1979
 

Dezembro
Soviéticos começam intervenção no Afeganistão e acordo sobre a independência da Rodésia

 

 

Fianna Fail e Jack Lynch abandonam o poder no Eire (Dezembro)

Incendiada embaixada norte-americana na Líbia (2 de Dezembro de 1979)

Acordos de Lancaster House sobre a Rodésia (21 de Dezembro). Conversações desde 10 de Setembro. O território volta a ser formalmente uma colónia britânica, sendo dissolvido o parlamento eleito em Abril.

Conselho Atlântico decide a implantação de mísseis Parshing 2 na Europa (12 de Dezembro)

Em resposta aos SS20 soviéticos, NATO decide instalar na Europa mísseis Pershing e Cruise (12 de Dezembro de 1979)

Afeganistão: Chegam a Kabul cerca de 9 000 soldados soviéticos, apoiando o assalto ao poder de Babrak Karmal* (26 de Dezembro). Serão em breve cerca de um milhão, os soldados soviéticos. Cerca de 200 000 em 1980, até à retirada de 13 de Fevereiro de 1989.

Eleição nº 66 (2 de Dezembro) Eleições intercalares para a Assembleia da República. 246 deputados. 7 249 346 eleitores. 6 007 453 votantes.

As forças políticas integrantes da Aliança Democrática ganham com 42,5% e 128 deputados, 42,5%. PSD das ilhas, 7 deputados (total do PSD, 82 deputados; do CDS, 43; do PPM, 5; dos Reformadores, 5).

Seguem-se o PS, com 27,4% e 74 deputados; a coligação liderada pelos comunistas, a APU, com 19% (47 deputados, dos quais 3 são do MDP) e um partido da esquerda revolucionária maoísta, então adepto do regime da Albânia, a UDP, com 2,2%.

O Partido da Democracia Cristã, com Silva Resende e Pinheiro de Azevedo lança uma lista de independentes de direita, onde chegam a integrar-se António Manuel Couto Viana e Manuel Maria Múrias.

Direita vence as eleições – Sá Carneiro, ao lançar, com êxito, a chicotada psicológica da bipolarização num ambiente ainda marcado pelas consequências da subversão comunista e pelos preconceitos eanistas e melo-antunistas, contribui, paradoxalmente, para a consolidação do edifício democrático. Com este não ao sistema vigente do situacionismo pós-revolucionário, onde o PS acalentava o sonho pós-revolucionário de ser uma espécie do Partido Revolucionário Institucional, segundo o ritmo, não mexicano, mas de Afonso Costa, Sá Carneiro diz sim ao regime.

O respectivo projecto de mudança estrutural, com a agressividade do combate de ideias e estratégias, mas sem afrontamento institucional, passa pelo alargamento da base social de apoio da democracia, com a inclusão de toda a direita democrática no processo político português e a redução drástica da influência social dos comunistas. Um resultado que é confirmado nas eleições autárquicas de 16 de Dezembro, dado que a coligação de direita conquista 194 presidências, contra 60 do PS e 50 da APU. A direita deixa de significar apenas o saudosismo do Antigo Regime, cumprindo-se o projecto que, na Primeira República, chegou a ser acalentado por António José de Almeida e Manuel Brito Camacho.

 

 

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

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