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Homens em tempos sombrios e teologia da libertação
A chamada doença da prosperidade da sociedade de consumo manifesta através de sucessivas revoltas estudantis, com destaque para o processo da universidade de Nanterre em Paris (22-03-1968), que vai desencadear o chamado Maio1968, num tempo de men in dark time (Arendt,1968), quando Amitai Etzioni publica The Active Society, Arend Lijphart, analisando o pluralismo holandês, reflecte sobre The Politics of Accomodation, e Leo Strauss reflecte sobre Liberalism Ancient and Modern, quando em França, Jean-William Lapierre editava Essai sur les Fondements du Pouvoir Politique. Nesse mesmo ano realiza-se a Conferência de Medellin do episcopado sul-americano, onde, invocando-se a libertação, a promoção do homem e o desenvolvimento integral, se criticam os pecados sociais da violência institucionalizada e da dependência. É então que o padre Gustavo Gutierrez inventa a fórmula teologia da libertação. Este movimento teológico católico tem paralelo com o movimento protestante da teologia da esperança e dele deriva o processo da teologia da revolução, de carácter marxista, marcante nos anos setenta. A teologia da revolução defendia a conciliação entre o catolicismo e o marxismo e que levou alguns a considerar o guerrilheiro como um jesuíta da guerra ou um Frei Beto a declarar que um cristão é um comunista, mesmo que o não queira e que um comunista é um cristão, mesmo que não creia. Mas a teologia da libertação é um movimento bem mais amplo que passa pelas obras de Jürgen Moltmann, Metz, Harvey Cox. Acontece que a teologia da libertação foi incrementada a partir do Maio de 68 como uma teologia para a revolução, onde o reino de Deus passou a ser considerado como a revolução de todas as revoluções (Helmut Gollwitzer) ou como a salvação da revolução (Jürgen Moltmann), opondo-se à teologia do desenvolvimento e superando a teologia dita da impugnação. Ela transformou-se numa teologia da violência, em oposição aos que defendiam uma ética da não violência.
Technik und Wissenschaft als Ideologie
Habermas, J., Confronto entre as categorias de técnica e de ciência. Define a técnica como o poder racionalizado científicamente através de processos objectivados. Analisa dois modelos de relação entre a técnica e a política: o modelo decisionista e o modelo tecnocrático. No primeiro, o mundo dos valores comanda a técnica, transformando esta num meio ao serviço dos fins, dos valores. No modelo tecnocrático, são as lógicas próprias da técnica que impõem as suas escolhas à prática política. Opta pelo primeiro modelo porque há dois tipos de racionalidade, uma para as questões técnicas e outro para as questões práticas
Liberalism Ancient and Modern
Obra de Leo Strauss onde se faz a análise da educação liberal e do liberalismo da filosofia política clássica. Notas sobre Lucrécio, Marsílio de Pádua e Espinosa. Perspectivas sobre a boa sociedade. Nesta obra fala no liberalismo como o contraponto do conservadorismo. (cfr. trad. fr. Libéralisme Antique et Moderne, Paris, Presses Universitaires de France,1990).
The Counter Revolution
Molnar, Thomas Húngaro, professor em Nova Iorque de literatura francesa e história das ideias. Teórico contra-revolucionário. Considera que a revolução ocorre no momento em que o ancien régime dá mostras de tolerância e começa a fazer concessões, as quais mais não são do que sinais de debilidade e resultam da fortaleza. Observa também que o adversário que promove a revolução é, sobretudo, marcado pela république des lettres. Neste sentido, quase defende, como Mussolini, que qualquer regime tem o dever de de durar.
·
The Decline of IntellectualsCleveland, Meridian,1961.
· The Counter Revolution
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The End of Liberalism
Theodore J. Lowi, um dos teóricos norte-americanos que subscreve a tese do fim das ideologias, considerando não fazerem sentido as diferenças entre republicanos e democratas, ou entre conservadores e liberais, dado que tais polarizações, aparentemente contrárias, apenas reflectem os grupos de interesse que mobilizam.
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· The Politics of Disorder
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Crises of the Republic
Hannah Arendt reuniu três ensaios: A mentira na política; Desobediência civil e Da Violência, acrescentando-lhe Reflexões sobre política e revolução. O primeiro ensaio é uma análise critica dos chamados Documentos do Pentágono, ou a história do processo norte-americano para a tomada de decisões em política vietnamita, encomendados por Robert McNamara em1967. Considera-os como embuste, auto-embuste, construção de imagem, ideologismo e desfactualização. No segundo ensaio, analisam-se os movimentos de desobediência civil norte-americanos da segunda metade dos anos sessenta, invocam-se as teses de Sócrates e de Thoreau e assume-se a necessidade do regresso a uma visão horizontalista da república norte-americano conforme as perspectivas dos pais-fundadores desembarcados com a Mayflower. Invoca-se a perspectiva do contrato social de John Locke, diverso da perspectiva teocrática do convénio bíblico e da tese verticalista de Hobbes. O contrato social de Locke guia não o governo, mas a sociedade, entendida como aliança. Tal contrato, se limita o poder de cada indivíduo, deixa intacto o poder da sociedade e o governo estabelece-se sobre o firme terreno de um contrato original entre indivíduos independentes. Assenta na reciprocidade, na força das promessas mútuas, pelo que a sociedade permanece intacta mesmo que o governo seja dissolvido. O governo recebe assim a sua força de um consentimento tácito geral e em vez de intimidar todos, une a todos. Há um conteúdo moral deste consentimento, assente no princípio do pacta sunt servanda. Critica o soberanismo, distingue poder e violência, defendendo o federalismo.
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© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: