1970
 

Julho
Entre o plano Davignon e a continuidade da revolução institucional no México

 

 

Papa Paulo VI encontra-se em 3 de Julho de 1970 líderes dos movimentos de libertação nacional que estão em guerra com Portugal.

Novo presidente do México: Luis Echeverria Alvárez. Continua a revolução institucioanl sem reformas (5 de Julho)

Francês torna-se língua oficial do Canadá, ao lado do inglês (8 de Julho)

A Alemanha assume a Presidência do Conselho das Comunidades Europeias (1 de Julho).

Início de funções da nova Comissão, sendo seu Presidente Franco Maria Malfatti (2 de Julho).

Submetido aos ministros dos estrangeiros o Plano Davignon* (20 de Julho)

Paulo VI recebe Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, por ocasião da realização em Roma de uma Conferência Internacional de Solidariedade com os Povos das Colónias Portuguesas (3 de Julho). Protesto do governo português junto da Santa Sé (4 de Julho). Discurso de Marcello Caetano criticando a ala liberal (23 de Julho).

Guerra colonial e guerra civil fria – Em queda de helicóptero na Guiné, morrem vários deputados, entre os quais o guineense Pinto Bull e o até então líder da ala liberal Pinto Leite (25 de Julho).

Prisão do Padre Mário de Oliveira, da Lixa (Julho).

Morte de Salazar (27 de Julho). Funerais para o Vimieiro, onde fica em campa rasa (30 de Julho). Homília pelo padre Moreira das Neves e discurso de Afonso Queiró, em nome da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

O processo da guerra colonial continua sem alternativas. Se em Angola as zonas de insegurança se comprimem; se, na Guiné, apesar da forte pressão militar da guerrilha, Spínola assume-se como um dos últimos generais românticos do Ocidente e trata de disputar política e socialmente o terreno ao PAIGC, através de uma subtil guerra psicológica; finalemente, em Moçambique, Kaúlza de Arriaga prossegue, de forma mais clássica, a contenção.

Contudo, no dia 3 de Julho dá-se um terrível choque nas consciências, com o Papa Paulo VI a receber em audiência líderes dos movimentos armados que combatem as tropas portuguesas.

Na própria rectaguarda metropolitana, nos começos do Verão, emerge uma ala armada do próprio PCP, a Aliança Revolucionária Armada, que começa a actividade bombista sabotando equipamento destinado a sustentar a guerra. Falha também uma tentativa de inversão de processo de guerra na Guiné, com o desembarque em Conakry de um grupo de operações especiais comandado por Alpoim Galvão (20 de Novembro).

No Outono, Marcello Caetano inicia o confronto com a ala liberal na Assembleia Nacional e com os então ditos tecnocratas que haviam sido mobilizados para o governo. Um deles, João Salgueiro, acaba por demitir-se do cargo de subsecretário de Estado do Planeamento, para assumir as funções de um clube político então nascente, a SEDES (Outubro de 1970).

Condenado a este isolamento, Marcello Caetano não pode cometer erros no seu relacionamento com as forças armadas, mas como a história o virá a demonstrar, as apostas tácticas que faz serão desastrosas. Não apoiando as iniciativas espectaculares de Spínola, desde o encontro com Senghor, em 18 de Maio de 1971, às projectadas conversações com o próprio Amílcar Cabral, prenúncio de uma espécie de paz dos bravos, e temendo uma conspiração dos ultras militares, acaba por fazer reeleger o velho almirante Tomás (25 de Julho de 1971), por aliar-se ao general Francisco da Costa Gomes, sucessivamente nomeado comandante operacional em Angola (1970) e Chefe do Estado-maior Geral das Forças Armadas (1972), e por levar a cabo uma revisão constitucional, pela Lei nº 3/71(6 de Agosto) que, eliminando o conceito estratégico nacional constante do anterior texto da lei fundamental, acaba por não contentar aos liberais e por não resolver a questão ultramarina.

 

 
Janeiro Fevereiro Março
Abril Maio Junho
Julho Agosto Setembro
Outubro Novembro Dezembro

Ver síntese do ano

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: