1966
 

Maio
Europa verde e revolução cultural

 

 

 

Surge um movimento guerrilheiro na Colômbia, as FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, enquanto é eleito um novo presidente, o liberal Carlos Lleras Restrepo (3 de Maio)

A Guiana, colónia britânica desde 1831, obtém a plena independência em Maio de 1966, sob a liderança de Forbes Burnham e do Congresso Nacional do Povo. Vivia já com um regime de autonomia desde 1953 e transformar-se-á em republica em Fevereiro de 1970.

Circular do Comité Central do Partido Comunista da China defende que a luta proletária deve estender-se contra os representantes do revisionismo existentes no partido, na universidade e no exército (16 de Maio).

Surge na Universidade de Peita, em Pequim, o primeiro jornal de parede marxista-leninista-nacional (25 de Maio).

A França opõe-se à elevação de Hallstein a presidente da Comissão única das Comunidades Europeias (5 de Maio)

CEE: acordo dos Seis sobre a Europa Verde - quase todos os produtos agrícolas, cerca de 90%, passam a ter preços comuns; anunciada para o dia 1 de Julho de 1968 a união aduaneira, isto é, a supressão dos últimos direitos aduaneiros sobre produtos industriais (11 de Maio)

As glórias do regime – Antunes Varela faz a apresentação solene do projecto de novo Código Civil (10 de Maio. Inaugurada em Lisboa a Ponte sobre o Tejo, dita Ponte Salazar (6 de Agosto). Acabam as obras de Santa Engrácia, com a abertura do Panteão Nacional (7 de Dezembro).

Comemoração do 33º aniversário do Estatuto do Trabalho Nacional, com Salazar a inaugurar o edifício da Praça de Londres onde se instala o Ministério das Corporações e diz que no nosso século, somos a única Revolução Corporativa que triunfa.

No quadragésimo aniversário do 28 de Maio, no quinto ano da guerra colonial e a dois do fim da governação de Salazar, quando Mao desencadeia a chamada revolução cultural, se simbolicamente atinge o clímax a política das fachadas do Estado Novo, com Arantes e Oliveira a repetir o modelo de Duarte Pacheco, para que Salazar pudesse superar o fontismo, eis que o regime acaba por perpetuar-se no seio da sociedade civil, não pelos melhoramentos materiais, mas pela emissão do respectivo Código Civil, graças a uma geração jurídica que misturando a jurisprudência dos conceitos com a doutrina social da Igreja Católica, assume uma concepção social de direito e um ritmo pragmático de jurisprudência dos interesses, eliminando-se os vestígios individualistas do liberalismo e do krausismo da geração do Visconde de Seabra e daquele Código Civil liberdadeiro, então acusado de padecer de um excesso de originalidade.

 

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

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