1964

Acção Socialista Portuguesa, cisão ML no PCP e guerrilha em Moçambique

Cosmopolis

© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006

 

A cisão maoísta no PCP – Surge a Frente de Acção Patriótica, dissidência do PCP criada em Janeiro de 1964 por Francisco Martins Rodrigues, depois de divergências na reunião do comité central de Agosto de 1963. Segue-se o CMLP, Comité Marxista-Leninista Português, onde é apoiado por Rui d’Espiney e João Pulido Valente, dissidentes do PCP. Em Junho, emitem o primeiro número do periódico Acção Popular e em Outubro o Revolução Popular. Em Novembro, o jornal Avante! denuncia dois membros da FAP, entrados clandestinamente em Portugal. Idênticas denúncias surgirão em O Militante de Fevereiro de 1965 e em o Avante! de Março de 1965.

 

Alargada a linha de combate contra a guerrilha – No ano da morte de Craveiros Lopes (2 de Setembro) e do estabelecimento de um acordo com a França, para a instalação de uma estação de rastreio na ilha das Flores (17 de Março), inicia-se a guerrilha em Moçambique, por iniciativa da FRELIMO (25 de Setembro). D. Sebastião Soares de Resende, bispo da Beira, emite uma Nota Pastoral protestando contra a suspensão do jornal da diocese, o Diário de Moçambique, bem como contra a circunstância do mesmo estar sujeito a censura prévia (15 de Dezembro).

Caso Luandino Vieira na Sociedade Portuguesa de Escritores, com protestos pela atribuição de um prémio a este militante do MPLA, de origem europeia. Sociedade será encerrada.

Emitido, em Brazzaville, o manifesto Amangola por um grupo de dissidentes da UPA, base da futura UNITA (11 de Dezembro).

Contra-subversão doméstica – Distúrbios no Rossio e na Avenida da Liberdade (1 de Maio). Um morto, Almeida Reis. Em Junho, o jornal O Militante do PCP há-de criticar os organizadores desta contestação, por terem realizado sabotagens e reunido armas.

Cristãos progressistas e socialistas. Surge a Cooperativa de Difusão Cultural e Acção Comunitária, visando os princípios da Pacem in Terris (11 de Abril). Será encerrada pela PIDE em1967. No Porto, aparece a cooperativa Confronto, liderada por Francisco Sá Carneiro (1934-1980), Leite de Castro e Mário Brochado Coelho. Criada a Acção Socialista Portuguesa, em Genebra, por Mário Soares, Tito de Morais e Ramos da Costa em Abril.

 

& Cruz, Manuel Braga da (1998): 161, 166 ss.; Rosas, Fernando/ Brito, A. Brandão de (Dicionário do Estado Novo, II): 138, 544; Mateus, Rui: 31; Soares, Mário (1972/1974): 330.

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