O ano de 1963 é marcado, em termos europeus, pela morte de Robert Schuman (5 de Setembro de 1963), por Adenauer abandonar o cargo de chanceler (11 de Outubro de 1963) e por novo veto gaullista à adesão britânica à CEE (14 de Janeiro de 1963), enquanto surge um novo Papa, Paulo VI (21 de Junho de 1963), Giovanni Battista Montelli (1897-1978), depois de João XXIII ainda editar a encíclica Pacem in Terris (11 de Abril de 1963).

Apesar da assinatura do Tratado de Amizade e Cooperação entre a França e a República Federal da Alemanha, em cerimónia realizada no Eliseu, com a presença de Adenauer (22 de Janeiro de 1963), segue-se a suspensão formal, sine die, das negociações entre a CEE e o Reino Unido (28 de Janeiro de 1963), com Hallstein a criticar expressamente a atitude de De Gaulle (5 de Fevereiro de 1963).

 

Em 5 de Janeiro de 1963, Dean Acheson, antigo secretário de Estado, num discurso proferido em West Point, dizia que a Grã-Bretanha has lost an empire and has yet not yet found a role. E dizia isto, quando os britânicos hesitavam entre estabelecer uma especial relação com os Estados Unidos, um pedido de adesão à CEE e o reforço de uma Commonwealth britânica que continuava sem estruturas e sem forças.

MacMillan respondia, dizendo que Acheson  caiu no erro que foi cometido por uma multidão de gente no decorrer dos quatro últimos séculos, nomeadamente Filipe de Espanha, Luís XIV, Napoleão, o Kaiser e Hitler GROSSER, p. 262

Nos dias 15 e 16 encontrava-se com De Gaulle em Rambouillet, insistindo na adesão à CEE, recebendo deste uma clara negativa

MacMillan partia para Nassau, desejoso obter algum prestígio, ofendido pelas posições duras de De Gaulle. Kennedy, não desejava afectar o seu grand design. As conversações foram difíceis e a declaração final surgia como uma das mais longas que surgiam sobre o processo de defesa nuclear. Afirmava-se a necessidade do desenvolvimento de uma força multilateral da NATO, mas também que os Estados Unidos colocariam à disposição do Reino Unido mísseis Polaris, embora sem cabeças nucleares, cabendo aos britânicos o fabrico dos submarinos em que estes seriam colocados, bem como as próprias cabeças nucleares dos mísseis em causa.

Foi a gota de água que fez transbordar a ira de De Gaulle contra os anglo-saxons.

Como vai dizer o minsitro dos estrangeiros francês, entre uma força nuclear integrada na NATO e uma força nuclear nacional, havia toda a diferença que existe entre uma Europa atlântica e uma Europa europeia GROSSER, p. 263

 

Também o acordo entre franceses e alemães, selado pelo Tratado de Amizade e Cooperação, de 23  de Janeiro de  1963, não vai resultar,, dado que o Bundestag, quando o ratifica, em 8 de Maio de 1963, condiciona-o tanto ao alargamento das Comunidades à Grã-Bretanha como a uma intensificação da ligação da Europa com os norte-americanos, tanto no plano militar como no plano comercial.

Cronologia oficial da história da União Europeia

 

1963

 

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