que requer inevitavelmente um acto de fé. Porque não há fundamentos racionais para a escolha entre os múltiplos paradigmas disponíveis, dado que muitos deles podem resolver uma série de problemas. Há, assim, uma ciência normal, quando se dá a aplicação estável de um paradigma. Salienta também que a ciência normal, que obedece a esse paradigma, quando as anomalias se acumulam, é derrubada por uma revolução científica, da qual surge um novo paradigma. O progresso científico dá-se quando surgem as tais anomalias, fenómenos que o paradigma não consegue explicar, pelo que se inicia uma revolução científica em busca de um novo paradigma, o qual, quando é adoptado pela comunidade científica, produz o progresso científico. Considera, portanto, que há uma descontinuidade no progresso científico, com longos períodos de normalidade, quando conduzidos inteiramente no interior de um paradigma dominante, a que se sucedem as perturbações ocasionadas pelas revoluções centíficas.
·
The Copernican Revolution1957.
· The Structure of Scientific Revolutions
Chicago, The University of Chicago Press,1962 [trad. fr. La Structure des Révolutions Scientifiques, Paris, Éditions Flammarion,1972].
Galaxy (The) Gutenberg", 1962 Obra do canadiano Marshall McLuhan, subtitulada The Making of Typographic Man. Considera que a mensagem, que o conteúdo, é o medium, o continente. A invenção do papiro provoca o aparecimento do império burocrático dos faraós do Egipto. A imprensa leva à difusão da reforma protestante no espaço alemão. A imprensa quotidiana popular promove a difusão do nacionalismo no século XIX. A televisão contribui para a não distinção entre o público e o privado. Assiste-se agora à passagem da galáxia Gutenberg para a galáxia Marconi. Em A Galáxia de Gutenberg, de 1962, consagra a expressão aldeia global. Considera que desde 1905 a galáxia eléctrica destruiu a galáxia de Gutenberg e o homem tipógrafo. Gera-se nova inquietude de tempos sem escrita, marcados pela comunicação oral. Uma intensa comunicação, onde a forma, o continente, tende a ser mais importante do que a matéria, o conteúdo. The Gutenberg Galaxy. The Making of Typographic Man,1962 [trad. fr. La Galaxie de Gutenberg, Paris, Éditions Mame,1965; trad. port. A Galáxia de Gutenberg, São Paulo, Companhia Editora Nacional,1977]ì
Gutenberg…. [trad. fr. La Galaxie de Gutenberg, Paris, Éditions Mame,1965; trad. port. A Galáxia de Gutenberg, São Paulo, Companhia Editora Nacional,1977]
Buchanan, James McGill (n. 1919) Chefe de fila da chamada Public Choice School. Prémio Nobel da economia em1986. Marcado pelo individualismo metodológico e pelas teses de Schumpeter e Downs, considera o Estado, não como um corpo homogéneo, mas como uma multiplicidade de grupos concorrentes e divergentes, como uma organização humana onde são tomadas decisões por seres humanos sensíveis aos mais variados interesses particulares (v.g. pecuniários, profissionais, éticos,etc.). Recuperando Rousseau, defende a unanimidade do contrato social.
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© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: