1971
 

Maio
A procura da adesão britânica à CEE

 

 

Encontro entre Pompidou e Heath acelera o processo de negociações sobre a adesão britânica (20 e 21 de Maio)

A Igreja pós-Cerejeira – Anunciada a nomeação de D. António Ribeiro como Cardeal de Lisboa, como sucessor de Cerejeira (13 de Maio), o que se efectiva em 29 de Julho. O novo chefe da igreja, bastante ligado às actividades da comunicação social, principalmente à televisão, havia sido professor de doutrinas sociais e políticas no ISCSPU, mas fora afastado da escola, por ser mais um dos que, depois de ter brilho próprio entrara em conflito com a omnipotência do director, à semelhança do que acontecera a José Hermano Saraiva e Alfredo de Sousa ou à própria compressão de que vítima Jorge Dias, nesse processo dito de privatização de uma escola pública posta ao serviço das manobras de uma personalidade que se candidatou a sucessor de Salazar na condução do regime, mas que, tal como Veiga Simão, de quem virá a ser aliado, procura deter, pela via iluminada de um micro-despotismo, o monopólio da ideia reformista, processo que irá apenas aplicar, de forma global, na viragem do milénio.

Turbulências –    Navio Angoche encontrado à deriva em Moçambique (26 de Abril). LUAR assalta consulado de Portugal em Roterdão (1 de Maio). Marcello Caetano, que depois do 28 de Maio chegara a ponderar a extinção da Legião Portuguesa, decide assistir a concentração realizada em Braga, apresentando mensagem (30 de Maio). 

Socialistas – Reunião da Acção Socialista Portuguesa em Paris, sendo constituída a respectiva direcção (Maio). Conforme diz Álvaro Cunhal, é um misto do social-democratismo sem base operária e do liberalismo burguês. Manuel Tito de Morais fica com o pelouro da organização; Mário Soares, com o das relações internacionais; Ramos da Costa, com a tesouraria; Fernando Loureiro e Rui Mateus com a juventude. Ainda há dúvidas sobre a integração do grupo na Internacional Socialista e a consequente transformação em partido. Debatem-se as tensões entre a linha social-democrata e a linha marxista, ainda assumida por Mário Soares, para quem importaria colectivizar os meios de produção.

Mais extrema-esquerda – Surge O Grito do Povo, base da OCMLP, Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, instituída em finais de 1972.

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: