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Public Choice, teologia da libertação e Portugal
amordaçado – No tocante às ideias, no ano em que desaparecem tanto o
filósofo marxista Gyorgy Lucckács, como o poeta norte-americano Ezra Pound,
que havia apoiado activamente o fascismo de Mussolini, merece destaque a
emergência da teoria da public choice (Buchanan e Tullock), enquanto
outros continuam à procura do paradigma perdido (Edgar Morin) ou
denunciam a tecnodemocracia (Duverger) e o ex-ministro de Dubcek, Ota
Sik, no exílio de Basileia, procura uma terceira via, Der Dritte Weg,
com afastamento do comunismo sem adesão ao capitalismo, contra os
conservadores de ambos os lados. No âmbito da procura deste terceirismo,
importa, contudo, assinalar que o Clube de Roma publica o seu primeiro
relatório sobre os limistes do crescimento, coordenado por Donella Meadows. Já
em França, consagra-se a filosofia do desejo, com Giles Deleuze (1925-1995) e
Félix Guattari, com o primeiro tomo de Capitalisme et Schizophrénie, a
que se seguirá um segundo, em1980. Duverger, em Janus, les Deux Faces de
l’Occident, considera que a democracia liberal, depois de 1945, se
transformou numa tecnodemocracia, fundada em vastas organizações,
complexas e hierarquizadas, onde surge uma nova oligarquia que depende
mais do Estado que a da anterior ordem, ainda assente na concorrência de
pequenas unidades autónomas. Edgar Morin analisa a semelhança entre as
sociedades animais e as sociedades humanas e, retomando alguma das teses de
Teilhard de Chardin, nomeadamente da lei da complexidade crescente da evolução
das organizações. O modelo sul-americano de teologia da libertação,
enquanto teologia da revolução, organizou-se em1972 com a reunião do
Escurial em Espanha, que, em Novembro desse mesmo ano foi alvo de um ríspido
ataque do secretário-geral da Conferência Episcopal latino-americana, Alfonso
Lopez Trujillo. Vai incrementar-se o processo ao longo dos anos setenta, tanto
no plano teórico, com a recepção de uma série de ideologismo marxistas, como
as ideias de alienação, luta de classes e historicidade, enquanto se agravavam
as ditaduras sul-americanas sustentadas pela CIA. Quando Mário Soares edita no
exílio parisiense Le Portugal Bailloné, na Faculdade de Direito de
Coimbra, o jovem assistente Vital Moreira, um dos principais activistas do
marxismo lusitano, lança um importante texto universitário e doutrinário com o
enganador título de Direito Corporativo, onde vai além da hermenêutico
e semeia importantes análises políticas. Já Mário Sottomayor Cardia publica,
em Agosto, pela Seara Nova, Sobre o Antimarxismo Contestatário, uma
diatribe ortodoxamente comunista contra António José Saraiva, considerado um jdanovista ofuscado pelo neocapitalismo, datada de Fevereiro de 1971,
porque o mesmo em Maio e a Crise da Civilização Burguesa se mostrava
contrário à luta de classes e volvera-se em filósofo da subjectividade e da
ilimitada criatividade do espírito. O crítico não tardará em seguir as
ideias expressas pelo criticados, ao abandonar as teias do PCP, a que diz ter
aderido apenas por mera solidariedade.
Janus, les Deux Faces de l’Occident
Maurice Duverger considera que, depois de 1945, à democracia liberal sucedeu uma tecnodemocracia, fundada em vastas organizações, complexas e hierarquizadas, com uma nova oligarquia que depende mais do estado que na anterior ordem assente na concorrência de pequenas unidades autónomas.
Paradigme (le) Perdu. La Nature Humaine,1972. Analisa a semelhança entre as sociedades animais e as sociedades humanas. Retomando alguma das teses de Teilhard de Chardin, nomeadamente da lei da complexidade crescente da evolução das organizações, salienta a existencia de um processo de hominização, mas não deixxa de assinalar que tal como as sociedades animais, também as sociedades humanas são organizações vivas, ecossistemas, alimentadas pela energia e caractrizadas pela existência de um território e por relações de domination/ soumission, tendo a marcá-las um sistema de signos. A homonização é um processo complexo que leva a mutaões genéticas e a alterações ecológicas. É uma morfogéneses complexa e multidimensional que se desenrola através de uma sucessão de ecossistemas cada vez mais complexos.
Der Dritte Weg
Sik, Ota Político checo, ministro de Dubceque na Primavera de Praga de 1969. Autor de Der Dritte Weg, de 1972. A obra, escrita no exílio, em Basileia, tem como subtítulo A teoria marxista-leninista e a sociedade moderna. Segundo o autor, a terceira via significa um afastamento do comunismo, mas sem adesão ao capitalismo, dado que se assume contra os ideólogos
conservadores de ambos os lados.
·
Argumentos para uma Terceira Via. Nem Comunismo Soviético nem Capitalismo,Trad. port., Coimbra, Novalmedina,1979.
Capitalisme et Schizophrénie",1972 falam num Urstaat, num "Estado Primordial que se abate sobre a organização primitiva e a reduz à sua mercê". Este Urstaat, como tal baptizado por Nietzsche, equivaleria às "máquinas de guerra" das civilizações nómadas e constituiria o início do Estado Moderno. Para estes autores, portanto, o Estado sempre existiu em todos os lugares e em todos os tempos e sempre muito perfeito e muito formado. Porque "não é apenas a escrita que supõe o Estado, é a palavra, a língua, a linguagem. A auto‑suficiência, a autarquia, a independência, a preexistência de primitivos comuns é um sonho de etnólogo"
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© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: