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1973 |
Das últimas eleições ao movimento dos capitães, em tempo de vacas magras |
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Cosmopolis |
© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006 |
Do golpe de Pinochet – No ano de 1973, apesar do
fim da Guerra do Vietname (27 de Janeiro), o mundo sobressalta-se com o
chamado choque petrolífero, dá-se o golpe de Pinochet no Chile (11 de
Setembro) e aparece a guerra do Yom Kippur (de 06-10 a 11 de Novembro).
Em Espanha, a ETA assassina, através de uma acto espectacular o Almirante
Carrero Blanco, o delfim de Franco, santificado pelo Opus Dei.
Nos Estados Unidos, Nixon reconhece responsabilidades no caso Watergate (30 de
Abril), determina que cessem os bombardeamentos sobre o Cambodja (15 de
Agosto) e sofre com a resignação do vice-presidente Spiro Agnew (10 de
Outubro), acusado de corrupção, enquanto governador de Maryland, em1967. O
ano começa com a assinatura em Paris do acordo de cessar-fogo entre os USA e o
Vietname do Norte (27 de Janeiro), a que se segue um desanuviamento entre
americanos e soviéticos. E, depois da cimeira entre as duas super-potências,
em Washington (17 -19 de Junho), surge até um acordo para a prevenção da
guerra nuclear (25 de Junho). O ano termina com a reunião em Washington do
Conselho do Atlântico, onde Kissinger propõe a institucionalização de um
mecanismo de cooperação política (10 de Dezembro), para, depois, advertir
contra o eventual separatismo europeu, face à aliança ocidental (12 de
Dezembro).
Ao choque petrolífero ...No Outono, na sequência da
guerra do Yom Kippur, dá-se o chamado choque petrolífero, quando os
países da OPEP decidem quadruplicar os preços do óleo negro, depois de terem
decretado um embargo nas exportações de petróleo para a Holanda e de terem
reduzido substancialmente as remessas do produtos para outros países europeus.
A Europa comunitária toma então consciência que 63% das suas necessidades em
energia provêm do Médio Oriente. Assim, a crise energética acaba por esmorecer
os impulsos de um alargamento que parecia transfigurar-se em acabamento e aprofundamento. Com efeito, em 23-12 que a OPEP,
depois de uma reunião em Teerão, anuncia o aumento para o dobro dos preços do
petróleo bruto, com o consequente disparo da inflação e o desequilíbrio das
balanças de pagamentos. Mas, neste caso, a necessidade não vai aguçar o
engenho europeu, dado que nem sequer se conseguem estabelecer as linhas
mestras de uma qualquer política comum de energia. No plano da integração
europeia, no ano em que entra em vigor o alargamento à Dinamarca, à Irlanda e
ao Reino Unido, há importantes medidas no tocante à política monetária, com a
criação da chamada serpente europeia (19 de Março), um bloco monetário
com taxas de câmbio com flutuação comum, e a instituição de um Fundo Monetário
Europeu (01 de Abril). Segue-se a adopção de uma política comum sobre o
ambiente (19 de Julho) e, sobretudo a Sexta Cimeira Europeia, de Copenhaga (14
de Dezembro), onde é aprovada a Carta sobre Identidade Europeia, mas
sem que se tomem medidas enérgicas comuns sobre a energia e o aumento dos
preços do petróleo. A vida nova europeia, marcada tanto pelo alargamento como
pelo estabelecimento do acordo de comércio livre entre a CEE e os países da
EFTA que não aderiram às Comunidades - Áustria, Portugal, Suécia e Suíça - (01
de Janeiro), apesar de levar ao estabelecimento da competência exclusiva da
Comunidade em matéria de política comercial comum (05 de Janeiro) e à entrada
em funções a nova Comissão, presidida por François-Xavier Ortolli (06 de
Janeiro), tem, assim, de enfrentar uma nova crise internacional.
Do arquipélago Gulag ao small is beautiful – No plano das ideias, no ano da morte de Hans Kelsen, Max Horkheimer e Gabriel
Marcel, começa a publicação no Ocidente do Arquipélago de Gulag de
Alexandre Soljenitsine,1973-1974, enquanto Raymond Aron analisa a République Impériale e Daniel Bell anuncia The Coming of
Post-Industrial Society. Manifesta-se o ecologismo de E. F. Schumacher, em Small is Beautiful e Umberto Eco começa a fazer-se notado, com a obra Il Segno. Já o radical neoliberal, Murray Rothabard, lança as bases do
anarco-capitalismo dos libertários, em For a New Liberty. The Libertarian
Manifest. Em França dá-se a grande recepção do sistemismo politológico,
com Jean-William Lapierre a publicar L’Analyse des Systèmes Politiques,
enquanto Cornelius Castoriadis emite o primeiro volume de La Societé
Burocratique, sobre as relações de produção na Rússia. Os libertarians,
também ditos anarco-capitalistas, assumem o extremismo da liberdade e
da propriedade, contraditando os liberais conservadores, no ano em que morrem
Ludwig Von Mises e Leo Strauss. Invocam John Locke e Ludwig von Mises, num
radical individualismo que, no plano da política externa, também assume o
isolacionismo, considerando que o liberalismo e o marxismo são uma espécie de
irmãos-gémeos. Entre os seus principais representantes, contam-se Robert
Nozick, David Friedman (The Machinery of Freedom, de 1973), Barry
Norman (On Classic Liberalism and Libertarianism,1980) e Murray
Rothabard (For a New Liberty. The Libertarian Manifest, também de
1973). Distanciam-se assim do modelo assumido por Friedrich Hayek que, nesse
ano de 1973, lança o primeiro volume da sua trilogia Law, Legislation and
Liberty, apenas concluída em1979. Pretendendo uma nova formulação dos
princípios liberais de justiça e de economia política, começa por procurar Rules and Order. É também em1973 que os biólogos chilenos Humberto
Maturana e Francisco Varela publicam De Máquinas y Seres Vivos e que E.
F. Schumacher, em Small is Beautiful, partindo do princípio que são
finitos os recursos planetários, propõe, como alternativa à produção em larga
escala e ao consumismo, uma tecnologia limpa, assente no localismo e na
agricultura biológica, advogando a limitação do uso do automóvel e a redução
do consumo de energia. Destaque também para a obra de Vital Moreira, A
Ordem Jurídica do Capitalismo, enquanto Francisco Lucas Pires lança o
heterodoxo artigo sobre o Estado Pós-Corporativo e Luís Reis Torgal
edita Tradicionalismo e Contra-Revolução. O Pensamento e a Acção de José da
Gama e Castro. Já Pedro Teotónio Pereira emite os dois volumes das suas Memórias.
O colapso do marcelismo – Vivem-se os ultimos dias
do marcelismo, numa altura em que se comemora o IV Centenário da aliança
luso-britânica, decorrendo também as últimas eleições para a Assembleia
Nacional, a que oposição decide não comparecer. O grão de areia que levar ao
colapso da engrenagem do colosso situacionista surge no dia 13 de Julho, quando
se publica um decreto inspirado pelo Ministro da Defesa Sá Viana Rebelo, visando
a integração dos milicianos no quadro permanente. O pretexto de intendência que,
despertando a solidariedade corporativa, serve para se desencadear o chamado
movimento dos capitães, constituído em Dezembro desse ano, base Movimento
das Forças Armadas que irá levar a cabo as operações militares vitoriosas do 25
de Abril de 1974. Os ingredientes conspiratórios começam, com efeito, a ganhar
forma e quase todos reconhecem a impotência dos tempos do fim do regime
da Constituição de 1933. Em 6 de Agosto o General Spínola regressa a Lisboa,
pouco tempo antes do PAIGC proclamar a independência de uma República da
Guiné Bissau em Madina de Boé (24 de Setembro). Em 7 de Novembro, numa
remodelação governamental, Marcello ainda muda Silva Cunha, da pasta do
ultramar, para a da defesa, colocando, na primeira, o antigo ministro das
corporações, Baltazar Rebelo de Sousa. Segue-se, uma tentativa conciliatória,
com a nomeação de Spínola para o cargo de Vice-Chefe do Estado-Maior Geral das
Forças Armadas, sítio donde surge a gota de água que faz transbordar o cálice do
regime, o lançamento do livro Portugal e o Futuro de António de Spínola,
em 22 de Fevereiro de 1974. Subterraneamente, surgem as mais diversas
movimentações num jogo de conspirações e contra-conspirações, reais ou
imaginadas, fantasiadas ou tentadas, onde as proclamadas inventonas
acabam por ser bem mais do que as projectadas intentonas. Sob o espectro
de um golpe dos ultras vai assim medrando o movimento dos capitães que
irá assumir o protagonismo quando, depois da demissão de Costa Gomes e Spínola
(14 de Março de 1974), os militares spinolistas caem no aventureirismo do
chamado golpe das Caldas da Rainha (16 de Março seguinte).
Continua a Vigília da Capela do Rato. Católicos
progressistas e cristãos pelo socialismo e pela revolução apoiam a justa
luta dos povos das colónias. 70 detidos (1 de Janeiro). Vários funcionários
públicos implicados nos incidentes são suspensos (10 de Janeiro). Afastado o
responsável pela capela, Padre Alberto Neto. Miller Guerra interpela o governo
sobre o caso na Assembleia Nacional (23 de Janeiro).
Expresso – Surge o primeiro número do semanário
Expresso (6 de Janeiro), dirigido por Francisco Pinto Balsemão, detentor de
50% do capital social, o ex-deputado liberal da União Nacional, que havia sido
colaborador directo de Soarez Martinez, como secretário, de Kaúlza de Arriaga,
como director da revista Mais Alto da Força Aérea, de 1961 a1963, e de
Adriano Moreira, como colaborador da Academia Internacional da Cultura
Portuguesa. Tem a ajuda de Marcelo Rebelo de Sousa, como administrador-delegado,
o apoio do escritório de André Gonçalves Pereira e é financiado por Manuel
Bulhosa, Vasco Vieira de Almeida e Sociedade Central de Cervejas. A primeira
manchete traz uma sondagem onde se revela que 63 por cento dos portugueses
nunca votaram. Um dos principais colaboradores é Francisco Sá Carneiro, que
também participa num colóquio da SEDES sobre Lisboa: monopólio da
participação política, juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Vilar
(15 de Janeiro), pouco antes de apresentar formalmente a renúncia ao cargo de
deputado (26 de Janeiro).
Guerra colonial – Assassinato de Amílcar Cabral em
Conakry (20 de Janeiro). PAIGC começa a receber foguetes terra-ar Stella, da
URSS (Março). Da mesma origem são os rockets de 122 mm que passam a
equipar a FRELIMO. O padre Adrian Hastings, com base num relatório dos padres
brancos de Burgos, revela ao jornal The Times um massacre ocorrido em
Moçambique em Wiryamu (10 de Julho). PAIGC proclama a independência da
Guiné-Bissau em Madina de Boé, depois de uma reunião da chamada Assembleia
Nacional Popular (24 de Setembro), com a proclamação da independência a ser lida
por José Bernardo Vieira, Nino.
Congresso da ANP. Em Maio, o renovado partido único
do regime realiza um Congresso em Tomar, onde se destaca o sentido
organizacional do ministro Silva Pinto, defendendo a inclusão do movimento no
centro. Também se ouve atentamente o discurso do ministro da educação, Veiga
Simão. Os dois, alguns anos volvidos, assumir-se-ão como militantes do Partido
Socialista. O primeiro, depois de passar pelo CDS e pelo eanismo; o segundo,
após servir de ligação entre Spínola e Mário Soares e com forte aliança ao
processo de sobrevivência de Adriano Moreira. Com efeito, depois da deserção da
ala liberal e da SEDES, Marcello Caetano tenta gerar novos grupos de apoio,
aproximando-se dos que circulam no ministério das corporações e no ministério da
educação. E, nos gabinetes de peritos apoiantes desses ministérios, circulam
personalidades como Maria de Lurdes Pintasilgo, Fraústo da Silva, Amaro da
Costa, Freitas do Amaral e Roberto Carneiro.
Congresso da Oposição Democrática em Aveiro o 3º de
Aveiro que deixa de ser republicano, dado que nele também participam monárquicos
oposicionistas (4 a 8 de Abril). Isto é, a divisão das eleições de 1969 parece
superada, depois de um prévio acordo entre comunistas e socialistas. Nesta
reunião da oposição, Vasco da Gama Fernandes, numa comunicação sobre as
Estruturas do Estado Moderno, considera que o Estado Novo é um Estado
autoritário, egocêntrico, compartimentado, sem lei no sentido de usufruição dos
direitos, reduzido à impotência de uma clique, à margem das ansiedades
generalizadas e sem esperanças. Noutra, defende a instituição do
ombudsman para a prevenção e repressão do arbítrio. José Magalhães Godinho
entusiasma-se com o direito à autogestão, invocando as teses de Mendés-France e
Roger Garaudy. Mário Ventura disserta sobre a censura como arma de repressão
política. O monárquico Rodrigo de Moctezuma defende o liberalismo político,
distinguindo-o do poder discricionário. Francisco Pereira de Moura critica o
modelo de governadores civis, considerados olhos e ouvidos do rei. Outro
monárquico, Marcus Noronha, invoca Mounier e o bem comum contra o
cesarismo e o maquiavelismo. O futuro social-democrata Olívio França fala sobre
As Raízes da Democracia. E Raúl Rego disserta sobre a passagem da censura
prévia ao exame prévio.
Partido Socialista – Fundado o Partido Socialista em
Bad Munsterfeld, nos arredores de Bona (19 de Abril). Segue-se encontro entre
delegações do PS e do PCP (Setembro), onde se subscreve um acordo, equivalente
ao programa comum de esquerda, à maneira francesa, visando o fim da
guerra colonial e negociações com vista à independência dos povos de Angola,
Guiné-Bissau e Moçambique.
Oposição armada – Várias acções da Brigadas Revolucionárias.
Explodem três bombas em Lisboa, em instalações militares (9 de Março). Rebentam
também petardos em vário pontos do país com propaganda oposicionista (30 de
Abril). Incidentes em Lisboa nas comemorações proibidas do dia do trabalhador,
deflagrando uma bomba no ministério das corporações Há abundante distribuição de
panfletos (1 de Maio). Assalto à agência do banco Totta em cabo Ruivo (19 de
Outubro). Explosão de novo engenho no Quartel-General da Região Militar do Porto
(26 de Outubro) É detido Hermínio da Palma Inácio, da LUAR, quando prepararia o
rapto de altas individualidades afectas ao regime (22 de Novembro).
Dos combatentes aos liberais – Em Junho, no Porto,
realiza-se o Congresso dos Combatentes do Ultramar que, apesar de contar
com o activismo de José Vieira de Carvalho e de José Luís Vilaça, e com o apoio
cultural e ideológico de Luís Sá Cunha e do jornal Política, dirigido por
Jaime Nogueira Pinto, não consegue mobilizar o apoio dos militares spinolistas.
Em Julho é o mês do encontro dos chamados liberais, realizado em Lisboa.
Curiosamente o governador civil da capital não autoriza um encontro dos
monárquicos oposicionistas, argumentando com a não concordância da Causa
Monárquica. .
Eleição nº 63 da Assembleia Nacional (28 de
Outubro). 1 800 000 eleitores. 150 deputados. Decreto-lei nº 471/73
de 21/09 e Lei nº 03/71, de 16/08. Listas das ANP conseguem 1 391 990 votos
(66,4%).
A oposição, apesar de fazer campanha, anuncia a desistência
dois dias antes das eleições. A lista monárquica apresentada em Lisboa não foi
aceite. A de Ponta Delgada, recusada por razões processuais.
João Bosco Mota Amaral ainda é eleito deputado pelo partido,
acompanhado nos Açores pelo futuro ministro Álvaro Monjardino. Outro candidato
da ANP, é o dissidente da ala liberal José da Silva, que participara
no Congresso Republicano de 1957, o qual, numa sessão, realizada em Vila Nova de
Gaia, em 19 de Outubro proclama: nem o regime, por autoritário, se pode
qualificar de fascista, nem a Oposição activa, pela insistente reclamação de
liberdades, se pode qualificar de democrática.
Já Francisco Sá Carneiro opta por escrever crónicas no
Expresso e, comentando o acto eleitoral, defende a necessidade de uma
oposição do centro, incluindo as correntes social-democrata e monárquica
independente, bem como a de uma oposição marcadamente socialista.
Em Angola, D. Duarte Pio João, o Príncipe da Beira, tenta
organizar uma lista de oposição, com portugueses de palavra, ligando-se
ao coronel Herculano e Carvalho e a Joaquim Santos Silva e procurando um
entendimento com Marcello Caetano através de Pedro Feytor Pinto. Acaba afastado
do território pela DGS.
O Movimento dos Capitães – Depois do I Congresso dos
Combatentes do Ultramar no Porto, nos dia 1 a 3 de Junho, sob a presidência do
general António Augusto dos Santos, antigo comandante-chefe em Moçambique.
Decreto nº 353/73, o primeiro diploma de Sá Viana Rebelo sobre a integração de
milicianos no Quadro Permanente (13 de Julho). Reagindo aos dois eventos, dá-se
uma reunião clandestina de 51 oficiais em Bissau (21 de Agosto). Concentram-se,
depois, no Monte Sobral, em Évora, 136 oficiais, os quais manifestam
solidariedade com os camaradas da Guiné, principalmente nas críticas aos
diplomas de Sá Viana Rebelo. Se domina a discussão de problemas profissionais,
há, entre os promotores, alguns oficiais já marcadamente politizados, como Vasco
Lourenço e Dinis de Almeida (9 de Setembro). Surge o segundo decreto de Sá Viana
Rebelo sobre os milicianos (20 de Setembro). Cerca de uma centena de oficiais em
serviço em Angola protesta por carta junto de Marcello Caetano (Outubro). Nova
reunião de militares em S. Pedro do Estoril onde já se fala inequivocamente no
derrube militar do regime marcelista (24 de Novembro). Surge o Movimento dos
Capitães, dito Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA), numa
reunião ocorrida em Óbidos, onde é eleita uma Comissão Coordenadora de 19
membros. Opta-se pelo estudo da hipótese de resolução do impasse com uma revolta
militar (1 de Dezembro). Segue-se outra reunião na Costa da Caparica da comissão
coordenadora do Movimento de Oficiais das Forças Armadas onde se institui um
secretariado executivo com Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor
Alves (8 de Dezembro)
Generais divididos – Almoço de Kaúlza de Arriaga,
António de Spínola, Venâncio Deslandes e Pinto Resende, onde se critica a
política ultramarina do governo (14 de Setembro). Algum tempo mais tarde Kaúlza
propõe a Spínola que se estude o derrube militar do governo. Este recusa,
dizendo preferir o recurso à intervenção presidencial. Neste dia 14, Bettencourt
Rodrigues toma posse como governador da Guiné. Carlos Fabião em plena sessão do
Instituto de Altos Estudos Militares (18 de Dezembro), denuncia um hipotético
movimento golpista daquilo que considera ultras, onde estariam implicados
Kaúlza de Arriaga, Silva Cunha, Silvino Silvério Marques e Adriano Moreira.
Também Vasco Lourenço comunica a Costa Gomes que se prepararia um golpe militar
a ser liderado por Kaúlza. Por seu lado, Costa Gomes opta por denunciar o
processo a Silva Cunha, enquanto, Spínola, informado por Kaúlza sobre a
hipótese, conversa com Silva Cunha sobre a matéria. Kaúlza é, então, chamado ao
gabinete de Andrade e Silva. Também é neste mês que Spínola inicia contactos com
o movimento dos capitães, através de António Ramos.
& Antunes, José Freire (I, 1985): 26, 238;
(2003): 59, 96; Avilez, Maria João: 71. 73, 76; Bernardo, Manuel (1996); Ferreira, F. A. Gonçalves: 114, 149, 252; Herculano, Alexandre (1873/1983, I): 126; Mateus, Rui (1996): 43, 44; Pinto, Jaime Nogueira (II,1976): 129 ss., 173 ss.; Sousa, Marcelo Rebelo de: 373; Tomás, Américo (IV): 270, 290, 291, 307;© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: